CONCEITOS EM PSICOLOGIA

02/11/2012 23:00

 

A CIÊNCIA DO COMPORTAMENTO
Com a intenção de fazer uma psicologia científica, que se distanciasse o máximo possível das probabilidades de erro das inferências realizadas pelos métodos subjetivos, John B. Watson iniciou, em 1912, um movimento em psicologia denominado behaviorismo, que é um palavra advinda de behavior, em inglês, que corresponde a comportamento. Muitos psicólogos têm definido a psicologia como ciência do comportamento, tendo como finalidade compreendê-lo para modificá-lo e prevê-lo, quando necessário. 

Nesta concepção, toda vida mental manifesta-se através de atos, gestos, palavras, expressões, realizações, atitudes ou qualquer reação do homem a estímulos do meio ambiente. Desta forma, o psicólogo deve observar apenas estas manifestações, deixando de lado o método introspectivo, onde as falhas eram freqüentes, para se utilizar da extrospecção que consiste na observação exterior. O behaviorismo evoluiu muito depois da concepção comportamental de Watson e, atualmente, vai além das limitações da época, em que a psicologia não passava do estudo das relações entre o estímulo observável que o homem ou animal sofriam e a resposta que emitiam a partir deles. 

O behavioristas atuais consideram o organismo e as diferenças comportamentais que acontecem a depender da situação, da privação e da história de vida de cada um. O estado do organismo interfere na resposta que ele emitirá frente a determinado estímulo. As reações podem ser psíquicas ou puramente fisiológicas. As reações fisiológicas de um organismo, para alguns teóricos, não são chamadas de comportamento. Atualmente, os psicólogos definem comportamento como as reações globais do organismo que possuem uma significação. Outra concepção de comportamento trabalha com definições de comportamento inato que todos os seres da mesma espécie apresentam na presença de um determinado estímulo, como é o caso da contração e dilatação das pupilas na presença de luz ou na ausência dela e outras reações que não precisam ser aprendidas. 

Este tipo de comportamento também é definido como respondente. Nesta concepção, o outro tipo de comportamento é o adquirido, que é mutável e que se caracteriza por ser uma reação que pode ser diferente, mesmo se tratando da mesma estimulação a indivíduos da mesma espécie, ou até ao mesmo indivíduo em diferentes situações. Este tipo de comportamento vai se instalando no decorrer da vida de cada sujeito e, normalmente, adquire significados que dizem respeito à história de vida de cada um. Estes comportamentos, em geral, são denominados operantes porque operam sobre o ambiente. Muitas vezes o comportamento verbal é de fundamental importância para o entendimento do significado da resposta emitida pelo sujeito. Em muitos casos, a expressão através da linguagem é extremamente reduzida e, nestes casos, a reação pode ser considerada superficial. A reação superficial, no conceito do Dr. Spitz, diz respeito a respostas emitidas por crianças ainda muito pequenas e que não perceberam ainda, totalmente, as significações da pessoa humana.


A IDENTIDADE
A identidade pode ser definida como sendo um conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma determinada pessoa. Este conceito, entretanto, está ligado às atividades da pessoa, à sua história de vida, ao futuro, sonhos, fantasias, características de personalidade e outras características relativas ao indivíduo. A identidade permite que o indivíduo se perceba como sujeito único, tomando posse da sua realidade individual e, portanto, consciência de si mesmo. Este conceito sempre tem preocupado o homem, desde os gregos antigos. A identidade não é só o que a pessoa aparenta, ela agrupa várias idéias como a noção de permanência, de pontos que não mudam com o tempo. 
Algumas destas características imutáveis são o nome da pessoa, parentescos, nacionalidade, impressão digital e outras coisas que permitem a distinção de uma unidade. A identidade depende da diferenciação que fazemos entre o “eu” e o “outro”. Passamos a ser alguém quando descobrimos o outro porque, desta forma, adquirimos termos de comparação que permitem o destaque das características próprias de cada um. As diversas abordagens têm opiniões diferentes a respeito da possibilidade de mudança da identidade ao longo da vida de uma pessoa. Para a psicanálise, o sujeito só pode se definir a partir de sua relação com os pais. O sujeito é produto da relação de amor e identificação com os pais. A criança disputa o amor de um dos pais, buscando identificação com o modelo que o outro representa.
Segundo esta abordagem, o sujeito introjeta as identificações infantis e, através delas, vai formando sua identidade, diferenciando-se dos outros e possibilitando que a sociedade possa reconhecê-lo como alguém. Outra importante concepção de identidade é a psicossocial, descrita por Antonio da Costa Ciampa. Nesta linha, a identidade tem o caráter de metamorfose, ou seja, as mudanças ocorrem constantemente, o que, entretanto, não aparece. A aparência da identidade é de algo que não muda. A identidade, para a psicossocial, pressupõe a realidade social na qual o indivíduo está inserido. Revela uma condição de vida, estrutura familiar, religião e costumes da pessoa. No entanto, sabemos quem é a pessoa, não apenas por sua definição, mas por suas atividades. Esta é a principal construção da identidade. Um ponto importante a ser considerado é que fazemos parte de diversas organizações e, portanto, nossa ação é fragmentada. Somos o que fazemos naquele momento, em cada papel que desempenhamos, o de aluno, filho, amigo, irmão, e uma coisa não inclui necessariamente a outra. Cada atividade toma forma a partir de um personagem, que temos nas diversas situações de nossas vidas. Identidade é, para a psicossocial, movimento constante.



AFETIVIDADE
A afetividade é parte de nossa vida psíquica e para estudar o ser humano temos que considerar a importância dos afetos. Muitas vezes programamos uma forma de agir e quando nos deparamos com a situação fazemos tudo completamente diferente. Isto acontece porque os afetos interferem no nosso comportamento. Para algumas teorias, os afetos dão significado aos estímulos do mundo externo.

A vida afetiva é composta por dois afetos básicos que são o amor e o ódio e que também estão juntos em nossas ações e pensamentos. Ao falarmos em afetividade temos que considerar as emoções, que são expressões da vida afetiva e que são acompanhadas de reações breves e intensas do organismo em resposta de um acontecimento inesperado. A emoção aparece acompanhada de fortes batimentos cardíacos e, por muito tempo, este fato fez com que as pessoas acreditassem que o coração fosse o lugar das emoções. 

Tremores, risos, choro, lágrimas, expressões faciais, jeito de falar e outras reações orgânicas também acompanham as emoções. Cada cultura tem expressões diferentes para as emoções. Estas reações são descargas de tensão do organismo emocionado. Em toda cultura, além de acontecer uma estimulação para certos tipos de expressão emocional, há a repressão de outras. Os homens da nossa cultura, por exemplo, são “proibidos” de chorar, como se o choro fosse um sinal de fraqueza, e as mulheres são mais incentivadas a expressar o que sentem. 

Estas reações são aprendidas através do que a cultura seleciona. Uma mesma reação pode expressar emoções diferentes e assim, por exemplo, podemos chorar de tristeza ou de alegria. De acordo com as emoções que temos, diante de cada situação, podemos avaliar melhor o que nos acontece. Elas têm uma função adaptativa e também estão ligadas a uma possibilidade de linguagem, na medida em que podemos dizer ao outro o que sentimos, através delas. As emoções podem ser de raiva, nojo, medo, vergonha, desprezo, tristeza, alegria, empolgação, amor, paixão, atração e outras.
 
Podem ser fortes, fracas, passageiras duradouras e podem mudar com o tempo, fazendo com que uma coisa que nunca nos emocionou passe a nos emocionar. Podemos ou não saber definir que tipo de emoção estamos sentindo em determinadas situações porque, às vezes, a emoção é meio difusa. Outra forma de expressão de nossa afetividade são os sentimentos, que são diferentes das emoções por serem mais duradouros, por não serem reações tão explosivas e pelas reações orgânicas que não são tão intensas. Os sentimentos são mais amenos e podem ser a amizade, a ternura e outros. As manifestações de nossa afetividade estão presentes em tudo que fazemos.

 

AMNÉSIA
Quando o indivíduo sofre pressões coercitivas muito fortes, há o perigo de haver algum comprometimento das funções físicas e, ao invés de reagir a estas pressões, correndo este risco, alguma função comportamental pode se tornar inativa, como por exemplo, pode ocorrer a perda de memória. Este tipo de perda, em geral, tem as mesmas origens no stress ambiental que a perda histérica de uma função corporal. Ao invés de se esquivar da coerção, tornando-se fisicamente incapaz, no caso da amnésia, podemos nos tornar mentalmente incapazes. 

Todo mundo tende a fazer uma seleção daquilo que vai esquecer, segundo acreditam determinadas teorias psicológicas. Há uma forte tendência em esquecermos as experiências desagradáveis ou lembrar delas de maneira incorreta. Algumas vezes a pessoa passa por experiências muito difíceis, humilhantes, perdas tão visíveis para todo o mundo, que esquecer de maneira seletiva não seria suficiente, e neste caso, pode haver uma perda de memória, tornando o indivíduo incapaz de lembrar nome, endereço, família, amigos, história educacional, profissional ou trabalho atual. Esta perda de identidade pode ser diagnosticada por médicos como amnésia e permite que o indivíduo afaste, de uma forma efetiva, coisas específicas de seu passado que são insuportáveis para ele. Uma pessoa que sofre de amnésia, pode conversar, ler, escrever, tem capacidade de raciocínio, reconhece as cores, formas, sabe para que serve cada objeto, geralmente mantém sua linguagem normal, assim como continua andando, vestindo-se, comendo, com maneiras e costumes usuais. Mantém a capacidade de dirigir carros, andar de bicicleta e outras habilidades que tinha anteriormente. 

A amnésia não representa necessariamente um fingimento, mas, pode ser difícil descobrir se isto está acontecendo ou não, já que as causas da amnésia histérica e da amnésia falsa podem ser as mesmas. Quem trata da amnésia deve avaliar também se a perda de memória não está relacionada a uma pancada recente na cabeça ou a algum tipo de doença no sistema nervoso. A amnésia pode ter curta duração ou pode se estender pelo resto da vida fazendo, inclusive, com que a pessoa assuma uma nova identidade. Há diversos tipos de amnésia e cada uma delas pode ocasionar o esquecimento de períodos diferentes da vida ou de situações específicas. A pessoa pode ir mudando de “personalidade”, os comportamentos, o jeito de ser, a cada vivência de situações aversivas e isto se chama “personalidade múltipla”.


ANSIEDADE
A ansiedade acontece quando algum sinal externo vago, indica uma catástrofe que não pode ser identificada mas que é iminente. O novo, o desconhecido, perigo, situação de medo, situação de avaliação, expectativa, esperar por resultados, a espera por uma punição, um problema ou a falta de tempo podem causar ansiedade. A ansiedade pressupõe temores de contato pessoal ou de qualquer demanda ambiental, mesmo que não hajam motivos óbvios, deixando a pessoa paralisada com terror. O ansioso sente frio no estômago, taquicardia, transpiração, falta de ar, tremores, micção freqüente e imediata, frio, calafrios, tontura, vertigem, dor de cabeça, insônia e outras alterações. 

Ninguém é ansioso, a pessoa fica ansiosa por alguma situação vivida ou por algum distúrbio psiquiátrico. Às vezes, o paciente ansioso tem comportamentos que impedem o tratamento terapêutico e, nestes casos, precisa ser medicado para que o tratamento prossiga. A partir da queixa de uma pessoa ansiosa e da observação de seus comportamentos, pressupõe-se que hajam situações que provoquem ansiedade neste indivíduo. As diversas abordagens teóricas, em psicologia, tratam de forma diferente das pessoas que sofrem de ansiedade. Há necessidade de se fazer uma checagem para descobrir sinais de situações ansiógenas na vida do indivíduo, em seu ambiente. Caso não haja eminência de uma situação geradora de ansiedade, o terapeuta pode levantar a hipótese de um problema de origem psiquiátrica. Podemos observar que as pessoas ansiosas falam compulsivamente, possuem movimentos rápidos e repetitivos, evitam o silêncio e se esquivam das situações, tentando finalizá-las rapidamente.
 
É importante atentar para o fato de que nem sempre um comportamento sozinho quer dizer que o indivíduo esteja ansioso. Um exemplo disto pode ser retirado das pessoas que falam muito. Elas, geralmente, ouvem o que os outros falam, prestando atenção ao que lhes é perguntado para poderem responder às questões. A pessoa que está ansiosa também pode falar demais, mas não ouve o outro. Observar o conjunto de comportamentos é, portanto, fundamental para que não cheguemos a conclusões equivocadas. A ansiedade é uma experiência individual, difícil de ser compartilhada com o outro. Tem caráter genérico. Geralmente, os sentimentos de ansiedade acompanham a depressão. A teoria comportamental tem como primeiro modelo de ansiedade a punição, que seria o fato de aparecerem sintomas da ansiedade toda vez que vamos sofrer uma punição inevitável. Situações de conflito, onde a pessoa tem que escolher alguma coisa, sendo que a escolha pressupõe também a perda de alguma outra coisa, também podem gerar ansiedade.

 

ANTIPSIQUIATRIA
Antipsiquiatria, movimento que se opõe ao psicodiagnóstico e à psicoterapia, que são as escolas predominantes. Surgiu na década de 1960 e levou ao aparecimento de novas teorias sobre as causas e o tratamento das doenças mentais, como a esquizofrenia. Os defensores da antipsiquiatria, como Ronald D. Laing, se opõem às teorias que limitam a origem da psicose a causas somáticas. Eles acreditam que é necessário prestar mais atenção às influências nocivas que a sociedade e a família exercem sobre o doente. 

Laing afirmou em sua obra Saúde mental, loucura e família (1964) que as causas da esquizofrenia se encontram nas relações familiares deterioradas. Muitos representantes da antipsiquiatria se opõem, de modo geral, à existência dos hospitais psiquiátricos, já que, segundo eles, o doente mental deve ficar em contato com a sociedade. Esta teoria teve muita influência na Itália, país que, em 1978, decretou o fechamento de todas as clínicas psiquiátricas, apesar de algumas delas continuarem funcionando até hoje. 

De acordo com o modelo italiano, os doentes devem ser tratados por suas famílias ou em hospitais públicos. No entanto, segundo a maioria dos médicos e psiquiatras, esta situação, na prática, é prejudicial. Ainda que a antipsiquiatria tenha servido, em muitos casos, como fundamento eficaz para a psicopatologia, ela fracassou. Tanto as famílias dos doentes quanto os funcionários dos hospitais públicos reclamam do esforço exigido para cuidar de um doente mental. Apesar disto, na Itália, ainda se exige o fechamento das últimas clínicas psiquiátricas existentes.


COMPLEXO DE ÉDIPO
Alguns conceitos em psicologia são particulares de algumas abordagens psicológicas e o complexo de Édipo é um conceito fundamental para a psicanálise, entendido, inclusive, como sendo universal e, portanto, característico de todos os seres humanos. O complexo de Édipo caracteriza-se por sentimentos contraditórios de amor e hostilidade. Metaforicamente, este conceito é visto como amor à mãe e ódio ao pai, mas esta idéia permanece, apenas, porque o mundo infantil resume-se a estas figuras parentais ou aos representantes delas. 

A idéia central do conceito de complexo de Édipo inicia-se na ilusão de que o bebê tem de possuir proteção e amor total, o que é reforçado pelos cuidados intensivos que o recém nascido recebe por sua condição frágil. Esta proteção é relacionada, de maneira mais significativa, à figura materna. Mais ou menos aos três anos, a criança começa a entrar em contato com algumas situações em que sofre interdições. Estas interdições são facilmente exemplificadas pelas proibições que começam a acontecer nesta idade. A criança não pode mais fazer certas coisas porque já está “grandinha”, não pode mais passar a noite inteira na cama dos pais, andar pelado pela casa ou na praia, é incentivada a sentar de forma correta e controlar o esfíncter, além de outras cobranças. Neste momento, a criança começa a perceber que não é o centro do mundo e precisa renunciar ao mundo organizado em que se encontra e também à sua ilusão de proteção e amor total. O complexo de Édipo é muito importante porque caracteriza a diferenciação do sujeito em relação aos pais. A criança começa a perceber que os pais pertencem a uma realidade cultural e que não podem se dedicar somente a ela porque possuem outros compromissos, como é o caso do trabalho, de amigos e de todas as outras atividades. 

A figura do pai representa a inserção da criança na cultura, é a ordem cultural. A criança também começa a perceber que o pai pertence à mãe e por isso dirige sentimentos hostis a ele. Estes sentimentos são contraditórios porque a criança também ama esta figura que hostiliza. A diferenciação do sujeito é permeada pela identificação da criança com um dos pais. Na identificação positiva, o menino identifica-se com o pai e a menina com a mãe. O menino tem o desejo de ser forte como o pai e ao mesmo tempo tem “ódio” pelo ciúme da mãe. A menina é hostil à mãe porque ela possui o pai e ao mesmo tempo quer se parecer com ela para competir e tem medo de perder o amor da mãe, que foi sempre tão acolhedora. Na identificação negativa, o medo de perder aquele a quem hostilizamos faz com que a identificação aconteça com a figura de sexo oposto e isto pode gerar comportamentos homossexuais. Nesta fase, a repressão ao ódio e à vontade de permanecer em “berço esplêndido” é muito forte e o sujeito desenvolve mecanismos mais racionais para sua inserção cultural. Com o aparecimento do complexo de Édipo, a criança sai do reinado dos impulsos, dos instintos e passa para um plano mais racional. A pessoa que não consegue fazer a passagem da ilusão de superproteção para a cultura, psicotiza.


