Panorama das Diversas Abordagens e Métodos de Ensino.

29/01/2011 22:27

 

PANORAMA DAS DIVERSAS ABORDAGENS E MÉTODOS DE ENSINO

 

          Apesar de nosso intuito com o presente trabalho ser o de analisar o livro didático para o ensino de língua inglesa confrontando-o com os PCNs, acreditamos que se faz necessário compreendermos as diversas abordagens e métodos de ensino por julgarmos serem elas as molas mestras que norteiam a elaboração de um livro didático.  Gostaríamos de salientar, todavia, que, como esclarece Consolo (1990:23), método consiste em “um conjunto de procedimentos de ensino-aprendizagem sintonizados a um determinado currículo, direcionado por uma abordagem ou modelo teórico” e entende-se abordagem como sendo “os pressupostos teóricos acerca da língua e da aprendizagem”.

          Segundo Maria da Graça Nicoletti Mizukami, pesquisadora e professora da Universidade de Campinas e autora do livro Ensino: As abordagens do Processo, datado de 1986, existem seis tipos de abordagens diferentes que podem ser utilizadas quando da preparação e produção de um material didático, especialmente de um livro, destinado ao ensino de língua estrangeira, como veremos a seguir:

 

          Behaviorismo: abordagem aplicada com o intuito de se obter uma resposta constante e invariável a partir de um determinado estimulo. Utilizam-se condicionantes e reforçadores arbitrários como elogios, graus, notas, prêmios, reconhecimento do mestre e dos colegas, associado a outros mais distantes como o diploma, as vantagens da futura profissão, a possibilidade de ascensão social, monetária, etc. O ensino consiste em um arranjo e planejamento de condições externas que levam os estudantes a aprender, sendo de responsabilidade do professor assegurar a aquisição do comportamento. Parte-se do princípio de uma aprendizagem mecânica, com repetições sistemáticas do tipo estímulo-resposta automáticos, portanto, indutiva.

 

          Cognitivismo: preocupa-se com a forma sob a qual a aprendizagem é alcançada, o importante é como ocorrem a organização do conhecimento, o processamento das informações e os comportamentos relativos à tomada de decisões. Embora existam os fixos, os currículos são flexíveis. Situações desafiadoras são oferecidas às crianças, tais como jogos, leituras, visitas, excursões, trabalhos em grupos, arte, oficina, teatro, etc. Nessa abordagem o aluno reflete sobre aquilo que lhe é oferecido, entretanto, o professor é quem gera as informações e as disponibiliza, cabendo aos alunos construírem seus conhecimentos e significados através da reflexão, dando lições aos seus pares, escrevendo, levantando e dando resposta a questões e praticando-as.

 

          Construtivismo: baseia-se no fato de que não é o professor que ensina, e sim o aluno que aprende, que constrói o conhecimento. O próprio aluno precisa ter a iniciativa para questionar, descobrir e compreender o mundo a partir das interações com os demais elementos do contexto histórico no qual está inserido.

 

          Abordagem Comunicativa: apesar de algumas características dessa abordagem serem encontradas no Cognitivismo, a competência comunicativa aqui passa a ser o objetivo, em vez da construção de conhecimento gramatical ou da estocagem de formas memorizadas. Caracteriza-se por ter o foco no sentido, no significado e na interação propositada entre os sujeitos que estão aprendendo uma nova língua. O ensino comunicativo é aquele que organiza as experiências de aprender em termos de atividades/tarefas de real interesse e/ou necessidade do aluno, tornando-o capaz de usar a língua–alvo para realizar ações autênticas na interação com outros falantes-usuários dessa língua. Além disso, esse ensino não toma a forma da língua descrita nas gramáticas como modelo suficiente para organizar as experiências de aprender outra língua, embora não descarte a possibilidade de criar em sala momentos de explicitação das regras e práticas cotidianas dos subsistemas gramaticais, como o dos pronomes, as terminações de verbos, etc.

 

          Abordagem Funcional/Nocional: foca a maneira como a língua é usada em interações – as funções das expressões utilizadas e o seu significado estão relacionados à situação na qual um evento da fala está inserido e na intenção do falante. Pressupõe uma prática mais controlada, a qual seria gradualmente abrandada no início, levando à total liberdade dos alunos, de modo que possam expressar seus significados no estágio final do processo. Esse aprendizado em situações de real comunicação confere um papel social e político mais importante aos falantes da língua do cotidiano, satisfazendo também as necessidades dos alunos de usar a língua em situações rotineiras de comunicação, abordando a questão de praticidade do uso e da aprendizagem de línguas estrangeiras.

 

          Com base no livro Approaches and Methods in Language Teaching de Jack Richards e Theodore S. Rodgers, datado de 1999, faremos uma breve síntese sobre os onze métodos conceituados pelos autores que ora mantemos suas nomenclaturas na língua original:

 

          Competency-Based Language Teaching: concentra-se na produção ou no resultado do aprendizado através de um levantamento das necessidades básicas do aluno em situações do seu dia-a-dia. Trata-se de um método prescritivista que prepara o aluno para se encaixar em um sistema preestabelecido e manter a relação entre as classes sociais, além de focalizar o comportamento do indivíduo e não o seu desenvolvimento de pensamento.