COMPORTAMENTO ANIMAL
Comportamento animal é o modo de atuação dos diferentes tipos de animais, tema que fascinou os pensadores desde os tempos de Platão e Aristóteles. É particularmente enigmática a habilidade de algumas criaturas simples para desenvolver tarefas complexas: tecer uma teia (aranha), construir um ninho ou cantar (pássaro), encontrar abrigo ou conseguir comida; tudo isso no momento certo e com escassa ou nenhuma aprendizagem prévia. Tais comportamentos foram estudados partindo de duas perspectivas diferentes, opostas em suas afirmativas: enfoque comportamental (aprendizagem) e o enfoque etológico (que subtrai o papel da herança).
O ADQUIRIDO: OS BEHAVIORISTAS
A escola dominante na explicação do comportamento (animal e humano) tem sido o behaviorismo, cujas figuras mais conhecidas foram J.B.Watson e B.F. Skinner. Sustentavam que todo comportamento, incluindo respirar e a circulação do sangue, é aprendido; acreditavam que os animais nascem como uma "página em branco" sobre a qual o acaso e as experiências irão escrevendo suas mensagens. Os behavioristas diferenciavam dois tipos de condicionamento: o clássico de Pavlóv e o operante ou instrumental de Skinner.
O INATO: A ETOLOGIA
A etologia, disciplina desenvolvida prioritariamente na Europa, sustenta que o comportamento dos animais é inato (instintivo). Os defensores deste enfoque sustentam que os comportamentos tardios na vida dos animais não são fruto da aprendizagem, mas da maturidade do indivíduo, como acontece, por exemplo, com o vôo das aves. Os três prêmios Nobel fundadores da etologia, Konrad Lorenz, Nikolaas Tinbergen e Karl von Frisch, mostraram quatro mecanismos básicos com os quais a programação genética ajuda diretamente a sobrevivência e adaptação dos animais: os estímulos desencadeantes: os modelos e padrões fixos do comportamento, os impulsos e a aprendizagem programada.
 
Os estímulos desencadeantes permitem aos animais reconhecer objetos e indivíduos importantes para sua sobrevivência quando os encontram pela primeira vez. São usados mais freqüentemente nos comportamentos de comunicação, caça e fuga dos depredadores. A vespa caçadora de abelhas reconhece as produtoras de mel mediante uma série de estímulos desencadeantes, o cheiro da abelha atrai a vespa, a vista de qualquer objeto pequeno e escuro a conduz ao ataque e, finalmente, o cheiro do objeto enquanto a vespa prepara seu ferrão determina se o ataque se completa ou não. Por outro lado, a maioria das espécies animais são solitárias, exceto quando acasalam e procriam.
 
Para evitar confusão, os sinais que identificam o sexo e a espécie do animal são claros e inequívocos. Os padrões fixos de comportamento são uma espécie de circuitos completos capazes de dirigir e sincronizar os movimentos coordenados de músculos diferentes para realizar uma tarefa. A conduta dos gansos é típica: quando vêm um ovo fora do ninho esticam o pescoço até rodeá-lo e, com o bico, suavemente, o devolvem ao ninho. O ovo é o estímulo desencadeante que provoca uma resposta. O terceiro conceito geral da etologia é o impulso ou motivação. Os animais sabem até onde emigrar, quando fazer a corte e quando alimentar sua cria. Estas habilidades são unidades de comportamento que se ativam ou desativam no momento apropriado. A quarta contribuição é o conceito de aprendizagem pré-programado. 

Os etólogos mostram como muitos organismos animais estão concebidos para aprender habilidades concretas de forma específica em determinados momentos de suas vidas. Um exemplo famoso são os filhotes de certas espécies. Os patos, por exemplo, devem seguir os seus pais desde que nascem para sobreviver. Cada cria destas espécies deve aprender rapidamente a distinguir seus progenitores dos demais adultos. Um estímulo acústico dirige a resposta de seguimento. Este tipo de comportamento tem quatro características básicas que a diferenciam da aprendizagem normal: primeiro, um período de tempo crítico onde a aprendizagem terá lugar; segundo, um contexto específico definido pela presença de um estímulo desencadeante; terceiro, uma restrição na aprendizagem para que o animal recorde só uma qualidade estimular específica, como o cheiro, e o quarto, não é necessário nenhum tipo de prêmio ou recompensa (esforço positivo) para que o animal se lembre do que aprendeu.
MODELOS DE COMPORTAMENTO COMPLEXO
A evolução tem gerado uma série quase interminável de comportamentos assombrosos aos quais os animais parecem estar perfeitamente adaptados. Exemplos deste fato são os sistemas de navegação, comunicação e organização social das abelhas: elas servem-se do sol como referência de navegação e mostram excelente capacidade comunicativa na execução de danças para indicar onde está o alimento.
A QUESTÃO DO ALTRUÍSMO
Um aspecto fascinante de algumas sociedades animais é o tipo de comportamento altruísta que apresentam: a seleção natural favorece uma conduta de ajuda mútua. Por exemplo, os leões machos se unem para derrotar um companheiro de outro bando. As abelhas são ótimo exemplo de altruísmo pelo benefício extra que seu sistema genético lhes confere, os leões machos que se unem para derrotar um companheiro de outra manada, os urogallos e os chimpanzés, são exemplos de como a seleção natural favorece uma conduta de ajuda mútua.




CONFLITO
Para a psicanálise, o indivíduo fica em conflito quando as exigências internas são contrárias. Este conflito pode ser manifesto ou latente, na medida em que pode-se ter ou não consciência dele. O conflito manifesto aparece, por exemplo, entre um desejo e um valor moral, como pode ser o caso de dois sentimentos contraditórios e o latente pode aparecer como uma forma deformada deste manifesto, produzindo sintomas, desvio de comportamento, perturbações de caráter, etc.. A psicanálise considera o conflito como sendo positivo para o sujeito. O conflito é a noção central da teoria das neuroses e suas modalidades clínicas são relativamente fáceis de serem descritas. 

Geralmente ele representa uma dualidade entre o princípio da realidade e o princípio do prazer, onde o da realidade tende a manter uma superioridade. Freud coloca, como muito importante, a consideração de que há uma ligação intrínseca entre conflito e sexualidade. Para os psicanalistas, qualquer aprofundamento nas questões do conflito psíquico desemboca no complexo de Édipo. Neste, o conflito aparece como uma conjunção dialética e originária entre o desejo e a interdição. O conflito produz ansiedade, afinal qualquer escolha pressupõe perda de alguma coisa. O Behaviorismo não se utiliza da noção de conflito em nível das instâncias psíquicas e discute as situações conflituosas como: aproximação-aproximação, quando temos que decidir entre duas coisas boas; esquiva-esquiva, quando as coisas são igualmente ruins e finalmente aproximação-esquiva, quando optar por fazer uma coisa boa implicará em punição.


CRIATIVIDADE
Por que Criatividade é tão importante? Será que todos nós somos criativos? É algo que vem de berço ou se aprende? Pode ser cultivada, incentivada? Dá para ser Criativo em uma Empresa não Criativa? O que é afinal Criatividade?
São muitas perguntas, grande parte delas com várias respostas possíveis, e nenhuma resposta pode ser considerada a "melhor". Criatividade é o típico conceito que resiste a definições e durante muito tempo temos visto aparecer diversos livros e manuais tentando apresentar visões pessoais (e algumas vezes idiosincráticas) sobre o assunto. Nosso enfoque neste pequeno artigo é mostrar que Criatividade pode ser encarada de uma maneira bastante diferente das tradicionais e que essa forma é mais fundamentada do que muitas outras alternativas.

Distúrbios mentais, distúrbios ou síndromes psíquicas e de comportamento. Geram angústia e causam danos em importantes áreas do funcionamento psíquico, afetando o equilíbrio emocional, o rendimento intelectual e o comportamento social adaptativo. A maioria dos sistemas de classificação reconhecem os distúrbios infantis como categorias separadas dos distúrbios adultos. Também distinguem entre distúrbios orgânicos, provocados por uma causa fisiológica clara, e distúrbios não orgânicos ou funcionais, considerados mais leves. Em função da gravidade e da base orgânica, os distúrbios se dividem em psicóticos (perda da realidade) e neuróticos (mal-estar e ansiedade sem perder o contato com a realidade). As psicoses mais comuns são a esquizofrenia, a maior parte dos transtornos neurológicos e cerebrais (demências) e as formas extremas de depressão. Entre as neuroses, as mais típicas são as fobias, a histeria, a hipocondria e todas que geram uma alta dose de ansiedade sem que haja desconexão com a realidade.
TRANSTORNOS INFANTIS
Mostram-se evidentes na infância, puberdade e adolescência. O retardo mental é a incapacidade para aprender com normalidade, ser independente e socialmente responsável como outras pessoas da mesma idade e cultura. A hiperatividade é uma desordem que parte de um déficit na atenção e na concentração devido a uma inquietude constante e patológica. Os distúrbios ansiosos compreendem o medo da separação (da casa dos pais) e o contato com estranhos, gerando um comportamento pusilânime e medroso. Os distúrbios mentais evasivos se caracterizam pela distorção simultânea de várias funções psíquicas, como a atenção, a percepção, a avaliação da realidade e a motricidade. Exemplo deste transtorno é o autismo infantil. Outros transtornos infantis são a bulimia, a anorexia nervosa, os deficiências da fala e a enurese.
TRANSTORNOS ORGÂNICOS MENTAIS
Caracterizam-se pela anormalidade psíquica e do comportamento associados a deteriorações transitórias ou permanentes no funcionamento do cérebro. O dano cerebral procede de uma enfermidade orgânica ou de consumo de alguma droga lesiva. Apresentam, como característica principal, o delírio. A demência é outro sintoma freqüente dos transtornos orgânicos, como a doença de Alzheimer, e se caracteriza por perdas de memória, percepção, juízo e atenção. A demência senil acontece na terceira idade e produz alterações na expressão emocional.
OUTROS TRANSTORNOS
Os transtornos paranóicos se caracterizam por idéias delirantes. As mais típicas são as de perseguição (o indivíduo se considera vítima de uma conspiração), de grandeza (ele acredita ser de natureza nobre, santa ou divina) e de ciúme desmedido. Em qualquer caso, a personalidade paranóide é defensiva, rígida, desconfiada, egocêntrica, ela se isola e pode ficar violentamente anti-social.




DEPRESSÃO
Uma pessoa deprimida sofre de distúrbios do sono, como é o caso da insônia, pensamentos negativos de suicídio e morte, baixa auto-estima, perda de vontade, hipotonia muscular, agitação, irritabilidade, cansaço, desânimo, falta de cuidados, fala lentificada e baixa, isola-se de tudo e todos, chora facilmente, não tem motivação para levantar da cama, abandona as responsabilidades e tem alterações de apetite. A depressão pode ser endógena, quando se trata de um problema orgânico, de alteração hormonal. Este tipo de problema tem que ser tratado com medicação e geralmente a pessoa tem que fazer o tratamento durante a vida inteira. O outro tipo de depressão é a exógena, que é causada por motivos externos que geralmente dizem respeito à perda de fontes de reforçamento, que ocorrem com a morte de alguém, desemprego e outros problemas. 

O deprimido passa por situações de incontrolabilidade, onde nada que ele faça pode modificar a situação que gera depressão. O stress, conflitos e a punição em excesso também podem causar depressão. A ausência de repertório pode ser confundida com depressão, que é o que pode ocorrer com pessoas que passam por uma mudança brusca de ambiente ou de situação de vida e ficam sem saber como se comportar diante disso. Existe um tipo de depressão que alguns psicólogos chamam de depressão do bem sucedido e é o caso de pessoas que podem fazer qualquer coisa que todos acham maravilhoso, ótimo, e isso começa a independer de sua produção. Ninguém presta atenção nas coisas que a pessoa faz, a fama garante que a pessoa seja sempre aprovada por todos. Quando o bem sucedido perde o controle das situações de reforço de sua vida, pode acontecer a depressão. Esta é a explicação para alguns casos de suicídio que acontecem com pessoas que, aparentemente, tinham tudo de bom e que se davam bem em tudo que faziam. As diversas teorias psicológicas entendem a depressão, assim como outros problemas em psicologia, de formas diferentes.


DISTÚRBIOS MENTAIS
Distúrbios mentais, distúrbios ou síndromes psíquicas e de comportamento. Geram angústia e causam danos em importantes áreas do funcionamento psíquico, afetando o equilíbrio emocional, o rendimento intelectual e o comportamento social adaptativo. A maioria dos sistemas de classificação reconhecem os distúrbios infantis como categorias separadas dos distúrbios adultos. Também distinguem entre distúrbios orgânicos, provocados por uma causa fisiológica clara, e distúrbios não orgânicos ou funcionais, considerados mais leves. Em função da gravidade e da base orgânica, os distúrbios se dividem em psicóticos (perda da realidade) e neuróticos (mal-estar e ansiedade sem perder o contato com a realidade). As psicoses mais comuns são a esquizofrenia, a maior parte dos transtornos neurológicos e cerebrais (demências) e as formas extremas de depressão. Entre as neuroses, as mais típicas são as fobias, a histeria, a hipocondria e todas que geram uma alta dose de ansiedade sem que haja desconexão com a realidade.
TRANSTORNOS INFANTIS
Mostram-se evidentes na infância, puberdade e adolescência. O retardo mental é a incapacidade para aprender com normalidade, ser independente e socialmente responsável como outras pessoas da mesma idade e cultura. A hiperatividade é uma desordem que parte de um déficit na atenção e na concentração devido a uma inquietude constante e patológica. Os distúrbios ansiosos compreendem o medo da separação (da casa dos pais) e o contato com estranhos, gerando um comportamento pusilânime e medroso. Os distúrbios mentais evasivos se caracterizam pela distorção simultânea de várias funções psíquicas, como a atenção, a percepção, a avaliação da realidade e a motricidade. Exemplo deste transtorno é o autismo infantil. Outros transtornos infantis são a bulimia, a anorexia nervosa, os deficiências da fala e a enurese.
TRANSTORNOS ORGÂNICOS MENTAIS
Caracterizam-se pela anormalidade psíquica e do comportamento associados a deteriorações transitórias ou permanentes no funcionamento do cérebro. O dano cerebral procede de uma enfermidade orgânica ou de consumo de alguma droga lesiva. Apresentam, como característica principal, o delírio. A demência é outro sintoma freqüente dos transtornos orgânicos, como a doença de Alzheimer, e se caracteriza por perdas de memória, percepção, juízo e atenção. A demência senil acontece na terceira idade e produz alterações na expressão emocional.
OUTROS TRANSTORNOS
Os transtornos paranóicos se caracterizam por idéias delirantes. As mais típicas são as de perseguição (o indivíduo se considera vítima de uma conspiração), de grandeza (ele acredita ser de natureza nobre, santa ou divina) e de ciúme desmedido. Em qualquer caso, a personalidade paranóide é defensiva, rígida, desconfiada, egocêntrica, ela se isola e pode ficar violentamente anti-social.
 

 

EDUCAÇÃO INFANTIL
Pré-escola, jardim de infância, creche, escolinha... Educação infantil.

Educadora, tia, atendente... Professora.

Os nomes mudaram. Mas não apenas os nomes. A Educação Infantil mudou a concepção do cuidado, da aprendizagem e da brincadeira no ambiente escolar. Mudou a relação com a criança da primeira infância no ambiente escolar. Cresceu a importância desse período de escolarização para toda a vida do indivíduo.

Como reflexo de uma sociedade que muda constantemente, o que acontece entre os muros coloridos das escolas de Educação Infantil também viveu mudanças intensas nas últimas duas ou três décadas.

Mas ao contrário do que acontece no mundo dos esportes, da tecnologia, da política e das ciências, que ganham horários nobres para anunciar suas melhores mudanças e descobertas, a pré-escola foi mudando de maneira silenciosa. 

A escolinha, como conhecida por muitos, foi tornando-se mais eficiente, mais profissional, mais exigente consigo própria.  Tecnologias, estudos e pesquisas foram incorporados nos currículos.

Debates calorosos foram estabelecidos entre os que defendiam a idéia da primeira infância como um tempo exclusivo de brincadeira e os que apregoavam a pré-escola como forma de preparo para a vida escolar a ser iniciada aos sete anos.

Legislações foram revistas. Especialistas ouvidos. E a história da Educação Infantil está em plena construção em nosso país.  A concepção do que ensinar, e como ensinar, (se é que se deve ensinar – ainda para alguns) está num movimento constante. E esse movimento, essa discussão, essa procura por novos caminhos tem gerado crescimento em qualidade no que acontece dentro dos muros da educação infantil.

Vindos dos muros de fora, recebemos todos os anos pais de novos alunos. Felizes com seus rebentos, e incertos quanto à importância da educação infantil para eles.

A maioria dos pais de educação infantil tem na sua própria “pré-escola” ou “jardim de infância” a referência sobre como será a Educação Infantil de seu filho. E esse lapso de décadas provoca conflitos e insegurança sobre como relacionar-se com a escola de Educação Infantil onde seu filho está sendo matriculado.

Pense como eram os carros quando você tinha cinco anos. Em como sua família ouvia música. Nos eletrodomésticos de sua casa. Muita coisa mudou.

A Escola de Educação Infantil também está diferente. E muito. As que pararam no tempo foram murchando por dentro. Envelheceram e morreram.

É urgente dar à sociedade uma visão atualizada do que se passa dentro de uma escola de educação infantil. Não apenas pais e mães.  Avós e demais familiares, passam a ser grandes apoiadores da matrícula da criança na Educação Infantil quando compreendem que ela tornou-se essencial para a sua criança.

Fornecer à sociedade uma visão geral dos avanços e características da Educação Infantil é um alvo a ser alcançado. É necessário um bom trabalho para alcançar os objetivos em duas décadas.

O fruto desse trabalho é observado em vidas que tem seu potencial cognitivo e humano cultivados. Em crianças que têm a oportunidade de vivenciarem sua infância de forma mais plena. Na possibilidade de transformarem suas potencialidades em realidade para a alegria de suas famílias e do seu grupo social.

Aos pais, gestantes, casais, jovens, adolescentes, e crianças de qualquer idade. O mais cedo que puderem, comecem a informar-se sobre educação infantil. 

As gerações futuras agradecem você. E a nós, que vamos acumulando velinhas sobre o nosso bolo de aniversário, a alegria e a satisfação que é peculiar à maturidade: a alegria de ver filhos ou netos conquistarem o impensável para nós, naquela idade!