 

          Collaborative Learning: enfoca as atividades organizadas em grupo, objetivando a troca de informações entre os seus membros. Colaborar é trabalhar em conjunto para atingir um objetivo em comum.  Segundo John Dewey, “a educação democrática deveria ser uma ferramenta que integrasse o indivíduo a ele mesmo e à sua própria cultura” (Disponível em: http://www.jewilke.hpg.ig.com.br/dew.htm). Dewey também, através de sua filosofia, considerou as éticas de uma sociedade democrática e viu a educação como os meios práticos pelos quais as crianças poderiam se tornar cidadãs de ajuste de uma democracia.

 

          Tasked-Based Learning & Teaching: trata-se de atividades na língua-alvo que possuem uma seqüência de fases, tendo como propósito levar o aluno a se comunicar (meta) para atingir um resultado. O aluno só pode passar para a fase seguinte ao terminar, com êxito, a anterior. As tarefas devem se espelhar em situações reais e são atividades que têm como enfoque primário o sentido e o aprendizado enquanto são feitas.

 

          Total Physical Response: método de ensino de linguagem construído em torno da coordenação da fala e da ação. Busca-se ensinar a língua por meio de atividade física (motora) para que o aluno pratique a língua inglesa de forma natural e prazerosa.

 

          Whole Language: enfatiza-se a integração das quatro habilidades (speaking, reading, listening e writing), ou seja, a língua como um todo dentro de um contexto. Faz uso de literatura autêntica e textos reais, com atividades sempre realizadas em língua estrangeira.

 

          Audiolingual: baseia-se em diálogos e exercícios de repetição. A gramática é trabalhada de forma indutiva, permitindo o uso dos próprios diálogos para repetição e memorização, fazendo assim correção de pronúncia, ritmo, entonação, ênfase nas sílabas tônicas que reforçam as características behavioristas. Todo material áudio-visual possui um papel central no curso.

 

          Content-Based Instruction: a aprendizagem é organizada em torno de um conteúdo ou informação que os alunos vão adquirir. Uma situação ideal é aquela cujo assunto do aprendizado da língua é o conteúdo, um assunto de fora do domínio da língua.

 

          Suggestiopedia: trata-se de um estudo sistemático das influências irracionais e inconscientes. Há o enfoque na comunicação, utilizando a aquisição de vocabulário por meio de textos/elementos significativos ao grupo. Algumas das características mais importantes desse método são a decoração, os móveis e a sua disposição na sala de aula, o uso de música e o comportamento autoritário do professor.

 

          Neurolinguistic Programming (NLP): consiste em uma filosofia humanista e uma série de sugestões baseadas na psicologia popular, objetivando o convencimento das pessoas de que elas têm o poder de se controlar. A programação neurolingüística permite novas formas de compreender como as comunicações verbais e não-verbais afetam o cérebro humano, apresentando oportunidades de não apenas melhorar a comunicação entre as pessoas, mas também de adquirir mais controle e desenvoltura sobre os aspectos sensoriais, sendo, desse modo, fundamental que o professor conheça seus alunos para poder trabalhar efetivamente com os aspectos sensoriais dos seus discentes.

 

          The Lexical Approach: enfatiza o léxico, tornando as colocações e as unidades lexicais características fundamentais dessa abordagem. As colocações referem-se ao modo como as palavras podem ser dispostas na língua. As unidades lexicais são as palavras em seus respectivos contextos. O aluno é inserido em uma situação que lhe permite “manusear” o seu aprendizado com o propósito de abandonar a idéia de um professor conhecedor, criando no aluno a idéia de descobridor.

 

          Community Language Learning: busca a promoção da interação aluno-aluno, a democratização da aprendizagem (discussões) e a valorização do aspecto cognitivo e afetivo da aprendizagem, uma vez que os alunos são tipicamente agrupados em círculos de seis a nove. O professor direciona a interação como mediador das atividades, que normalmente referem-se à tradução, à gravação, às análises, às reflexões, às observações, às conversações livres e ao treino auditivo (listening). Temos um exemplo disso quando um aluno quer dizer algo e primeiro diz em sua língua materna ao professor, para que este traduza para a língua alvo e depois aquele repita.

          

Referências:

CONSOLO, Douglas Almiro. O livro didático como insumo na aula de Língua Estrangeira (inglês) na escola pública. Campinas: Unicamp. 1990.

MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: As Abordagens do Processo. São Paulo: EPU, 1986.

RICHARDS, Jack , e RODGERS, Theodore S. Approaches and Methods in Language Teaching. Cambridge: 1999.

 

Evandro Carlos Braggio.

Novembro, 2006.