EGO
Em seus primeiros escritos, Freud já mencionava a existência do ego, mas não o especificava com tanta riqueza de detalhes, até porque o descrevia como a personalidade em seu conjunto e esta noção só foi sendo renovada a partir das contribuições feitas pelos estudos da psicanálise e principalmente, pela experiência clínica das neuroses. Muitos autores dedicam-se ao estudo do ego procurando estabelecer as diferenças entre o ego, enquanto instância psíquica e o ego como pessoa, como “eu”, como objeto de amor para o próprio indivíduo, investido de libido narcísica. O ego possui um conceito muito estreito com o conceito de consciência. 
O ego é uma instância psíquica como o id e o superego. Do ponto de vista tópico, a psicanálise refere-se ao ego como mantendo uma relação de dependência com as reivindicações do inconsciente e com a censura exercida pelo superego e pela realidade, tendo uma autonomia relativa. Freud define o ego sob o ponto de vista dinâmico como defensor da personalidade, na medida em que aciona os mecanismos de defesa, que impedem que conteúdos inconscientes e ameaçadores passem para o campo da consciência. 
O ego ainda possui uma definição do ponto de vista econômico, onde é definido como fator de ligação entre os processos psíquicos, sem perder de vista que nas operações defensivas as tentativas da ligação da energia pulsional sofrem interferência das características específicas do processo primário, assumindo um aspecto compulsivo, de repetição e distanciado do real. Na histeria, o ego funciona com instância defensiva. Neste caso o ego, como campo da consciência, defende-se de um situação conflitiva incapaz de ser dominada, e inconciliável com ele, defendendo-se dela. Diz-se que, neste caso, acontece um recalcamento pelo ego. O ego é parte do conflito e isto é motivo para agir de forma defensiva. Apesar da operação defensiva da histeria ser atribuída ao ego, ela não é considerada consciente e voluntária. 
Outra idéia caracteriza o ego como instância responsável pela diferenciação que o indivíduo é capaz de realizar entre seus próprios processos internos e a realidade. Apesar das características deste conceito, Freud trata de deixar claro que o acesso direto à realidade é realizado pela percepção e não pelo ego, como se pode pensar. O ego é descrito como uma organização de neurônios que facilita as vias associativas interiores a este grupo de neurônios, investimento constante realizado por uma energia de origem pulsional e a distinção entre uma parte, que é permanente e outra que tem características variáveis. Para Freud o ego possui um nível de investimento permanente que permite a inibição de processos primários, que poderiam não só levar o indivíduo a alucinações como também provocar desprazer.


EMOÇÃO E SENTIMENTO
A emoção é uma experiência afetiva que aparece de maneira brusca e que é desencadeada por um objeto ou situação excitante, que provoca muitas reações motoras e glandulares, além de alterar o estado afetivo. Nossa existência está contextualizada no mundo e como tal, vivemos cercados de objetos, situações e de outras pessoas com quem interagimos. Tudo o que nos cerca provoca um desejo de afastamento ou de aproximação e estes desejos, mesmo que não sejam realizados, constituem a experiência afetiva de cada um. Para muitos teóricos, a diferença existente entre emoção e sentimento diz respeito apenas ao grau de intensidade e, neste caso, um estado afetivo mais suave, relacionado com as características do objeto em questão, constituiria um sentimento, enquanto que a emoção seria um sentimento mais intenso. 
Não existe uma classificação precisa para emoções e sentimentos, mas há um certo consenso entre os profissionais da psicologia que consideram alegria, tristeza, medo e raiva como emoções fundamentais. A característica e intensidade da emoção depende do objeto que a desencadeia e, mesmo que as reações orgânicas que aparecem pareadas a uma emoção forem induzidas por injeção de hormônios ou outras drogas, a emoção sentida frente a um objeto ameaçador será distinta da induzida artificialmente. Algumas reações motoras ou glandulares acompanham diferentes emoções, como é o caso do choro que pode aparecer junto com emoções diferenciadas. As reações orgânicas aparecem depois da compreensão que o indivíduo tem da natureza do objeto desencadeador da emoção. Existem várias teorias relacionadas às emoções e as dificuldades encontradas para estudar o assunto são muitas. As duas teorias principais da emoção são a periférica e a excitatória. 
De acordo com a teoria periférica, a emoção depende de um conhecimento prévio e a repercussão orgânica é desencadeada por uma reação afetiva a este conhecimento. Neste conceito, as reações nos órgãos viscerais ou musculares antecedem à emoção, que é desencadeada quando o indivíduo toma conhecimento destas reações. A teoria excitatória é mais recente e valoriza a idéia de que a percepção do valor que o objeto tem, no momento em que ele se apresenta ao sujeito, é tão importante quanto a percepção das excitações, que são produzidas pelos órgãos periféricos no desencadeamento das emoções.




ESQUIZOFRENIA

A esquizofrenia é um dos quadros psicóticos mais importantes e se caracteriza pelo que, no senso comum, podemos chamar de mente dividida. Clinicamente, a esquizofrenia manifesta-se de formas diferenciadas, mas algumas características aparecem de forma habitual. É comum observar-se incoerência afetiva e de pensamento, afastamento da realidade e atividade delirante. A esquizofrenia é um distúrbio das associações que regem o pensamento, por isto o pensamento do esquizofrênico não apresenta lógica. 

A esquizofrenia pode aparecer em qualquer idade e é uma doença crônica que evolui em surtos ou crises que são intercaladas com períodos de melhora. As formas mais conhecidas de esquizofrenia são: esquizofrenia paranóide, hebefrênica, catatônica, a simples e a residual. Os pacientes esquizofrênicos enfrentam sintomas muito complicadores e podem adquirir seqüelas denominadas “defeito esquizofrênico”, que é uma característica que os torna estranhos, com uma feição demencial. Uma pessoa que sofre de esquizofrenia apresenta uma queda severa em seu desempenho social, prejuízos na capacidade de trabalho e atividades cotidianas e indiferença aos estímulos afetivos. 

Fatores orgânicos, como a transmissão genética e alterações bioquímicas, são muito importantes na gênese da esquizofrenia mas, como grande parte das doenças, ela pode ser encarada como conseqüência de um conjunto de fatores orgânicos, psicológicos e sociais. O tratamento é feito com medicamentos conhecidos como neurolépicos ou antipsicóticos, que reduzem o tempo de duração do surto e permitem que cada vez menos pacientes voltem a apresentar os sintomas da síndrome. A colaboração da família é fundamental para o controle e evolução da doença e, muitas vezes, é importante que o paciente passe por uma psicoterapia, para que adquira mais conhecimentos a respeito da sua nova condição e para que consiga, mais rapidamente, uma readaptação ao convívio social.


ESTÍMULO E RESPOSTA
Os conceitos de estímulo e resposta não podem ser entendidos separadamente. Qualquer evento do meio torna-se um estímulo se for seguido por uma resposta. Estes termos são de fundamental importância para que possamos estudar a relação do meio com o comportamento de forma específica e mais precisa. O behaviorismo estuda esta relação e, como o meio e o comportamento são conceitos muito amplos, definiu estímulo e resposta como unidades básicas da descrição e como ponto de partida para que fosse possível realizar uma ciência do comportamento. Qualquer relação entre estímulo, representado pela letra R, e resposta, representada pela letra S, é denominada de reflexo. 

Este termo também é usado para denominar as respostas para as quais os respectivos estímulos não são claramente observáveis. Um exemplo disto é quando uma criança começa a bater palmas repentinamente, e não sabemos exatamente o porquê. Entre o aparecimento de um estímulo e a emissão de uma resposta existem eventos corporais. Os estímulos afetam os órgãos dos sentidos, que quando excitados, fazem com que os impulsos nervosos sejam transmitidos até o cérebro ou medula e daí aos músculos e glândulas. É desta seqüência que resultam as respostas que, relacionadas com os estímulos, é o que interessa aos psicólogos comportamentais.
 
Os estímulos são uma representação de parte específica do meio, mas também podem ser externos, provenientes de órgãos ou de movimentos musculares. Todos os estudos feitos, tanto em animais como em seres humanos, tornaram óbvios que, mesmo sem atentar para as atividades fisiológicas implicadas, estímulo e resposta estavam freqüentemente associados numa relação causal bem definida e claramente observável. O uso da relação entre estímulo e resposta foi sugerido por Watson como uma forma de controle e predição do comportamento humano. Entre o aparecimento do estímulo e o começo da resposta há um pequeno intervalo de tempo, que é chamado de período de latência ou período latente. Os estímulos fortes tendem, em alguns casos, a diminuir o período de latência e em outros casos não se observa alteração alguma. A criança necessita de estimulação para sua organização, inclusive no que diz respeito à organização do córtex cerebral. 

A estimulação é essencial para a manutenção, o desenvolvimento e a maturação dos sistemas neuroniais. Uma estimulação anormal pode provocar o aparecimento de “modelos” de comportamento mal adaptados. A relação mãe e filho é fundamental para que ocorra a estimulação infantil. O tipo de estimulação vai depender da situação social da família e isto vai determinar as possibilidades de aprendizado e pensamento abstrato da pessoa em desenvolvimento. É importante considerar estas informações para que possamos entender que as pessoas de classes sociais menos privilegiadas não têm menos capacidade de aprender e de se desenvolver do que as que possuem uma condição social melhor, elas apenas são menos estimuladas porque, provavelmente, seus pais têm um repertório comportamental mais limitado e a escola ou creche, a que estão vinculadas, também estimulam de forma precária a criança em questão, interferindo no seu desenvolvimento.





FREUD E A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS

Cem anos atrás, Freud sonhava... Também escrevia e o saber produzido - ainda hoje - nos diz respeito.
A crença mantida na antigüidade, de que os sonhos eram enviados pelos deuses afim de ordenar as ações dos homens, constitui ainda hoje uma convicção popular. Basta lembrarmos do sonho do faraó, proposto a José na Bíblia, das sete vacas gordas seguidas por outras sete magras que devoram as primeiras. O significado era uma profecia de sete anos de fome no Egito.
Esse método de interpretação simbólica é tão difundido como outro de decifração, onde para cada elemento onírico encontra-se um significado correspondente, estabelecido nos livros de sonhos com tabelas de palavras-chaves e lugares comuns.
É a partir de Freud que o sonho torna-se objeto de pesquisa científica com o livro, O significado dos Sonhos, resultando na criação de um novo método de interpretação psicanalítica. Não há dúvida que aquela era uma grande descoberta, mais ou menos original. Sim, porque mesmo que eternamente fosse admitido algum sentido para os sonhos, a novidade freudiana, foi fazer deles, através de uma práxis, uma via régia.
A eficácia analítica operava a partir de três perspectivas simultâneas. Primeiro, na prática clínica, tratava-se do melhor dos caminhos para atingir os pensamentos recalcados do paciente. Depois, por ser o meio mais adequado para um conhecimento teórico do aparelho psíquico; e finalmente, por se constituir o melhor dos argumentos para levar os seus leitores a admitir a existência do inconsciente, conceito mor da psicanálise.
No entanto, será que Freud disse tudo que poderia ser dito? Todavia, quantas outras coisas sabemos atualmente sobre o assunto, como saldo positivo, tanto da experiência analítica, quanto das ciências humanas, as cognitivas e as conjecturais?
Um século depois da iniciativa freudiana, os sonhos, o sonhar, a vida onírica e a arte da interpretação continuam tirando o sono dos interessados em questionar a realidade, considerando que ela é apenas diurna.
Em 1999, a efeméride convida para um balanço e um recenseamento da outra cena. A psicanálise teria bastante para discutir, mas nunca poderia ser a dona da questão. Pelo contrário, os sonhos são um território específico que - embora não autônomo - convoca todos os saberes competentes a se manifestarem, em função de um desafio que se mantém tão vivo agora, como sempre foi na noite dos tempos.




HIPERATIVIDADE
Introdução
O assunto que será abordado nessa pesquisa é hiperatividade, nesse caso HIPERATIVIDADE INFANTIL, uma assunto tão complexo “ A criança hiperativa representa um enorme desafio para pais e professores.[...]”. (GOLDESTEIN, 1998, p. 19).
O objetivo dessa pesquisa é a melhor compreensão sobre esse tema tão pouco comentado e até mesmo estudado; A partir disso se respondera perguntas comuns entre as pessoas que abordam este assunto como, por exemplo, como diagnosticar se uma criança é hiperativa? Como se trata uma criança hiperativa? Se hiperatividade tem cura?           
A hiperatividade é um tema extenso, mas interessante com esta pesquisa se irá afundo nesse tema, expondo da melhor maneira possível informações sobre este tão pouco conhecido.

O que é Hiperatividade?
Muitas vezes se ouve falar nesse assunto, mas será que se sabe o que realmente é hiperatividade. A definição mais completa do  que  seria hiperatividade é a atividade exagerada. No caso desta pesquisa irá se estudar a hiperatividade infantil.
A hiperatividade só é confirmada a partir de quando a criança começa a sua vida escolar, isso em média aos 05(cinco) anos de idade; Alguns fatores de desenvolvimento no início da infância como o bebê com dificuldades para dormir e para se acalmar, possam colocar essa criança no grupo de risco de ser uma criança hiperativa. “[...] Embora os profissionais não rotulem uma criança antes de ela ter no mínimo cinco anos [...]”(GOLDESTEIN, 1998,p.22.).
Como o diagnóstico da hiperatividade é difícil e complexo e não havendo um diagnóstico absoluto  à alguns pontos comuns que se pode observar:

·      Desatenção e agitação – uma criança hiperativa não consegue se concentrar em uma atividade. Na escola, por exemplo, sempre está atrasada comparada a seus colegas.

·      Superexcitação e atividade excessiva – as crianças hiperativas são muito agitadas e com isso suas emoções são excessivas.

·      Impulsidade – Crianças hiperativas muitas vezes não pensam antes de agir, resultando um comportamento inadequado.

·      Dificuldades com frustrações – não aceitam adiar recompensas.

Temos que destacar que as dificuldades de uma criança hiperativa são as mesmas de uma criança não-hiperativa, com um detalhe, que para a criança hiperativa essas dificuldades são exageradas.
Quais as causas da Hiperatividade?
Fatores ambientais(como lesões celebrais, epilepsia, certos medicamentos, regime alimentar, intoxicação por chumbo) e hereditariedade foram relacionados à hiperatividade.
Trauma durante o parto
Nas décadas de 1960 e 1970 acreditava-se que a hiperatividade na maioria das crianças se devia a lesões ocorridas durante o parto.
Mas após longos estudos, descobriram que os problemas durante o nascimento eram mínimos em relação a hiperatividade.
Distúrbios clínicos
Para se entender melhor está questão vejamos um exemplo: se uma criança está fortemente gripada, com nariz escorrendo, tosse, garganta inflamada e febre geralmente  é desatenta e distraída. Esta alteração de comportamento não quer dizer que essa criança é hiperativa.
Poucas doenças apresentam a hiperatividade como principal sintoma.
 Hereditariedade
A hereditariedade é a causa mais freqüente de hiperatividade. A primeira ligação  foi estabelecida pelo estudo do parentes de uma criança hiperativa, foi comprovado que uma criança hiperativa tem quatro vezes mais probabilidade de possuir parentes com o mesmo problema.
A criança Hiperativa na escola
A criança mesmo com esse problema, a maioria delas deve ser educada em ambientes de sala de aula normais, apenas 10% a 30% das crianças hiperativas passam por uma incapacidade específica de aprendizagem e devem receber alguma forma de educação especial.
Mas a que são educadas em escolas normais, para a obtenção de sucesso é necessário uma combinação de intervenção médica, cognitiva e de acompanhamento.
A criança Hiperativa em casa
A maioria dos pais fazem de conta que não sabem que seus filhos tem problemas, e no caso da hiperatividade não é diferente os pais após repetidas tentativas fracassadas no shopping, nas igreja, no grupo de escoteiros e mesmo nas atividades cotidianas na vizinhança, eles optam pelo isolamento e segregação como meio de evitar mais problemas. Não levando em conta que se essas crianças hiperativas não forem tratadas podem  destruir emocionalmente uma família.
Resumo
Hiperatividade é um assunto complexo e extenso; Ainda pouco estudado, mas está presente no dia a dia, mesmo sem que se perceba convive-se muitas vezes com pessoas hiperativas. Tem que se aprender como lhe dar com uma pessoa hiperativa, nesse caso uma criança hiperativa. Como uma das principais causas da hiperatividade é a hereditariedade tem que se preparar, pois esse problema poderá ocorrer em qualquer família; E a melhor maneira de evitar que um adolescente e um adulto não passe por problemas com a hiperatividade, é tratá-lo enquanto criança.
Palavras – chave: criança, família, hiperatividade, pessoas
Conclusão
Concluiu-se a partir desse trabalho que a “HIPERATIVIDADE“ mesmo por muitos, não levada a sério é um problema muito complexo e se não tratada na infância traz conseqüências drásticas  pelo resto da vida.Compreendeu-se melhor o que vem a ser a hiperatividade, nos aprofundamos em suas causas e conseqüências; Adquirimos conhecimentos sobre como lidar com essas crianças na escola e em casa.
Referências Bibliografiacas
GOLDESTEIN, Sam. Hiperatividade: Como desenvolver a capacidade de atenção da criança. 4 ed. Campinas: PAPIRUS,1998.
LIMA, Teófilo Lourenço de. Manual básico para elaboração de monografia. 3 ed. Canoas: ULBRA,1999.






HIPNOSE
Hipnose é um termo que provém do grego hypnos, que designa sono. Este termo foi introduzido em 1841 por James Braid, que observou o olhar fixo e a concentração do olhar enquanto um corpo permanece em repouso absoluto. Hipnose é um estado especial que se caracteriza pelo sono, mas que preserva os reflexos. A capacidade de hipnose de um indivíduo depende da capacidade que ele tem de se concentrar e não de quem hipnotiza. A hipnose, em algumas culturas, tem sentido religioso e tem como objetivo a unidade com Deus através do êxtase. Muitos pesquisadores realizaram pesquisas sobre a hipnose e as teorias são diferentes. 

Charcot defendia a idéia de que a hipnose só funcionava com histéricos, mas sua teoria deixaria implícito que noventa e cinco por cento dos indivíduos teriam este distúrbio. Na teoria da dissociação, os teóricos defendiam a idéia de que a hipnose promove uma separação entre mente, consciência e subconsciente. Para alguns psicanalistas, a hipnose é um tipo de processo particular, em que o indivíduo regride e que pode ser iniciado por uma privação senso motora ideativa, ou por uma relação arcaica com quem hipnotiza. Nesta teoria, a hipnose seria um aspecto de funcionamento do ego. Há uma teoria muito aceita que define a hipnose como um estado localizado entre o sono e a vigília, mas suas características fisiológicas são distintas de ambos os estados. A pessoa hipnotizada tem aspecto passivo, subserviente, automatizado e pode ser controlada pelo hipnotizador.
 
Outra característica muito aceita era a que entendia a hipnose como um estado de hipersugestividade, que poderia ser aproveitado para a extinção de reflexos patológicos e o estabelecimento de condicionamentos terapêuticos normais. O estado hipnótico pode ser induzido por vários métodos. Os hipnotizadores de palco utilizam-se da surpresa causada por um desequilíbrio emocional momentâneo. Nos métodos racionais o hipnotizador e o hipnotizado têm um objetivo comum e determinado. A hipnose, ainda, é muito utilizada hoje em dia e muitas vezes no campo médico e odontológico, além de outras especialidades que utilizam este método como auxílio diagnóstico ou terapêutico e a principal indicação é para a medicina psicossomática.


 

HISTERIA

A histeria foi o que levou Freud a descobrir o inconsciente e a postular a psicanálise. Ele começou a observar que os sintomas físicos não possuíam causa orgânica. A histeria é causada pela recusa do desejo sexual que é tipicamente reprimido e se manifesta em forma de ansiedades e traumas. Há psicanalistas que acrescentam que a histeria não se refere apenas aos desejos sexuais, mas a outros tipos de desejo ou situações traumáticas. A cura da histeria só acontece quando o paciente, através da associação livre, chega a uma cena traumática, causadora do sintoma. É fundamental esclarecer que a cena pode não acontecer necessariamente, e pode ter sido uma criação do paciente, a partir de desejos “proibidos”. A cena, real ou não, provoca uma ansiedade muito grande e a pessoa esquece-a automaticamente, e somatiza. 

Os sintomas aparecem como que para impedir o movimento para o desejo. É muito importante saber que a histeria não é proposital e nem uma “frescura”, como pode parecer. A histeria é uma classe de neuroses que apresenta quadros clínicos muito variados. Freud considerou a histeria como uma doença psíquica bem definida e que, portanto, exige uma etiologia específica. Freud nominou diferentes tipos de histeria. A histeria de angústia apresenta sintomas fóbicos que podem ser observados na neurose obsessiva e na esquizofrenia. 

A libido é libertada sob forma de angústia e a formação dos sintomas fóbicos tem sua origem num trabalho psíquico que tem como objetivo ligar a angústia que se tornou livre outra vez, ao psiquismo. Existem ainda a histeria de conversão, que se caracteriza pela predominância de sintomas de conversão; a histeria de defesa, especificada por uma atividade de defesa que o indivíduo desenvolve para evitar representações que causem afetos desagradáveis (ver amnésia); a histeria hipnóide, que segundo Freud e Breuer teria origem nos estados hipnóides, todas as vezes que a pessoa não consegue aceitar os conteúdos inconscientes revelados por esta técnica; a histeria de retenção, quando a natureza do trauma esbarra em condições sociais ou individuais que impedem a ab-reação; a histeria traumática, que foi descrita por Charcot como sintomas somáticos designados para um traumatismo físico, que, naquela época, era caracterizado pelas paralisias.


 

HISTÓRICO ESQUIZOFRENIA - PART. 1
História da Esquizofrenia

O primeiro a utilizar o termo esquizofrenia foi o psiquiatra suiço, Eugen Bleuler em 1911, sobre os pacientes que tinham as características de desligados de seus processos de pensamentos e respostas emotivas.
Equivocadamente atribui-se a esquizofrenia à cisão de personalidade, dissociação em personalidades, o que não é correto.
Ser portador de esquizofrênica não significa ter dupla personalidade.
O termo se adequa para descrever um quadro de sintomas típicos, incluindo enganos, alucinações, desordem de pensamentos e ausência de respostas emotivas, aliadas à fatores genéticos e tensões ambientais.
O efeito desta doença é devastador do aspecto humano no que concerne ao pensamento, emoção e expressão. Não existe vislumbre de cura, porém, com o tratamento adequado, pode reduzir significativamente os sintomas e as reincidências de surtos em mais de 50%. Novas drogas parecem estar melhorando este índice. O tratamento prévio da esquizofrenia, durante os primeiros sintomas, pode aumentar os índices de remissão de 50% para 80 a 85 %.
O início da esquizofrenia pode ser repentino ou gradual, sendo que no primeiro o prognóstico é levemente menor, regredindo em 1/3 dos pacientes. Nos outros pacientes a doença segue seu curso numa flutuação entre altos surtos psicóticos, seguidos de remissão.
Nas mulheres as chances de um resultado positivo de tratamento são maiores, atribuindo-se isto aos efeitos de estrogênio no cérebro.
Freqüentemente a memória é prejudicada depois de 5 a 10 anos de deterioração após o que a doença tende a se estabilizar e a melhora pode ocorrer. Os estudos indicam que após a idade de 20 ou 30 anos, 50% dos pacientes esquizofrênicos são capazes de seus próprios cuidados pessoais, trabalhar e participar socialmente, existindo serviços de apoio, contribuindo para a melhora dos resultados.
Os portadores de esquizofrenia sofrem na ausência de cuidados especiais. Têm dificuldades para trabalhos e seus relacionamentos são prejudicados e difíceis, mesmo com a melhora dos sintomas. Apesar do comportamento do esquizofrênico demonstrar ser assustador, as pessoas com esquizofrenia não são mais violentas do que as pessoas normais; pelo contrário, são mais capazes de abster-se das violências. Calcula-se porém que cerca de 15% dos portadores dos sintomas de esquizofrenia podem cometer suicídio; o risco pode aumentar em pacientes mais jovens e desiludidos.
Em pacientes com histórias de outras doenças pode ser difícil o diagnóstico para os sintomas da esquizofrenia, sendo estes sintomas mascarados pelos outros, não recebendo portanto a atenção médica e a devida medicação.
Alguns estudos demonstram que um grande número de pessoas com esquizofrenia possui histórias de abuso de álcool, aumentando seus efeitos com as drogas antipsicóticas utilizadas nos tratamentos dos pacientes, além dos efeitos adversos.
Uma das razões que podem explicar o hábito de fumar dos esquizofrênicos é o fator genético P50 encontrado nos receptores cerebrais que se ligam à nicotina, sendo uma espécie de auto-medicação que reduz os sintomas psicóticos, os quais comprovadamente podem aumentar com a retirada deste hábito.
Novos estudos indicam que a fumaça do cigarro inibe a atividade de uma proteína denominada de moaminaoxidase B (MAO-B). Com o bloqueio desta proteína decorrente da ingestão dos gases emitidos pela fumaça dos cigarros, aumenta no cérebro a produção de um composto feniletilamina (FEA) que é ligado a relação Mania-Tensão e Hiperatividade (embora sem agressão).
A esquizofrenia causa danos não somente aos seus portadores mas também à sociedade em si. Calcula-se que nos E.U.A. seis bilhões de dólares foram destinados aos cuidados com a saúde e com o sistema judiciário para lidar com doentes esquizofrênicos, além da produtividade perdida no trabalho e cuidados dos pacientes por seus familiares em seus lares.
Antigamente a esquizofrenia era tratada a longo prazo com internação em hospitais mentais. Após o início da utilização de drogas antipsicóticas nos meados dos anos 1950 e 1960 e a pressão política econômica de redução de custos, coincidiram com a esperança de que estas drogas seriam mais eficientes. Em 1970, milhares de pacientes foram libertos das instituições para a comunidade. A maioria das famílias foram orientadas para receber seus doentes e a incidência de esquizofrênicos em seus lares aumentou. Apesar da tentativa de reduzir os gastos com estes pacientes mentais nos hospitais, 40% dos pacientes ainda requer tratamento com hospitalização a longo prazo e mais da metade dos pacientes necessitam de auxílio público pelo menos durante um ano antes de reingressar na comunidade.


Os sintomas
Os sintomas de esquizofrenia surgem de vários processos físicos e responde diferentemente aos tratamentos. Alguns especialistas classificam-no em dois grupos: sintomas negativos e sintomas positivos.
Sintomas negativos (de sociabilidade baixa), são provavelmente devido à perda de células nervosas resultando numa capacidade diminuta de funcionamento.
Sintomas positivos (alucinações e enganos) ou dano cognitivo (pensamento desordenado).
Estes sintomas se sobrepõem, interagem um com o outro e podem corromper a categoria.
Um paciente pode ter mais de um sintoma, mas raramente um paciente possui todos os sintomas.

Sintomas negativos
Os sintomas negativos freqüentemente ocorrem cedo no processo da doença e vêm a ser menosprezados. Estes sintomas freqüentemente são insuficientes para motivar um tratamento. Os sintomas negativos podem co-existir com os sintomas positivos e tipicamente persistem após serem tratados os sintomas positivos.
Eles refletem a diminuição da auto-estima, falta de emoções, entonações de voz e perda geral do interesse pela vida. Os pacientes com sintomas negativos podem também exibir reações emotivamente impróprias, condição imprópria dos afetos (rir histéricamente de um triste acontecimento) aparecendo cedo na vida deste paciente. Foram observados em alguns dos pacientes que desenvolveram posteriormente a esquizofrenia, a falta de responsabilidade e pobreza social na sua infância. Em outros, os sintomas negativos entretanto não apareceram até depois do desenvolvimento dos sintomas positivos. Os sintomas negativos tendem a ser mais comuns em pacientes mais velhos do que nos mais jovens.

Sintomas psicóticos
Acontecimentos psicóticos - particularmente enganos e alucinações - são os mais amplos sinais reconhecidos de esquizofrenia. As alucinações podem tomar a forma de ver e ouvir coisas que não existem. As alucinações de audição, que são os falsos sentidos de sons, tal como ouvir vozes, são os sintomas mais comuns. Os enganos são crença fixamente falsas, estes podem ser esquisitos (estrangeiros invisíveis entraram num lugar por um suporte elétrico) ou bizarro (ciúme infundado, ou crença paranóica de perseguição ou de ser observado). Os sintomas psicóticos ocorrem normalmente em homens entre as idades dos 17 aos 30 anos e em mulheres entre 20 e 40 anos. A maioria dos pacientes entretanto, exibe alguma evidência de esquizofrenia antes do primeiro episódio psicótico. Depois deste acontecimento inicial, a ocorrência destes sintomas psicóticos ocorre esporadicamente e é intercalado por períodos de remissão.

O dano cognitivo
Os sintomas de danos cognitivos incluem a falta de atenção, desordem de pensamento, processamento de informações e aberrante associação entre palavras e frases. Por vezes a descontinuidade entre as idéias pode ser tão extrema que o discurso do paciente pode tornar-se incoerente, tal qual uma "salada de palavras". Ocasionalmente os pacientes ligam as palavras mais por semelhança de sons, do que por significados (associações de sons - tinir- soar). A capacidade abstrata de pensamento também pode ser prejudicada. Estudos mostraram que apesar deste vocabulário, capacidades especiais, tais como leituras de mapas, não foram prejudicadas. Danos cognitivos podem ocorrer ao longo do desenvolvimento de outros sintomas, com por exemplo as alucinações que podem aparecer esporadicamente.
Quem pode ser portador de esquizofrenia?
A esquizofrenia é uma condição psicótica bem comum, afeta aproximadamente 1% da população da terra, mais de 2,7 milhões de pessoas na América.

A inteligência
O gênio não é dispensado; é uma faixa de vítimas da esquizofrenia, possuindo pleno alcance da inteligência. Novas pesquisas sugerem entretanto que declínios significativos em QI na infância podem predizer sintomas psicóticos em adultos.

Fatores Geográficos Culturais
Não há grupo cultural imune, embora o curso da doença pareça ser mais severo em países em desenvolvimento. De acordo com um estudo encontrou-se a porcentagem de 20% para sintomas positivos contra 80% para sintomas negativos em pacientes que viveram em três cidades culturalmente diferentes (Tóquio, Viena e Tubinger, Alemanha). Variou entretanto o conteúdo. Na Europa, os pacientes eram mais capazes de enganos (sintomas) com envenenamento ou culpa religiosa, enquanto que no Japão estes eram ligados aos difamados ou caluniados.

Fatores Sócio-econômicos
A doença ocorre freqüentemente tanto em pessoas divorciadas, solteiras, bem como em casados e viúvos. Sua possibilidade se encontra nos grupos sócio econômicos mais baixos. Essas duas últimas estatísticas entretanto, possibilitam refletir os efeitos que alienam esta doença antes de estabelecer qualquer relacionamento causal ou fator de risco associado com a pobreza.
*Observação pessoal (Lazir) - E isto pode parecer óbvio em meus estudos, claro está que os esquizofrênicos encontrados com sintomas positivos pertencem à classe economicamente mais baixa, visto serem abandonados por falta de recursos e quando muito levados a instituições por falta de meios econômicos por parte da família. Entretanto, se o portador da esquizofrenia for de classe média alta e/ou de família esclarecida pouca oportunidade terá de fazer parte da estatística e grupo de estudos para pesquisa, visto ser tratado e cuidado adequadamente com conforto e medicação necessária sem surtos e recidivas constantes da doença.

A idade e sexo
A Esquizofrenia normalmente aparece por ocasião da adolescência ou com atraso no adulto. As crianças que posteriormente desenvolvem a esquizofrenia, freqüentemente sofrem de problemas de conduta e timidez excessiva; problemas físicos, menor controle-motor (locomoção motora) que podem ser desprezados pelos pais. Por vezes a esquizofrenia pode ser evidente nas crianças; em tais casos é possível ser de desenvolvimento severo. A esquizofrenia paranóide, em particular, pode ser mais comum no sexo masculino. Os pacientes paranóicos normalmente tem uma história de desenvolvimento normal e uma íntegra personalidade. Os homens tendem a desenvolver a esquizofrenia entre as idades de 15 e 24 anos. Nas mulheres, desenvolvem mais levemente e normalmente mais tarde, entre os 25 e 34 anos e os sintomas podem ser menos severos. Embora o risco de declínios da esquizofrenia com a idade, alguns peritos acreditam que há uma incidência de pico ao redor dos 45 anos e outro, principalmente nas mulheres, por volta dos 60 anos.

Risco herdado (herança genética)
A esquizofrenia indubitavelmente tem um componente genético e novos estudos continuam a oferecer apoio para esta idéia. De acordo com estudos, os indivíduos com predisposição familiar à esquizofrenia possui várias anormalidades estruturais no cérebro, incluindo tamanho reduzido e ventrículos aumentados, comuns em pacientes com esquizofrenia; entretanto a hereditariedade não explica todos os casos da doença. O fator de risco para herança esquizofrênica é de 10% para aqueles que têm um membro familiar direto com a doença e de aproximadamente 40% se a doença afeta ambos os pais ou gêmeos idênticos. Aproximadamente 60% dos portadores de esquizofrenia possuem parentes não próximos com a doença. O distúrbio de vestígios no olhar é uma das características genéticas que parece ser associada com a esquizofrenia. Os pesquisadores argumentam se estas duas condições são geneticamente ligadas ou se a desordem no olho é simplesmente um sintoma físico da esquizofrenia.

Complicações de parto
Os estudos indicam que indivíduos com esquizofrenia têm uma incidência maior com os problemas que cercam o nascimento, parecendo que as complicações de trabalho de parto aumentam o seu risco. Observando-se que um período curto de gestação e peso baixo no récem-nascido podem estar associados com o princípio da esquizofrenia no adulto, neste mesmo estudo verificou-se que coincidentemente, na ocorrência de 2 para 1, mães de esquizofrênicos informaram ter estado deprimidas ou relataram algum episódio de depressão durante sua gravidez. Os pesquisadores sugerem que o risco para esquizofrenia ocorre se o feto em desenvolvimento ou o récem nascido é privado de oxigênio. Grávidas que sofreram fome ou deficiência de nutrição (menos que 1000 calorias diárias) durante o primeiro trimestre de gravidez, têm o risco aumentado de ter uma criança que pode vir a desenvolver esquizofrenia. Um dos estudos sugere que algumas pessoas podem desenvolver esquizofrenia se ocorrer anormalidades durante a vida fetal em pontos críticos de desenvolvimento do cérebro, entre a 34a. e 35a. semana de gestação bem como no estudo de bebês, verificou-se uma incidência de risco aumentado para aqueles não alimentados pelo peito materno.

Os nascimentos de inverno
Muitos estudos demonstraram que aproximadamente 8% das pessoas com esquizofrenia, tiveram seus nascimentos no inverno.

O que pode confirmar um diagnóstico de Esquizofrenia?
Um único sintoma não é específico da Esquizofrenia. Um diagnóstico depende de uma crise ser ativada e ter sua duração de pelo menos um mês aproximadamente, consistindo de dois sintomas característicos (ex.: alucinações, enganos, pensamentos desorganizados, irresponsividade emotiva, tonalidade da fala). O diagnóstico também pode ser feito na base de um único sintoma se o paciente possui enganos ou alucinações particularmente esquisitas. Fazer um diagnóstico na ausência de altas atividades sintomáticas, incluem outros sintomas tais como, retirada social marcante, comportamento peculiar (conversar sozinho, grande índice de superstição), fala incoerente e vaga ou outras indicações de pensamentos perturbados, que devem estar presentes pelo menos durante seis meses. Para o diagnóstico, os relacionamentos sociais pessoais do paciente também devem estar deteriorados desde o início dos sintomas. Outras condições médicas, incluindo desordem bipolar, devem ser naturalmente excluídas do diagnóstico.
Inúmeras técnicas de mapeamento cerebral estão se tornando-se úteis para detectar ou determinar se partes do cérebro podem estar deterioradas ou se estas estruturas anormais se relacionam à interligação de sintomas específicos. A utilidade de cada uma destas técnicas varia de acordo com a evolução tecnológica, quantidade de radiação utilizada, clareza de imagem e visão da área cerebral. A utilização de Ressonância Magnética tornou-se uma ferramenta particularmente valiosa para revelar partes do cérebro inacessíveis a outras diferentes perspectivas. Outras novas técnicas de mapeamento são a tomografia computadorizada que pode proporcionar as informações de fluxo sanguíneo e metabolismo cerebral. No exterior pode-se encontrar outros recursos técnicos de mapeamento cerebral: Tomografia por emissão de Fótons (SPECT) e Tomografia por emissão de Pósitrons (ACARICEIA), que podem proporcionar maior eficiência de informações do fluxo sanguíneo e metabolismo cerebral.
Um novo método telefônico, utilizando sistema computadorizado está sendo desenvolvido para desordens cerebrais mentais incluindo a esquizofrenia, levando aproximadamente oito minutos para completar e produzir resultados claros e exatos. Esta simples chamada telefônica poderia ajudar as pessoas que procuram aconselhamento médico antes da existência de um problema evidente.

Quais outras condições assemelham-se a Esquizofrenia?
Outras séries de sinais comuns de esquizofrenia são também os sintomas que podem ocorrer em outros estados psicológicos e condições médicas, incluindo enganos, alucinações, fala desorganizada incoerente, tom plano de voz, comportamento esquisitamente desorganizado e catatônico (ausência de fala, rigidez muscular e irresponsividade).
Mais de 70 condições sintomáticas podem conter desordens típicas da esquizofrenia (equívocos, enganos), tais como depressão e mania (bipolar). Tais sintomas focalizam uma anormalidade física ou uma doença somática, às vezes presentes em pessoas com depressão. Os enganos ou manias de grandeza - a crença de que tem um poder especial ou uma missão - pode ocorrer nas pessoas com mania; estas pessoas podem também tornar-se paranóicas.
Há uma incidência de psicoses esquizofrênicas comuns que não constituem critério para diagnosticar esquizofrenia e podem ser variações de doenças inteiramente diferentes. Sabe-se que estas variações são classificadas como desordens esquizoafetivas, psicoses esquizofreniformes atípicas e esquizofrenia reativa breve. Na desordem esquizoafetiva, por exemplo, as pessoas têm episódios psicóticos entre o período pleno de mania e o período deprimido.
O álcool e o abuso de drogas ou sua retirada também podem ocasionar psicoses. e pelo risco alto de abuso dessas substâncias em pessoas com esquizofrenia é necessário que o profissional de saúde saiba distinguir entre o gatilho de psicoses por drogas ou álcool do episódio esquizofrênico. Normalmente o diagnóstico é confirmado com o final da psicose depois da retirada do álcool ou drogas e pelo retorno dos pacientes ao álcool ou abuso dessas substâncias.
Outras causas de sintomas psicóticos são o câncer no sistema nervoso central, encefalite, neurosífilis, desordens de tireóide, doenças de Alzheimer, confiscações parciais complexas, doença de Huntington, esclerose múltipla, traumatismos, doença de Wilson, deficiência de vitamina B e lúpus eritematoso sistêmico.
Muitas medicações provocam leves efeitos semelhantes ao de psicose severa e podem vir a precipitar enganos e sérias confusões. Tais sintomas provenientes destas medicações, são mais freqüentes em pacientes idosos.

O que causa a Esquizofrenia?
Não há uma única causa para explicar todos os casos de esquizofrenia. Contrariamente à crença popular, as pessoas com esquizofrenia não são vítimas de sua origem pobre ou de fatores ambientais; a maioria é vítima de erros no desenvolvimento do cérebro surgidos geneticamente. As pesquisas mais recentes estão encontrando tais anormalidades no feto em desenvolvimento e não após o nascimento.

A estrutura cerebral e anormalidades químicas.
Os pesquisadores estão tentando achar uma única terapia que possa integrar um número de resultados nas anormalidades químicas estruturais no cérebro dos esquizofrênicos.

As anormalidades no formato e nas atividades cerebrais.
Em alguns pacientes, as técnicas de mapeamento por imagens revelaram menor atividade cerebral no córtex pré-frontal e em alguns casos perdas reais de tecido, particularmente nas amígdalas - hipocampo, no lado esquerdo do cérebro. O córtex pré-frontal do cérebro afeta a memória, razão, agressividade e fala significativa; a atividade reduzida nesta área pode causar sintomas negativos. A área diminuída dos lóbos temporais do cérebro (localizada perto das orelhas) e áreas límbicas (localizada no fundo do cérebro) que são relacionadas às emoções, parecem estar ligadas aos sintomas positivos, tais como ouvir vozes. A Ressonância Magnética (MRI) pode esquadrinhar o cérebro e revelar alguns casos de sulcos cerebrais aumentados, denominados pellucidi de septi de cavum (CSP), entre os ventrículos laterais que são duas estruturas que contêm o líquido cérebroespinhal. Durante o desenvolvimento no ventre, o CSP se inicia com uma única camada e se fende em duas antes do nascimento, voltando a se fechar após o nascimento, durante o desenvolvimento do bebê. Em algumas pessoas com esquizofrenia entretanto, a etapa final é incompleta e o CSP é aumentado. Um estudo achou um volume alto de sangue no cérebro de pessoas com esquizofrenia sugerindo anormalidades de irrigação. Importante notar que estas anormalidades cerebrais não foram encontradas consistentemente em todos os pacientes com esquizofrenia, encontrando-se anormalidades estruturais semelhantes em pessoas que não tinham nenhuma indicação da doença.

As anormalidades de circuitos cerebrais
Um interesse particular se concentra na pesquisa do circuito cerebral, que filtra as informações que entram no cérebro e envia as informações relevantes para outra partes executarem determinada ação. Um defeito nesse circuito pode resultar no bombardeio das informações não filtradas o que pode ocasionar sintomas tanto negativos como positivos. Oprimido por dados desorganizados, os sintomas positivos ocorrem e a mente incorre em erros de percepção e alucina, tira conclusões incorretas e torna-se desiludida, realizando escolhas ímpares de sentimentos e de comportamentos. Para compensar estes sintomas a mente então se retrai, ocorrendo alternativamente os sintomas negativos.

Químicas anormais no cérebro.
Alguns especialistas acreditam que a esquizofrenia se origina de uma desordem rara nos neurotransmissores (mensageiros químicos entre as células e o sistema nervoso). Um possível elo entre as anormalidades cerebrais e o desenvolvimento da esquizofrenia envolve o transporte de dopamina pelo neurotransmissor. A dopamina foi investigada por muitos anos, observando-se a principio que certas drogas que reduzem a ação de dopamina no cérebro também reduzem os sintomas psicóticos. Por outro lado, drogas que aumentam a atividade da dopamina aumentam estes sintomas ou agravam a esquizofrenia. Esta pesquisa foi centralizada em receptores (moléculas nas células que se unem a outras moléculas) de dopamina, particularmente D1 (dopamina) e D2. Os estudos de imagem mostrou uma hiperatividade da dopamina nas partes do cérebro onde parecem se localizar os sintomas psicóticos. Em esquizofrênicos, o lado esquerdo do cérebro tende a ter concentrações mais altas de dopamina que o direito, o que provavelmente, não é devido a uma superprodução de dopamina mas a um aumento dos receptores químicos que atraem e fixam a dopamina em partes do cérebro que foram deterioradas. A pesquisa revelou também baixa atividade de receptores de dopamina, D1, ocorrendo no córtex pré-frontal do cérebro, o que pode ser relacionado a sintomas negativos. Atualmente, os especialistas sugeriram que um equilíbrio anormal de dopamina, e não só a hiperatividade, são gatilhos para a síndrome da esquizofrenia e outros transmissores e químicas do cérebro continuam sendo objeto de estudos, tais como os níveis baixos de amino ácido glicídio encontrado nos cérebros de pessoas com esquizofrenia, dirige-se a pesquisa aos possíveis mecanismos e tratamentos relacionados a esta substância. Novos estudos indicam que os pacientes tendem a ter anormalidades proteicas no efeito reparador estrutural em função das células nervosas; duas destas proteínas que estão sendo investigadas são a ESTALO-25 e alfa-fodrin.




HISTÓRICO ESQUIZOFRENIA - PART. 2

Fatores Genéticos
Os cientistas estão próximos de encontrar a localização genética da esquizofrenia, que acredita-se estar no cromossoma 13 dos humanos e possivelmente no 8. Uma hipótese comum a um número de doenças neurológicas é que um gene defeituoso é a causa de células saudáveis no organismo humanos estarem suscetíveis a atacar o próprio sistema imunológico uma condição chamada auto imunologia. Na esquizofrenia, estes incluem as células nervosas do cérebro. Num estudo em mães de pacientes esquizofrênicos foram encontradas uma incidência alta do HLA-B44 neste tipo de gene. Genes semelhantes são encontrados em outras doenças auto imunes que predispõem o sistema imune a atacar as próprias células e tecidos quando um vírus a invade.

Os vírus
A hipótese virótica para a causa desta doença se baseia principalmente em evidências circunstanciais: o alto índice de nascimentos no inverno entre as pessoas com esquizofrenia; alto índice da doença nas áreas suburbanas das cidades, e uma incidência mais alta de esquizofrenia nas populações que tiveram epidemias de gripe. Por exemplo, um estudo na Finlândia mostrou um alto índice de esquizofrenia nas pessoas cujas mães estavam no segundo trimestre de gravidez durante uma epidemia importante de gripe há vinte anos atrás. Alguns pesquisadores postularam que se uma mulher grávida suscetivelmente genética tiver uma gripe no segundo trimestre de gravidez quando as células cerebrais do feto se encontram em desenvolvimento, o seu sistema imunológico reage à invasão do vírus atacando também estas células vulneráveis do cérebro. Recentemente, o vírus da doença de Borna, que dispara uma desordem neurológica em animais, foi encontrado no sangue de um paciente esquizofrênico. Ainda há necessidade de pesquisas extensas a serem realizadas antes que uma conexão real entre vírus e o princípio da esquizofrenia possa ser feita.

Os fatores Psicológicos
Embora fatores genéticos neurológicos quase certamente sejam os fatores mais importantes nas desordens da esquizofrenia, seria irresponsável ignorar e dizer que estão fora de cogitação as pressões e influências que podem exacerbar ou servir de gatilho para os sintomas inerentes a esta doença. O cérebro é um sistema complexo de apreensão, que além de responder a mecanismos físicos internos também responde a estímulos do mundo. A pesquisa demonstrou que os lóbos pré-frontais do cérebro freqüentemente são afetados nos pacientes com esquizofrenia sendo extremamente responsivo a tensões de ambiente. Pelo fato dos sintomas negativos do esquizofrênico serem naturalmente extraídos do círculo de sofrimento familiar, é seguro supor que a sua realimentação negativa intensifica o estado neurológico já vulnerável servindo-lhe regularmente de gatilho e exacerbando a existência dos sintomas.


Quais são as diretrizes gerais para se tratar a Esquizofrenia?
O Instituto Nacional de Saúde Mental e a Agência de Seguros de Pesquisa e Saúde organizaram suas recomendações para tratamento em sete categorias: (1) medicações com anti-psicóticos; (2) medicações adicionais para depressão, ansiedade ou hostilidade; (3) terapia com eletroconvulsivos; (4) tratamentos psicológicos; (5) intervenções familiares; (6) reabilitação vocacional; (7) tratamento intensivo comunitário. Precocemente captada, a esquizofrenia tem melhores resultados em seu tratamento. Os estudos indicam que pacientes que recebem drogas antipsicóticas e outros tratamentos durante os seus primeiros episódios e os cinco anos seguintes a estes, são freqüentemente menos hospitalizados e requerem menos tempo para controlar plenamente os sintomas, desde que procurem ajuda rapidamente. Um estudo comprovou que a intervenção de controle prévio da esquizofrenia, reduziu o diagnóstico de surtos. Entretanto os pacientes suportam uma média de 10 meses com sintomas sérios antes de receber tratamento e a pesquisa indica que mais da metade dos indivíduos com esquizofrenia recebe cuidados inadequados. Particularmente, Afro americanos são menos passíveis de receber bom tratamento.


O que é o tratamento com droga para a esquizofrenia?
Antipsicótico típico (ou neuroléptico), Drogas.
As drogas típicas antipsicóticas foram até bem recentemente o principal tratamento para esquizofrenia. Bloqueiam os receptores de dopamina, neurotransmissores que julga-se ter influência nos sintomas psicóticos. Estes medicamentos também são referidos como drogas neurolépticas porque podem causar efeitos neurológicos paralelos. A primeira droga deste tipo utilizada para tratar esquizofrenia foi a clorpromazina (Amplictil). Muitas outras drogas antipsicóticas estão agora disponíveis, a mais popular é o haloperidol (Haldol). Incluindo entre outras perfenazina (Trilafon - não encontrei no Vade-mécum - Brasil), tioridazina (Melleril), mezoridazina (Serentil - não encontrei no Vade-mécum - Brasil), trifluoperazina (Stelazine) e flufenazina (Anatensol Depot). Os estudos não mostraram quaisquer diferenças significativas de benefícios entre estas drogas; seu impacto benéfico é maior em sintomas psicóticos, particularmente nas alucinações e enganos (equívocos) nas etapas iniciais e intermediárias das desordens mentais. Drogas típicas antipsicóticas não são muito bem sucedidas na redução dos sintomas negativos, embora as pessoas freqüentemente demonstrem um menor isolamento e apatia em virtude da redução dos episódios psicóticos. De um terço a um quinto dos pacientes com esquizofrenia, não respondem adequadamente ao tratamento com drogas. Um estudo importante informou que somente um terço dos pacientes recebem dosagem corretas.
Nota (Lazir): Em parecendo ser a doença escalonada em níveis diferenciados, normalmente a dosagem deve obedecer a critérios peculiares, obtidos somente após tentativas de erros e acertos, exemplificando: Começar com dosagem de média para baixa e caso necessário ir aumentando ou reduzindo conforme a tolerância e resposta particular do paciente.


Tratamento de fase aguda ou inicial
Para uma fase ativa grave de esquizofrenia, utilizam-se drogas injetáveis de antipsicóticos, a cada quatro e oito horas até que o paciente se tranqüilize. Se possível, entretanto, por prescrição médica, administrar a droga oralmente ou pelo menos retornar à droga oral tão logo possível. Geralmente doses mais elevadas são utilizadas para tratar episódios agudos e doses menores durantes os períodos de remissão da doença. Em pacientes que não responderem ao haloperidol dentro de três semanas, estimular a dosagem parece não ser eficiente e pode ser mais produtivo. Um estudo indica que para pacientes com um primeiro episódio, a utilização de doses abaixo das normais pode ser eficiente e oferecem menor risco de efeitos colaterais. Em pacientes tratados inicialmente, a melhora dos sintomas psicóticos pode ser evidente dentro de um ou dois dias de tratamento, embora o pleno benefício da droga desenvolva-se somente após aproximadamente de seis a oito semanas. Acredita-se que os distúrbios diminuam-se gradualmente.

As recaídas e a manutenção
Para reduzir os riscos de recaída, muitos médicos recomendam ministrar as drogas antipsicóticas diariamente pelo menos por um ano. Aproximadamente 75% dos pacientes têm recaídas dentro de dois anos após retirada da medicação. Se dois ou mais episódios ocorrerem, alguns especialistas recomendam um tratamento de manutenção de pelo menos cinco anos, alguns possivelmente por tempo indefinido. Até 75% dos pacientes, entretanto, podem parar com as drogas antipsicóticas dentro de dois anos. A conformidade do prosseguimento de um regime de manutenção se deve a inúmeras razões: efeitos colaterais que podem estar debilitando o paciente; a vida do paciente esquizofrênico é normalmente instável; e muitas pessoas são relutantes em aceitar o conceito de tratamento longo. A fim de evitar os efeitos colaterais, conforme o paciente, os médicos tentam manter as dosagens o mais baixas possíveis. Os efeitos da droga devem ser cuidadosa e estritamente controlados pelo médico. A eficácia varia de indivíduo para indivíduo, avaliações, julgamentos e adaptações podem ser necessárias quando prescrever as dosagens, de modo que os benefícios do tratamento excedam ao efeitos colaterais da terapia. A terapia de depósito (tipos de neuroléptico, normalmente Haldol ou Anatensol, são ministradas com injeções mensais) teve êxito em sua utilização em pacientes que têm dificuldade em se submeter ao regime oral diário. Na Europa, o critério injetável reduziu o índice das recaídas dos sintomas em mais de 50%. Alguns especialistas recomendam esta terapia de depósito em pacientes que têm reduzida capacidade de tolerância. Uma desvantagem desta terapia são os efeitos colaterais, que, se ocorrerem, são prolongados.


Efeitos colaterais dos Neurolépticos
Os neurololépticos pode ter efeitos colaterais adversos em muitos órgãos e sistemas do corpo. A insônia e letargia comumente ocorrem no início da terapia, mas normalmente diminuem depois de algum tempo. Outros efeitos colaterais são a boca seca, problemas oculares, reações alérgicas, aumento de peso e irregularidades menstrual nas mulheres. Uma disfunção sexual pode ser resultante do tratamento e é uma das razões para a não concordância na utilização da droga por parte do paciente, embora a amantadina ( Mantidan - antiparkinsoniano) possa ajudar e compensar os efeitos colaterais. Um efeito colateral muito mais sério, entretanto raro, é a síndrome maligna do neuroléptico, onde ocorrem altas temperaturas corporais. A inobservância deste efeito colateral pode ser fatal em 20% dos pacientes que o desenvolvem. As vezes os efeitos sintomáticos devido as drogas assemelham-se aos sintomas de esquizofrenia, tais como agitação, fala lenta e movimento retardado e então o médico, equivocadamente, pode ser tentado a aumentar a dosagem.
Os efeitos colaterais mais comuns e perturbadores das drogas antipsicóticas típicas são os sintomas extrapiramidais, que envolvem os nervos e músculos que controlam a coordenação motora e os movimentos em geral. As mulheres possuem riscos mais altos para estes sintomas e esses riscos são aumentados no decorrer da terapia e da idade. Assim sendo, estas drogas denominadas de potência alta (haloperidol e flufenazina) causam menor sedação e distúrbios de pressão sanguínea, entretanto possuem maior risco para os efeitos colaterais extrapiramidais; drogas de baixa potência (clorpromazina, tioridazina, respectivamente Amplicitil e Melleril) são mais sedativas; entretanto, seus efeitos colaterais não são agudos. A maioria das drogas neurolépticas causam efeitos colaterais extrapiramidais em até 70% dos pacientes que fazem uso desta medicação. Uma condição distônica aguda pode se desenvolver durante um curto período após o uso de antipsicóticos. Esta síndrome inclui espasmos musculares anormais, contorsões particularmente no apoio do pescoço, tronco, mandíbula e músculos do olho. O efeito mais sério ocasionado pelo uso das drogas antipsicóticas é a discenesia tardia, que é freqüentemente manifesta por movimentos repetitivos e involuntários, ou tiques, na boca, lábios, pernas, braços ou tronco. Os sintomas variam de suaves a graves, e às vezes interfere no ato de comer e andar. Podendo aparecer meses ou anos seguidos após tomar as drogas, podendo persistir por meses e anos após a sua retirada. Alguns casos de discenesia tardia podem ser permanentes embora possam entrar em remissão ou desaparecer por completo.

O tratamento dos efeitos colaterais extrapiramidais
Em geral, os efeitos colaterais extrapiramidais decorrentes das drogas neurolépticas são tratados de início, pelo médico, reduzindo a dosagem ou receitando um interruptor, droga atípica. Os efeitos extrapiramidais podem realmente assemelhar-se aos da doença de Parkinson (ocasionado por baixos níveis de dopamina), e então o médico pode prescrever drogas anticolinérgica e anti-parkinsoniana que aumentam os níveis de dopamina, ajudando a restaurar o equilíbrio. Entre os anticolinérgicos mais comuns utilizados, são o cloridrato de triexifenidila 2 ou 5 mg (Artane, Triexidyl), cloridrato de de biperideno 2 e 4 mg ampola com solução injetável, 1ml contendo lactato de biperideno 5m IM ou IV (Cinetol, Akineton) e benzotropina (não encontrei nome comercial desta droga no Vade-mécun, entretanto adicionei o cloridrato de biperideno - Akineton, comumente utilizado no Brasil). Algumas destas drogas também podem ser úteis quando administradas a sintomas negativos da esquizofrenia. O uso de anticolinérgicos, entretanto, aumenta o custo e complica o equilíbrio de sérios efeitos colaterais. Comumente causam secura na boca podendo ocorrer náuseas, visão turva, índice aumentado de batimentos cardíacos, constipação e retenção urinária em homens com aumento prostático. Os portadores de glaucoma devem utilizar estas drogas cautelosamente. Os anticolinérgicos podem causar problemas mentais significativos, incluindo perda de memória, confusão e alucinações, semelhantes aos sintomas da esquizofrenia. Elas também reagem com o álcool e anti-histamínicos.
A maioria dos especialistas opõe-se ao uso de rotina de drogas antiparkisonianas para a esquizofrenia e os recomenda somente para pacientes que não podem ser controlados regularmente e para quem necessita de altas doses de antipsicóticos e correm grande risco para os efeitos colaterais desta. Os especialistas recomendam sua retirada após três ou quatro meses, se possível. Se os sintomas persistirem, as drogam podem ser substituídas. Deve ser anotado que a retirada dos anticolinérgicos podem causar depressão e exacerbar a esquizofrenia.

As drogas atípicas
Embora os antipsicóticos também afetem os níveis de dopamina, as ações medicamentosas com drogas atípicas podem ocorrer em áreas do cérebro diferentes das que são afetadas pelas drogas típicas neurolépticas. A clozapina (Leponex) foi a primeira destas drogas, incluindo, risperidona, olanzapina e quetiapina (não encontrei no Vade-mécum). Com exceção da clozapina, que tem severos efeitos colaterais, muitos especialistas atualmente recomendam a prescrição de drogas atípicas para os pacientes que se encontram diagnosticados com esquizofrenia, os que não conseguem responder a antipsicóticos ou têm reincidivas. As drogas atípicas mais bem sucedidas são simultaneamente capazes de afetar os receptores de dopamina e os neurotransmissores responsáveis pelos sintomas psicóticos. Diferentemente dos antipsicóticos normais (também dos neurolépticos) as drogas atípicas têm alguns efeitos nos sintomas negativos bem como nos positivos ajudando a prevenir a reincidência. Também estão associados os graves efeitos colaterais extra-piramidais causados pelos anti-psicóticos.


Clozapina
A clozapina, dibenzodiazepínico tricíclico (Leponex) foi de grande benefício para a metade dos pacientes com esquizofrenia que não respondiam a tratamentos normais. É particularmente útil nos jovens, embora os efeitos colaterais sejam comuns, estas novas drogas provam que são de melhor escolha para o tratamento. Os efeitos positivos podem não ser evidentes até nove meses de tratamento. A clozapina melhorou os sintomas negativos no julgamento resumido de sua utilização; um estudo mais longo é incentivado para verificar seus maiores benefícios. Estudos confirmam que também reduz o comportamento agressivo e impulsos suicidas. E embora a droga não demonstre causar discinesia tardia, outros efeitos colaterais foram conclusivos, tais como: congestão nasal, torpor, baixa pressão sanguínea, dor de cabeça, insônia e ganho significativo de peso. Efeitos colaterais sérios incluem, em até 1% dos casos, agranulocitose - uma diminuição potencialmente vital que ameaça as células brancas do sangue do paciente. Quando se desenvolve, a agranulocitose aparece normalmente na fase de três meses de tratamento, atingindo o seu ápice no terceiro mês, se não aparecer dentro de seis meses, possivelmente não se desenvolverá. As mulheres mais idosas possuem risco maior para este efeito colateral. A agranulocitose pode ser revertida se parar imediatamente o tratamento com a clozapina. É importante para quem se medica com clozapina o controle freqüente do nível de contagem de glicose, especialmente os com diabetes ou história familiar de diabetes. A potência da clozapina pode ser efetuada por variações de entradas de cafeína; pacientes que tomam bebidas cafeínadas devem ser controlados pelo médico, particularmente mudando seus hábitos. Embora a clozapina seja mais cara do que o haloperidol, esta despesa extra pode compensar pela sua maior eficácia, resultando em menor índice de hospitalização.


Risperidona
A risperidona (Risperdal) é um bloqueador de receptores de dopamina que mostrou regular superioridade de benefícios em comparação com os antipsicóticos. Assim como a clozapina, a risperidona pode ter um efeito benéfico nos sintomas negativos. A risperidona também pode melhorar a memória de trabalho verbal, um problema comum em esquizofrênicos. Em geral, tem poucos efeitos extra-piramidais, embora podendo ocorrer em doses mais altas. Os efeitos colaterais comuns incluem a insônia, ganho de peso e vertigem.


Olanzapina
A olanzapina (Zyprexa) pode ser mais eficiente no bloqueio da serotonina e neurotransmissores de dopamina, do que a clozapina, a que tem um risco maior para diminuição para confiscações e agranulocitoses. Os estudos indicam que pelo menos é eficiente para os sintomas agudos e possivelmente mais eficiente para os negativos do que neurolépticos típicos e que possuem um risco menor para causar sintomas extrapiramidais. A droga pode também ser benéfica para pacientes que não respondem às drogas neurolépticas. Um novo estudo sugere que a olanzapina também pode ser mais eficiente que a risperidona, particularmente na resposta para os sintomas negativos, mas ainda é necessário mais pesquisas para confirmação dos resultados. Assim como a risperidona, a olanzapina pode causar insônia, ganho de peso e vertigem. Outras drogas atípicas são a Ziprasidona e quetiapina (Seroquel - não encontrei no Vade-mécum - Brasil) que são promessas de novas drogas. A ziprasidona, que afeta a serotonina assim como a dopamina, também pode melhorar os sintomas negativos com efeitos colaterais extrapiramidais limitados. A aripiprazola e iloperidona são outras drogas atípicas em desenvolvimento.


Outras drogas úteis
Antidepressivos
A medicação com antidepressivos é recomendada concomitante aos antipsicóticos com a finalidade de aliviar a depressão tão comum em portadores da esquizofrenia, além de ser indicado para regular e prevenir a reincidência dos surtos. Apesar de seus benefícios, menos da metade dos pacientes recebem esta medicação tão útil. Os Afro Americanos menos ainda.

Ansiolíticos
Normalmente são utilizados benzodiazepínicos para tratamento da ansiedade e constatado-se que reduzem os sintomas psicóticos, embora não tão eficientemente quanto à terapia normal com antipsicóticos, estes podem resultar num forte efeito sedativo. Usualmente os médicos prescrevem ansiolíticos com a finalidade de reduzir doses altas de antipsicóticos na ocorrência dos surtos. Podem também ser úteis na prevenção de uma reincidência psicótica, prevenindo um surto e às vezes utilizado para tratar o desassossego e agitação que ocorrem com o uso dos neurolépticos. Os efeitos colaterais severos que podem ocorrer, são dispnéia, hipotensão arterial e perda da consciência. Estudos de alguns pacientes, demonstraram que o uso concomitante de medicação ansiolítica e clozapina, não provocou nenhuma evidência ainda de perigo comprovado na associação destas duas drogas. Em todo caso, o uso prolongado de ansiolíticos geralmente não é recomendado na esquizofrenia, e em se utilizando deve ser gradual a sua retirada.


Litio

O litio, normalmente usado para pacientes bipolares, é útil em alguns pacientes esquizofrênicos. Parece que reduz os sintomas negativos nos que não têm história familiar de esquizofrenia, mas não existem critérios confiáveis para predizer a quem beneficiar.

As drogas antiepiléticas

Estas drogas, prescritas para epilepsia, tais como carbamazepina (Tegretol), ocasionalmente encontrou-se moderados benefícios em pacientes esquizofrênicos violentos e que não respondem a outras drogas.

Quais as terapias sem drogas para a Esquizofrenia?

Atualmente a Esquizofrenia está oficialmente caracterizada como uma doença cerebral, e não como uma desordem psicológica. O tratamento com drogas é a terapia primária. Entre um terço e um quinto de todos os pacientes com esquizofrenia, entretanto não respondem às drogas. Os efeitos das doenças são profundamente emotivos e os especialistas geralmente recomendam que o tratamento deva ser integrado, além das drogas, a alguma forma de terapia psicosocial. Muitos pacientes obtiveram êxito nas experiências que podem relembrar fenômenos de reações dolorosa em que positivamente os familiares estariam envolvidos e que na integração com outras famílias que compartilham dificuldades semelhantes, os índices de reincidência diminuiu significativamente, em relação aos pacientes medicados simplesmente com drogas. Por exemplo, familiares e outros entes queridos podem ser orientados a reconhecer os sintomas ou as situações estressantes que podem servir de gatilho para um surto esquizofrênico, ajudando a reconhecer também quando os pacientes submetidos às drogas, manifestam os sinais prévios de efeitos colaterais concernentes ao tratamento. Tanto os médicos quanto os familiares devem estar atentos para os sinais de reincidência. Tais sintomas podem incluir sentimento distancial da família e de amigos, acrescido perturbadoramente de pensamentos persistentes, e além disso, despertando um maior interesse religioso.
Os membros familiares e entes queridos, além de ajudar o paciente, normalmente também necessitam de apoio, pois freqüentemente sua saúde mental é ameaçada. Quando o afeto e a razão não conseguem trazer o ser amado para a realidade, normalmente os familiares reagem com raiva e frustração, o que somente piora a situação. Fora o desespero e temor, eles também tendem a rejeitar completamente o paciente. Numerosos estudos mostraram que os piores pacientes esquizofrênicos são aqueles que sofrem hostilidade, crítica ou outro envolvimento por parte da família. O maior problema é que se trata de uma rua de mão dupla: Famílias críticas geram ansiedade e depressão nos pacientes esquizofrênicos e, contrariamente, a ansiedade e depressão do paciente pode induzir às críticas familiares. Estudos indicam que uma vez recebido tratamento apropriado pelo paciente e apoio, o estado sobre-emotivo da família também retrocede. Os grupos de apoio podem ser muito úteis e alguns estudos demonstram que os pacientes melhoram quando as famílias estão em algum grupo de auto-ajuda. A curto prazo, cuidados residenciais e outros serviços, também podem ajudar e proteger o paciente oferecendo alívio à família.

O tratamento de Programa Comunitário
Este consiste de um tratamento em que uma equipe de profissionais "ofertadores de atenção especializados" (psicólogos e outros profissionais de saúde mental) proporciona tratamento de apoio para os pacientes em seus lares, e é altamente benéfico e de custo eficientemente menor (comparado freqüentemente ao de hospitalização). Entretanto, só 2% dos 10% de pacientes participam de tais programas. OBS.: Desconheço este serviço no Brasil, no exterior denomina-se "caregivers".


Reabilitação vocacional
Até 90% dos pacientes com problemas mentais graves se encontram desempregados, apesar de que o trabalho remunerado seja muito importante na reabilitação do paciente. Um estudo informa que depois de um ano de trabalho, 40% dos pacientes com esquizofrenia que eram pagos por seus serviços obtiveram um melhora em todos os sintomas e 50% informou muita melhora nos sintomas positivos. Os que não recebiam por seu trabalho, a melhora foi consideravelmente menor. Menos de um quarto dos pacientes esquizofrênicos estão em programas que os possa ajudar a encontrar um trabalho para se manter.


Tratamentos alternativos
Em alguns estudos foi utilizado a glicina (aminoácido), em grandes doses para tratar os sintomas negativos, resultando numa pequena melhora, mas significativa em alguns pacientes e de poucos efeitos colaterais. Noutro estudo, a glicina adicionada a um regime de drogas antipsicóticas, os pacientes manifestaram suas emoções como interiores e o reconhecimento de perdas reais. Em tais casos a psicoterapia é certamente um apoio essencial, sendo úteis outros tratamentos.


Tratamentos com Eletroconvulsivos (ECT) (Eletroconvulsivoterapia).
Este tratamento, usualmente denomiado Eletrochoque, recebeu má impressão desde que foi introduzido nos anos de 1940. Entretanto técnicas refinadas recentes ressuscitaram o seu uso, particularmente para depressão grave. Não foi encontrado nos estudos de mapeamento cerebral por Imagem indícios de que as técnicas atuais de ECT causem danos à estrutura do cérebro e alguns médicos sentem-se mais seguros do que com as terapias com drogas. Estudos num grupo pequeno de adolescentes com esquizofrenia e outras desordens, acharam ser útil o ECT.


Terapia Psicosocial (Psicanálise e Psicologia).
Sabe-se atualmente que esta terapia Psicosocial é a base física para a esquizofrenia, não mais recomendada como um tratamento alternativo para as drogas. Um estudo informou que os pacientes mais maleáveis à administração das drogas, são os que se encontram em terapia (psicológica ou psicosocial) pelo menos durante quinze minutos por mês. A maioria dos especialistas acreditam que um programa integrado oferecendo tanto médico quanto tratamento psicológico ao paciente e apoio à família do paciente ou outro "caregivers" (profissionais ofertadores de atenção - TO - Terapeuta Ocupacional), é importante para a melhora a longo prazo dos pacientes com esquizofrenia. A técnica clássica psicanalítica, que descobre e analisa acontecimentos da infância, o uso de métodos terapêuticos cognitivos comportamentais, mostram uma particular promessa de ajuda aos pacientes. Comumente usada para a depressão, este tratamento clássico psicanalítico tende a fortalecer a capacidade do paciente em normalizar os pensamentos utilizando exercícios mentais e auto-conhecimento. Pacientes que combinaram terapia cognitiva com cuidados de rotina (medicamentos) informaram quase oito vezes mais as chances de melhora comparados aos que somente utilizam cuidados de rotina. A terapia cognitiva ensina aos pacientes a mudarem os seus padrões comportamentais de pensamentos negativos ajudando-os com técnicas para resolver seus problemas e outras estratégias para reduzir os riscos de reincidência dos surtos. Um método é o retraimento, em que o paciente compensa com suas habilidades básicas de vida , o seu dano mental. Os pacientes são treinados nas habilidades sociais, tais como boa higiene, cozinhar, viajar, melhorar os pensamentos e aprendem técnicas para alcançar uma qualidade básica de vida. A análise também deve incluir métodos para a redução de tensão, intervir para manter a conformidade da terapia com drogas e apoio emotivo geral.

A família e estruturas de apoio externa
Apoio familiar. Em qualquer tratamento de desordem mental, é insensato ver o paciente como se ele não existisse. As pessoas próximas do paciente exercem grande influência no curso de uma doença ignorada. É profundamente doloroso para alguém lidar com um ente amado cujo comportamento não é determinado pela resposta saudável imediata ao mundo real, mas por um mecanismo interno misterioso para o qual foi desviado. Não obstante, menos que 10% das famílias de pacientes com esquizofrenia recebem apoio e educação, mesmo sendo mostrado por muitos estudos os benefícios de tais programas para ambos, paciente e familiares pela estatística de 7% da redução dos sintomas negativos, menor depressão e melhor funcionamento mental. A glicina está disponível nas farmácias, mas entre 60 e 120 pílulas teriam que ser tomadas diariamente para combinar a força da glicina, estando então atualmente em julgamento se deve ou não ser administrada. Os médicos não recomendam o uso da glicina comprada para este propósito e mais pesquisas seguem, por enquanto. De acordo com os resultados de um estudo recente, o consumo de ômega-3 ácidos gordurosos encontrados em óleos de peixe, foi associado à melhora nos pacientes com esquizofrenia.
LEMBRE-SE: NÃO TOME OU ADMINISTRE QUALQUER MEDICAMENTO, POR MAIS SIMPLES QUE SEJA, SEM A ORIENTAÇÃO DE SEU MÉDICO!
Toda citação medicamentosa neste trabalho é somente para uma melhor compreensão da doença, reafirmo sua tradução e bibliografia a seguir.

Bibliografia:
Figueiredo, Dr. Jorge Barros, Psicofarmacologia, Curso Formação-de-Psicanalistas-Clínicos, , Editora Reproarte, Rio de Janeiro, 1999.
Mental Health NetMichaelis, Shering-Plough, Manual de Medicamentos, P. R. Vade-mécum, Clínico Geral, 4a. edição especial, Ed. Soriak, S. Paulo, 1998/1999.
 

INTELIGÊNCIA
No senso comum a inteligência é a qualidade que as pessoas possuem para resolver um problema de forma correta, adaptar-se a novas situações e aprender coisas com facilidade. As concepções científicas de inteligência variam. Algumas consideram inteligentes os indivíduos capazes de um pensamento abstrato, capacidade de adaptação ao ambiente, adaptação a situações relativamente novas e capacidade de aquisição de novos conhecimentos. Algumas teorias postulam a existência de uma inteligência geral, outras postulam a existência de faculdades diferenciadas e, outras ainda, de múltiplas aptidões independentes. 

Algumas abordagens da psicologia, entendem a inteligência como a capacidade de verbalizar idéias, compreender instruções, perceber a organização de um desenho, resolver problemas, adaptar-se a novas situações e ter comportamentos criativos. O nível de inteligência, nestas abordagens, é medido por testes psicológicos de inteligência. Estes testes medem o quociente intelectual (Q. I.), que é obtido através da relação da idade e o desempenho no teste proposto, verificando se o desempenho está de acordo com a idade. Acredita-se que se o desenvolvimento do indivíduo for estável, o Q. I. tende a se manter estável, e que se as condições de desenvolvimento forem alteradas para melhor ou pior, isto interferirá no Q. I. Outras abordagens questionam o termo inteligência porque acreditam no organismo na sua totalidade e este termo passa a ser um adjetivo.
 
Este último grupo não acredita que os testes podem medir a inteligência e no máximo consideram que podem medir a eficiência intelectual do indivíduo. Para estas teorias, os testes tornam-se dispensáveis na maioria das vezes, e o rebaixamento intelectual deve ser considerado como conseqüência do que o indivíduo vive no momento e, portanto, depende da história de vida do sujeito. O exemplo que estas teorias utilizam é dispersão que nos acontece quando temos uma preocupação, um conflito ou um problema e ficamos dispersos, pensando nele, o que nos faz ter dificuldade de aprender.


LIBIDO
A libido é um conceito muito trabalhado pela psicanálise que se constitui numa carga energética que tem origem na sexualidade. É importante ressaltar que a sexualidade não se localiza apenas no aparelho genital. A libido é uma energia humana que faz os indivíduos buscarem a realização de suas necessidades básicas, como a fome, por exemplo, e também as prazeirosas. 

Parte da libido é reprimida a partir do complexo de Édipo, parte é deslocada para outros atos humanos como estudar, fazer arte, trabalhar e outras atividades que temos ao longo de nossas vidas, e uma última parte fica disponível para o prazer sexual. A libido é a energia que move o homem a se relacionar com os objetos. Se não fosse pela libido o homem não iniciaria sua relação com o mundo. É esta energia que garante que as crianças comecem a brincar, locomoverem-se e explorar a realidade à sua volta. 

A capacidade de canalizar a libido para o mundo exterior é fundamental para o equilíbrio do ser humano. Problemas nesta canalização podem ocasionar falhas na socialização, como o autismo, auto-agressão, masturbação compulsiva e outros distúrbios de comportamento. Na linguagem comum, a libido pode ser entendida como “vontade” e para entender melhor este conceito podemos nos remeter a nossas expressões quotidianas: “não estou com vontade”; “sem vontade não há solução”. Estas formas de expressão sinalizam a importância da libido em todas as nossas ações. Libido é um termo que significa vontade e desejo. De um ponto de vista qualitativo, Freud definiu que a libido é irredutível a uma energia mental não especificada como propunha Jung. Para Freud a libido afirma-se sempre mais como um processo quantitativo, permitindo medir os processos e as transformações no domínio da excitação sexual.


LUTO
O luto é um processo mental destinado à instalação de uma perda significativa na mente. Segundo Kaplan (1997), o luto sem complicações é visto como uma resposta normal em vista da previsibilidade de seus sintomas e seu curso. O luto inicial manifesta-se freqüentemente por um estado de choque, podendo ser expresso como um sentimento de topor e de completo atordoamento. A parte perceptível deste processo se caracteriza, inicialmente, pela repetida rememoração da perda sempre acompanhada do sentimento de tristeza e de choro, após o que a pessoa acaba se consolando. Evoluindo,o processo passa a ser de rememoração de cenas  agradáveis e desagradáveis, nem sempre seguidas de tristeza e choro, mas sempre com a consolação final. Kaplan (1997), segue comentando que é um processo sempre lento, longo e acompanhado de graus variáveis de falta de interesse pelo mundo exterior (tristeza), que vão diminuindo conforme o processo avança. O processo vai gradualmente se extinguindo com desaparecimento da tristeza, do choro e instalação da consolação e volta do interesse pelo mundo exterior. No final, a pessoa perdida passa a ser apenas uma lembrança, o sentimento de tristeza desaparece e a vida afetiva retoma seu curso voltando a ser possível novas ligações afetivas.
Para Freud (1916), "O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante”. “E segue dizendo que o luto normal é um processo longo e doloroso, que acaba por resolver-se por si só, quando o enlutado encontra objetos de substituição para o que foi perdido.”
"O trabalho de luto consiste, assim, num desinvestimento de um objeto, ao qual é mais difícil renunciar na medida em que uma parte de si mesmo se vê perdida nele” Mannoni (1995). 
De acordo com Freud (1916), o trabalho de luto se realiza, de forma que toda libido é retirada das ligações com objeto amado, a realidade mostra que esse objeto não existe mais. Porém as pessoas nunca abandonam de boa vontade uma posição libidinal, nem mesmo na realidade quando encontra um substituto. Existe um período considerado necessário para a pessoa enlutada passar pela experiência da perda. Esse período não pode ser artificialmente prolongado ou reduzido, uma vez que o luto demanda tempo e energia para ser elaborado. Costuma-se considerar que o primeiro ano é importantíssimo para que a pessoa enlutada possa passar, pela primeira vez, por experiências e datas significativas, sem a pessoa que morreu (Kaplan 1997). Por outro lado, não podemos tomar isto como uma regra fixa, há muitos fatores que entram em cena, quando se trata de avaliar as condições do enlutado, seus recursos para enfrentar a perda e as necessidades que podem se apresentar. Para cada enlutado, sua perda é a pior, a mais difícil, pois cada pessoa é aquela que sabe dimensionar sua dor e seus recursos para enfrentá-la.
Para Freud e Melanie Klein uma das formas da pessoa liberar-se do luto é tendo a prova da realidade.  Neste período a pessoa conseguirá se desligar e canalizar a libido para outro objeto.
Segundo Melanie Klein (1981), a dor sentida no lento processo do teste da realidade durante o trabalho penoso de luto parece ser devido, em parte, não somente à necessidade de renovar os vínculos com o mundo externo, mas também sim reexperimentar continuamente a perda, reconstruindo angustiosamente o mundo interno, que se sente estar em perigo de deterioração e colapso.
Entretanto Freud (1916), suspeita de que algumas pessoas, ao passar pela mesma situação de perda, em vez de luto, produzem melancolia, sendo esta uma  disposição  patológica do individuo. Para justificar essa premissa, o autor fez uma série de comparações entre o luto e a melancolia, tentando mostrar o que ocorre psiquicamente com o sujeito em ambos o caso.

Quadro teórico
Desde muito cedo, ainda bebês, segundo a interpretação de Melanie Klein (1981), a criança passa por um processo de interiorização quando elas começam ter relações primeiramente com a mãe, depois com seu pai e com outras pessoas. A criança ao incorporar seus pais, sente-os como pessoas vivas dentro do seu corpo, de modo concreto em que as profundas fantasias inconscientes são sentidas, elas são em sua mente, objetos interiores ou interiorizado.
Por isso todas as alegrias que a criança goza através da sua relação com a mãe são provas para ela que o objeto amado, dentro e fora do seu corpo, não esta lesado e não se transformara numa pessoa vingadora. O aumento do amor e da confiança através e a diminuição dos temores através de experiências felizes, ajudam a criança, passo a passo, a ultrapassar sua depressão e sentimento de perda (luto). (Melanie Klein, 1981).
A princípio, convivemos com separações temporárias, como por exemplo, a mudança de escola.  Mas chega uma hora, que acontece a nossa primeira perda definitiva: alguém que nos é muito querido, um dia, se vai para sempre. 
Segundo Kübler-Ross (1997), deve -se permitir que as crianças continuem em casa, onde ocorreu uma desgraça, e participem da conversa, das discussões e dos temores, faz com que não se sintam sozinhas na dor, dando-lhes conforto de uma responsabilidade e luto compartilhado. A autora segue ainda nos relatando que com isso a um incentivo para que encarem a morte como parte da vida, uma experiência que pode ajuda-las a crescer e amadurecer.
 Freud, o trabalho de luto consiste principalmente no teste da realidade, ou seja, restabelecendo o contato com o mundo real, descobre e redescobre que a pessoa amada não existe mais. Já Klein o teste da realidade não se refere só a realidade externa, mas também a realidade interna. Mostra que a pessoa amada perdida estava identificada com os objetos bons internos, e que sua perda representa um desmoronamento de todo o mundo interno que deve ser reconstruído.
Quando existe a perda de uma pessoa amada, o sujeito acolhe dentro de si a pessoa que perdeu (reincorpora-a), mas também reinstala seus objetos bons interiorizados. Então a posição depressiva mais recuada e, com ela, as ansiedades, os sentimentos de culpa, de perda e de aflição, derivados da situação do seio materno, da situação de édipo e de outras fontes, tudo isso é reativado.
Quando o trabalho de reparação do objeto amado prejudicado está sendo efetuado, se no fundo da mente isso significa um triunfo sobre ele, a reparação fracassa e a culpa não é aliviada. O triunfo sobre o objeto internos que o bebê controla, humilha e tortura é uma parte do aspecto destrutivo da posição maníaca que perturba a reparação e a recriação de seu mundo interno e da paz e harmonia interna. E assim o triunfo impede o trabalho do luto primitivo. A morte da pessoa amada real pode despertar ódio, que na situação de luto é sentida como triunfo sobre o morto, e aumenta a culpa. No luto normal há também sentimento de triunfo sobre o morto, com a conseqüência de retardar o trabalho de luto ou aumentar as dificuldades e dor do enlutado (Simon, 1986).
Da mesma forma como a criança, passando pela posição depressiva, luta em seu inconsciente com a tarefa de estabelecer e integrar o mundo interno, assim também, o individuo em luto atravessa um estado maníaco depressivo, o sujeito enlutado sofre a pena de restabelecer e reintegrar esse mesmo mundo(Klein, 1981).
 Para Melanie Klein o trabalho de luto implica na superação das regressões paranóides e dos mecanismos maníacos, ate que o mundo interno seja restaurado. Se a necessidades depressivas não puderem ser superadas pelo enlutado, resultara no luto anormal (excessiva ligação interminável ao morto, indiferença pela perda) ou doença mental.
Certas características do indivíduo podem fazer com que o processo de luto se torne patológico, o que para Freud (1916) era a melancolia, similar ao luto, mas de caráter patológico. Para Melanie Klein (1981) o processo do luto teria grande relação e semelhanças com o estado maníaco depressivos.
Conforme Freud (1916), no luto, há uma perda consciente. Na melancolia, a pessoa sabe quem perdeu, mas não o que perdeu nesse alguém. "A melancolia está de alguma forma relacionada a uma perda objetal retirada da consciência, em contraposição ao luto, no qual nada existe de inconsciente a respeito da perda”.
“Os traços mentais distintivos da melancolia são um desanimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo, a perda da capacidade amar, a inibição de toda e qualquer atividade, e uma diminuição dos sentimentos de auto-estima a ponto de encontrar expressão de recriminação e auto-envelhimento, culminando numa expectativa delirante de punição” Freud (1916). Ainda citando Freud, (1916) o melancólico pode apresentar características de mania. “... o maníaco demonstra claramente sua liberação do objeto que causou seu sofrimento, procurando, como um homem vorazmente faminto, novas catexias objetais”.Ou seja, há uma busca indiscriminada de outros objetos nos quais o indivíduo possa investir.
O que se poderia dizer afinal é que, a pessoa melancólica coloca a si própria como culpada pela perda do objeto amado. Talvez a grande diferença entre o luto e melancolia para Freud é que no luto o mundo torna-se pobre, vazio e inexpressivo e na melancolia é o próprio ego”.Os sentimentos negativos são expressos contra o self, e a pessoa se torna deprimida, em Freud(1916)”O paciente representa seu ego para nós como se fosse desprovido de valor, incapaz de qualquer realização e moralmente desprezível...".

Conclusão
O luto é uma das experiências mais universais desorganizadoras e assustadoras que vivem o ser humano, entretanto a forma como individuo ira viver seu luto que identificara um surgimento de uma patologia (melancolia) ou desenvolvimento de um processo normal de perda. 
E para criança diga-se segundo Melanie Klein (1981), ela deve ter absoluto acesso as experiências do luto desde o peito materno, é como ela tem esse acesso  que ajudara num desenvolvimento normal do luto.E não é por outro motivo que Kluber-Ross (1997), afirma que o luto não deve ser escondido da criança, assim ela vai perceber que a morte faz parte da vida. A criança aprende que se podem ultrapassar tristezas, apoiando-se nos outros. É como se aprende a lidar com este luto ainda criança que vai nos dar condições de elaborar novos lutos na vida adulta, que seria a prova da realidade descrita por Freud (1916), Melanie Klein (1981).
Passamos por essas fases de luto muitas vezes em nossas vidas, fazendo-se necessário olharmos para nós mesmos e reinvestirmos nossa energia, vivendo dia-a-dia até que tenhamos ultrapassado esses momentos difíceis. Podemos, no entanto, aprender a conviver com a dor, se o trabalho de luto for bem sucedido, pode levar a enriquecimento, transformando-a (sublimação) em um movimento positivo que possa ajudar ao mundo e a nós mesmos.
Por fim é o mais importante ressaltar que, o profissional devera saber diferenciar o processo de luto, normal e a melancolia (Freud, 1916) ou luto patológico Melanie Klein(1981),  podendo  assim  traçar um diagnostico  do cliente.

Referências Bibliograficas:
Freud, S. Luto e Melancolia. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund   Freud, vol. XIV, Imago, Rio de Janeiro, 1914-1916.    
Kübler-Ross, E. Sobre a morte e o morrer. 8ª edição. Martins Fontes, São Paulo, 1997. 
Klein, M. Contribuições à psicanálise. São Paulo, Mestre Jou,1981.
Kaplan,H: Compêndio de psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clinica. 7a edição.Artmed,1997.
Mannoni, M. O nomeável e o inominável.  Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1995
Simon, R.Introdução a psicanálise:Melanie Klein.3aedição. EPU,São Paulo,1986.




MEMÓRIA


Um dos fatos mais curiosos com relação à memória é a ilusão do déjà-vu (o já visto), em que uma pessoa tem a falsa impressão de familiaridade com situações que, no entanto, são vividas pela primeira vez. Estudiosos da memória ainda buscam uma explicação para o fenômeno.
Memória é a capacidade da mente humana de fixar, reter, evocar e reconhecer impressões ou fatos passados. A função de lembrar e sua oposta, esquecer, são normalmente adaptativas. O aprendizado, o pensamento e o raciocínio não seriam possíveis sem a memória, mas a capacidade de esquecer também tem muitas funções. Serve como referência de tempo (pois as lembranças tendem a se tornar mais difusas com o passar do tempo), como instrumento de adaptação a novos aprendizados (pela supressão de antigos padrões) e ainda como forma de aliviar a ansiedade decorrente de experiências dolorosas.
Os primeiros estudos experimentais sobre a memória foram realizados pelo psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus. No fim do século XIX, ele planejou e executou experiências sobre o aprendizado de sílabas sem sentido (a fim de reduzir a interferência do significado nos processos de retenção), que lhe permitiram avaliar a capacidade e o tempo de armazenamento da informação, bem como a facilidade de recuperação do material armazenado.
O britânico Frederic C. Bartlett, ao contrário de Ebbinghaus, trabalhou com material significativo: formas, fotografias, figuras que sugeriam objetos etc. Sua hipótese básica afirma que a pessoa só retém esquemas muito gerais daquilo que experimentou anteriormente. O processo de evocação seria, assim, melhor definido como processo de reconstrução.
Também na psicanálise se elaborou uma teoria da memória. Para Sigmund Freud, o mecanismo da recuperação da informação e, principalmente, o fenômeno do esquecimento teriam como causa um fator repressivo de caráter inconsciente. De fato, muitas das técnicas psicanalíticas são destinadas a desfazer esse bloqueio repressivo que impede o acesso a antigas experiências armazenadas que, segundo Freud, nunca se perdem verdadeiramente. Para os behavioristas, o mecanismo da recuperação da informação se constrói, sobretudo, pela associação entre estímulos e respostas. Os behavioristas e neobehavioristas explicam o esquecimento da informação armazenada por interferências no processo de recuperação.
Alguns autores, insatisfeitos com as teorias behavioristas e influenciados pelas críticas antibehavioristas do lingüista americano Noam Chomsky, assim como pelas novas teorias de manipulação da informação e da comunicação, abordaram o problema da memória de uma nova perspectiva. Estudaram a capacidade humana de processar a informação como parte da temática geral da percepção e recorreram aos esquemas de funcionamento dos computadores para descrever a organização de todo o sistema.
Memória e processamento da informação.
Segundo as modernas teorias cognitivas, que estudam fenômenos básicos da inteligência como a percepção, o aprendizado e a memória, relacionando-os aos mecanismos da informática, são três os processos básicos da memória: codificação da informação, armazenamento e recuperação. Codificação é o processo pelo qual a forma física da informação de entrada transforma-se numa representação interna. O armazenamento consiste na fixação da representação interna mediante o estabelecimento de relações entre ela e as demais representações que o indivíduo possui. Se essas relações se destroem, produz-se o esquecimento. O processo de recuperação permite utilizar a informação armazenada quando necessário.
No que diz respeito ao armazenamento da informação, distinguem-se três tipos: sensorial, memória a curto prazo e memória a longo prazo. Assim, o indivíduo utilizaria estratégias, desde as mais simples até as mais complexas e estruturadas, para representar e recuperar a informação que recebe. Essas estratégias variam conforme o tipo de informação e a finalidade com que o sujeito se propõe utilizar posteriormente tal informação.
Dessa perspectiva, os processos da memória adquirem caráter dinâmico e ativo, de forma que o sistema aprende pela interação com o meio e não pelo estabelecimento de conexões entre estímulos e respostas, como quer a teoria behaviorista. A estrutura interna utilizada para organizar a informação está em contínua mudança e se reconfigura de acordo com cada nova experiência. Durante a vida dos indivíduos, modifica-se a forma de codificação da informação e aumenta progressivamente o número de conceitos dos quais se parte, assim como o das relações que se estabelecem entre os diferentes elementos da informação. As estratégias são semelhantes para todos os indivíduos, embora seu resultado difira em função de serem diferentes as capacidades e circunstâncias.
Aprimoramento da memória.
Os estudos psicológicos sobre a memória podem ter aplicações imediatas no desenvolvimento e fortalecimento da capacidade individual de memorização. A maioria das técnicas mnemônicas (ou de memorização) baseia-se na rápida transferência da informação contida na memória de curto prazo para a de longo prazo, mediante a utilização de códigos de informação que facilitem a retenção. Algumas das regras mais usadas consistem em agrupar os diferentes elementos que compõem a informação, descobrir regras simples por meio das quais ordenar uma seqüência determinada de elementos, organizar hierarquicamente a informação que se deve guardar, estabelecer correlação entre os elementos que se oferecem à aprendizagem e outros já conhecidos etc. De qualquer maneira, nenhuma dessas técnicas pode remediar situações de origem patológica, mas tão-somente beneficiar uma memória normal.
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.




MORTE
Um Estudo Teórico Sobre a Morte

Introdução

Desde os primórdios da Civilização, a morte é considerada um aspecto que fascina e, ao mesmo tempo, aterroriza a Humanidade. A morte e os supostos eventos que a sucedem são, historicamente, fonte de inspiração para doutrinas filosóficas e religiosas, bem como uma inesgotável fonte de temores, angústias e ansiedades para os seres humanos.

O interesse pelo tema da morte teve início com a leitura de algumas reportagens do LELU (Laboratório de Estudos e Intervenção sobre o Luto). O contato com estas reportagens, e a análise da morte como fenômeno psíquico, foram o ponto de partida deste trabalho. As matérias vieram de encontro aos anseios naturais sobre a morte e mostraram que, apesar da dimensão etérea que a morte toma em nível psíquico, existem profissionais e entidades empenhadas em estudá-la de forma científica, usando uma metodologia essencialmente psicológica.  

Em função do contato inicial com o material do LELU e do interesse por ele despertado, a busca de outras pesquisas já realizados no mesmo campo foi um impulso natural, e acabou formando a base teórica que sustenta este trabalho. 

A morte como fenômeno físico já foi exaustivamente estudada e continua sendo objeto de pesquisas, porém permanece um mistério impenetrável quando nos aventuramos no terreno do psiquismo.  

Falar sobre morte, ao mesmo tempo que ajuda a elaborar a idéia da finitude humana, provoca um certo desconforto, pois damos de cara com essa mesma finitude, o inevitável, a certeza de que um dia a vida chega ao fim. 

A certeza humana da morte aciona uma série de mecanismos psicológicos. E são esses mecanismos que instigam a nossa curiosidade científica. Em outras palavras, o foco de interesse seria como o homem lida com a morte; seus medos, suas angústias, suas defesas, suas atitudes diante da morte.  

O objetivo da presente pesquisa é o aprofundamento teórico da questão da morte, enfocando a maneira pela qual o homem lida com este fenômeno humano inevitável, percebendo os mecanismos psicológicos que entram em ação quando o homem se encontra diante da morte.  

O tema da morte não é de forma alguma uma discussão atual. Foram muitos os filósofos, historiadores, sociólogos, biólogos, antropólogos e psicólogos a discutir o assunto no decorrer da História.  Isto porque a morte não faz parte de uma categoria específica; é uma questão que atravessa a história, é sobretudo uma questão essencialmente humana.  

Dentro dos vários enfoques teóricos que possibilitam a reflexão sobre a morte, um deles nos interessa em especial: o enfoque psicanalítico. Foi esse enfoque que deu corpo às nossas indagações sobre a morte, seja através da análise pessoal, seja através da teoria propriamente dita.  

A concepção que se tem sobre a morte e a atitude do homem diante dela, tende a se alterar de acordo com o contexto histórico e cultural. Sem dúvida o advento do capitalismo e seus tempos de crise, fez surgir uma nova visão sobre a morte, que segundo Torres, (1983), tem a ver com o surgimento do capital como força principal de produção. Neste sentido, o vivo pode tudo e o morto não pode nada, já que teve sua vida produtiva interrompida.  

Diante desta crise, na qual os homens encontram-se completamente abandonados e despreparados, vemos este aprofundamento teórico como uma forma de dimensionar a morte, contribuindo para sua melhor compreensão e elaboração, instrumentalizando sobretudo, os profissionais da área de saúde, que trabalham lado a lado com este tema.

Este trabalho encontra-se estruturado em três partes principais. A primeira busca analisar o impacto da morte na sociedade através do tempo, mostrando como diferentes povos em diferentes épocas, lidavam com essa questão. A segunda parte fala sobre os sentimentos ambíguos gerados em nós, seres humanos, quando somos obrigados a encarar a nossa própria morte, bem como a morte do outro. A terceira e última parte fala do luto, em seus diversos contextos.


Dados Historicos

Possuímos uma herança cultural sobre a morte que define nossa visão de morte nos dias atuais. Segundo Kastenbaum e Aisenberg (1983), as interpretações atuais sobre a morte constituem parte da herança que as gerações anteriores, as antigas culturas nos legaram.

Faremos então, um pequeno passeio pela história para que possamos entender como foi construída a idéia da morte encontrada nos dias de hoje.

Arqueólogos e antropólogos, através de seus estudos, descobriram que o homem de Neanderthal já se preocupava com seus mortos:

Não somente o homem de Neanderthal enterra seus mortos, mas às vezes os reúne (gruta das crianças, perto de Menton). Morin (1997)

Ainda segundo Morin (1997) na pré-história, os mortos dos povos musterenses eram cobertos por pedras, principalmente sobre o rosto e a cabeça, tanto para proteger o cadáver dos animais, quanto para evitar que retornassem ao mundo dos vivos. Mais tarde, eram depositados alimentos e as armas do morto sobre a sepultura de pedras e o esqueleto era pintado com uma substância vermelha.

O não abandono dos mortos implica a sobrevivência deles. Não existe relato de praticamente nenhum grupo arcaico que abandone seus mortos ou que os abandone sem ritos.  Morin (1997)  

Ainda hoje, nos planaltos de Madagáscar, durante toda a vida, os kiboris constróem uma casa de alvenaria, lugar onde seu corpo permanecerá após a morte.  

Segundo Kastenbaum e Aisenberg (1983), os egípcios da antigüidade, em sua sociedade bastante desenvolvida do ponto de vista intelectual e tecnológico, consideravam a morte como uma ocorrência dentro da esfera de ação.  Eles possuíam um sistema que tinha como objetivo, ensinar  cada indivíduo a pensar, sentir e agir em relação à morte.  

Os autores seguem dizendo que os malaios, por viverem em um sistema comunitário intenso, apreciavam a morte de um componente, como uma perda do próprio grupo. Desta feita, um trabalho de lamentação coletiva diante da morte era necessário aos sobreviventes. Ademais, a morte era tida não como um evento súbito, mas sim como um processo a ser vivido por toda a  comunidade.  

Segundo Ariès (1977), na Vulgata, o livro da Sabedoria, após a morte, o justo irá para o Paraíso.  As versões nórdicas do livro da Sabedoria rejeitaram a idéia de Paraíso descritas no livro original pois, segundo os tradutores, os nórdicos não esperam as mesmas delícias que os orientais, após a morte.  Isso porque os orientais descrevem que o Paraíso tem a frescura da sombra, enquanto os nórdicos preferem o calor do sol. Estas curiosidades nos mostram como o ser humano deseja, ao menos após a morte, obter o conforto que não conseguiu em vida.  

Já o budismo, através da sua mitologia, busca afirmar a inevitabilidade da morte. A doutrina budista nos conta a Parábola do Grão de Mostarda: uma mulher com o filho morto nos braços, procura Buda e suplica que o faça reviver. Buda pede à mulher que consiga alguns grãos de mostarda para fazê-lo reviver. No entanto, a mulher deveria conseguir estes grãos em uma casa onde nunca houvesse ocorrido a morte de alguém. Obviamente esta casa não foi encontrada e a mulher compreendeu que teria que contar sempre com a morte.  

Na mitologia hindu, a morte é encarada como uma válvula de escape para o controle demográfico. Quando a Mãe-Terra, torna-se sobrecarregada de pessoas vivas, ela apela ao deus Brahma que envia, então, a mulher de vermelho (que representa a morte na mitologia ocidental) para levar pessoas, aliviando assim, os recursos naturais e a sobrecarga populacional da Mãe-Terra.  

Segundo Mircea Elíade (1987) os fino-úgricos (povos da região da Península de Kola e da Sibéria Ocidental), têm sua religiosidade profundamente vinculada ao xamanismo. Os mortos destes povos eram enterrados em covas familiares, onde os que morreram há mais tempo, recebiam os recém mortos. Assim, as famílias eram constituídas tanto pelos vivos quanto pelos mortos.  

Esses exemplos nos trazem uma idéia de continuidade em relação à morte, não sendo a mesma, considerada como um fim em si. Havia uma certa tentativa de controle mágico sobre a morte, o que facilitava sua integração psicológica, não havendo portanto, uma cisão abrupta entre vida e morte. Isso sem dúvida aproximava o homem da morte com menos terror.  

Apesar da familiaridade com a morte, os Antigos de Constantinopla mantinham os cemitérios afastados das cidades e das vilas. Os cultos e honrarias que prestavam aos mortos, tinham como objetivo mante-los afastados, de modo que não voltassem para perturbar os vivos.  

Por outro lado, na Idade Média, os cemitérios cristãos localizavam-se no interior e ao redor das igrejas e a palavra cemiterium significava também lugar onde se deixa de enterrar. Daí, eram tão comuns as valas cheias de ossadas sobrepostas e expostas ao redor das igrejas.  

A Idade Média foi um momento de crise social intensa, que acabou por marcar uma mudança radical na maneira do homem lidar com a morte. Kastenbaum e Aisenberg (1983) nos relatam que a sociedade do século catorze foi assolada pela peste, pela fome, pelas cruzadas, pela inquisição; uma série de eventos provocadores da morte em massa. A total falta de controle sobre os eventos sociais, teve seu reflexo também na morte, que não podia mais ser controlada magicamente como em tempos anteriores. Ao contrário, a morte passou a viver lado a lado com o homem como uma constante ameaça a perseguir e pegar a todos de surpresa.  

Esse descontrole, traz à consciência do homem desta época, o temor da morte. A partir daí, uma série de conteúdos negativos começam a ser associados à morte: conteúdos perversos, macabros, bem como torturas e flagelos passam a se relacionar com a morte, provocando um total estranhamento do homem diante deste evento tão perturbador. A morte se personifica como forma do homem tentar entender com quem está lidando, e uma série de imagens artísticas se consagram como verdadeiros símbolos da morte, atravessando o tempo até os dias de hoje.  

Kübler-Ross (1997) descreve que são cada vez mais intensas e velozes as mudanças sociais, expressas pelos avanços tecnológicos. O homem tem se tornado cada vez mais individualista, preocupando-se menos com os problemas da comunidade. Essas mudanças tem seu impacto na maneira com a qual o homem lida com a morte nos dias atuais.  

O homem da atualidade convive com a idéia de que uma bomba pode cair do céu a qualquer momento. Não é de se surpreender portanto que o homem, diante de tanto descontrole sobre a vida, tente se defender psiquicamente, de forma cada vez mais intensa contra a morte. "Diminuindo a cada dia sua capacidade de defesa física, atuam de várias maneiras suas defesas psicológicas"  Kübler-Ross (1997)  

Ao mesmo tempo, essas atrocidades seriam, segundo ponto de vista de Mannoni, (1995),  verdadeiras pulsões de destruição; a dimensão visível da pulsão de morte.  

Mannoni (1995), citando Ariès, conta que a morte revelou sua correlação com a vida em diversos momentos históricos. As pessoas podiam escolher onde iriam morrer; longe ou perto de tais pessoas, em seu lugar de origem; deixando mensagens a seus descendentes.  

A possibilidade de escolha deu lugar a uma crescente perda da dignidade ao morrer, como nos afirma Kübler-Ross (1997): "...já vão longe os dias em que era permitido a um homem morrer em paz e dignamente em seu próprio lar."  

Para Mannoni, nos dias atuais, 70% dos pacientes morrem nos hospitais, enquanto no século passado, 90% morriam em casa, perto de seus familiares.  Isto ocorre porque, nas sociedades ocidentais o moribundo é, geralmente, afastado de seu círculo familiar.  

O médico não aceita que seu paciente morra e, se entrar no campo em que se confessa a impotência médica, a tentação de chamar a ambulância (para se livrar do caso) virá antes da idéia de acompanhar o paciente em sua casa, até o fim da vida. Mannoni (1995)  

A morte natural deu lugar à morte monitorada e às tentativas de reanimação. Muitas vezes, o paciente nem é consultado quanto ao que deseja que se tente para aliviá-lo. A medicalização da morte e os cuidados paliativos, não raro, servem apenas para prolongar o sofrimento do paciente e de sua família. É muito importante que as equipes médicas aprendam a distinguir cuidados paliativos e conforto ao paciente que está morrendo, de um simples prolongamento da vida.

Outro aspecto comportamental do ser humano em relação à morte é que antigamente, preferia-se morrer lentamente, perto da família, onde o moribundo tinha a oportunidade de se despedir.  Atualmente, não é raro se ouvir dizer que é preferível uma morte instantânea, que o longo sofrimento causado por uma doença.  

Entretanto, segundo Kovács (1997) contrariando o senso comum, o tempo da doença, justamente ajuda a assimilar a idéia de morte, e a conseguir tomar decisões concretas, como a adoção dos filhos ou a resolução de desentendimentos.  

Segundo Bromberg (1994) nossa cultura não incorpora a morte como parte da vida, mas sim como castigo ou punição.  


O HOMEM DIANTE DA PRÓPRIA MORTE / O HOMEM DIANTE DA MORTE DO OUTRO  

Desde muito cedo, ainda bebês, quando passamos a distinguir nosso próprio corpo do corpo da mãe, somos obrigados a aprender a nos separar de quem ou daquilo que amamos. A princípio, convivemos com separações temporárias, como por exemplo, a mudança de escola. Mas chega uma hora, que acontece a nossa primeira perda definitiva: alguém que nos é muito querido, um dia, se vai para sempre. É justamente esse para sempre que mais nos incomoda.  

Porém, quanto mais conscientes estivermos de nossas mortes diárias, mais nos preparamos para o momento da grande perda de tudo que colecionamos e nutrimos durante a vida: desde toda a bagagem intelectual, todos os relacionamentos afetivos, até o corpo físico.

Com o distanciamento cada vez maior do homem em relação à morte, cria-se um tabu, como se fosse desaconselhável ou até mesmo proibido falar sobre este tema.  

Segundo Bromberg (1994) como aprendemos em nossa cultura, evitamos a dor, evitamos a perda e fugimos da morte, ou pensamos fugir dela... 

Esse quadro atual nos revela a dimensão da cisão que o homem tem feito entre vida e morte, tentando se afastar ao máximo da idéia da morte, considerando sempre que é o outro que vai morrer e não ele.  Nos lançamos então à questão da angústia e do medo em relação à morte.  

Uma das limitações básicas do homem é a limitação do tempo. Segundo Torres (1983): "...o tempo gera angústia, pois do ponto de vista temporal, o grande limitador chama-se morte..."  

A Psicanálise Existencial, apontada por Torres (1983) revela a dimensão da angústia da morte: "A angústia mesma nos revela que a morte e o nada se opõe à tendência mais profunda e mais inevitável do nosso ser", que seria a afirmação do si mesmo.  

Mannoni (1995) busca em Freud, palavras que falem da angústia do homem diante da morte:  "... Freud a situa ou na reação a uma ameaça exterior, ou como na melancolia, ao desenrolar de um processo interno. Trata-se sempre, porém, de um processo que se passa entre o eu e a severidade do supereu."  

Segundo Kastenbaum e Aisenberg (1983) o ser humano lida com duas concepções em relação à morte: a morte do outro, da qual todos nós temos consciência, embora esteja relacionada ao medo do abandono; e  a concepção da própria morte, a consciência da finitude, na qual evitamos pensar pois, para isto, temos que encarar o desconhecido.  

É a angústia gerada ao entrar em contato com a fatalidade da morte, que faz com que o ser humano mobilize-se a vencê-la, acionando para este fim, diversos mecanismos de defesa, expressos através de fantasias inconscientes sobre a morte. Muito comum é a fantasia de existir vida após a morte; de existir um mundo paradisíaco, regado pelo princípio do prazer e onde não existe sofrimento; de existir a possibilidade de volta ao útero materno, uma espécie de parto ao contrário, onde não existem desejos e necessidades. Ao contrário dessas fantasias prazerosas, existem aquelas que provocam temor. O indivíduo pode relacionar a morte com o inferno. São fantasias persecutórias que têm a ver com sentimentos de culpa e remorso. Além disso, existem identificações projetivas com figuras diabólicas, relacionando a morte com um ser aterrorizante, com face de caveira, interligado a pavores de aniquilamento, desintegração e dissolução.  

O homem é o único animal que tem consciência de sua própria morte. Segundo Kovács (1998): "O medo é a resposta mais comum diante da morte. O medo de morrer é universal e atinge todos os seres humanos, independente da idade, sexo, nível sócio-econômico e credo religioso."  

Para a Psicanálise Existencial enunciada por Torres, (1983):  "... o medo da morte é o medo básico e ao mesmo tempo fonte de todas as nossas realizações: tudo aquilo que fazemos é para transcender a morte."

Complementa esse pensamento afirmando que "todas as etapas do desenvolvimento são na verdade formas de protesto universal contra o acidente da morte."  

Segundo Freud (1917) ninguém crê em sua própria morte. Inconscientemente, estamos convencidos de nossa própria imortalidade. Nosso hábito é dar ênfase à causação fortuita da morte, acidente, doença, idade avançada; desta forma, traímos um esforço para reduzir a morte de uma necessidade para um fato fortuito. 

Como dito anteriormente, o homem encontra-se num processo contínuo de cisão ente vida e morte, tentando afastar-se ao máximo da idéia da morte, considerando sempre que é o outro que vai morrer e não ele. Configura-se então, uma situação na qual o homem se defende pela segregação.  

Esse fato é constatado por Mannoni (1995):  "Nossas sociedades hoje, defendem-se da doença e da morte pela segregação. Existe aí algo importante: a segregação dos mortos e dos moribundos caminha junto com a dos velhos, das crianças indóceis (ou outras), dos desviantes, dos imigrantes, dos delinqüentes, etc."  
Segundo Torres (1983): "A sociedade ocidental não sabe o que fazer com os mortos. Um intenso ou íntimo terror preside as relações que ela intervém com esses 'estranhos' - corpos que bruscamente deixaram de produzir, deixaram de consumir - máscaras que não respondem a nenhum apelo e resistem a todas as seduções."  
A autora segue falando dessa segregação em outro momento, quando diz que a mesma se dá através da rejeição ao moribundo. São acionados neste processo, alguns mecanismos que tentam negar ou encobrir a concretude da morte.  
A própria equipe médica encarregada de doentes terminais, na maioria das vezes, não consegue elaborar a possível morte ou a morte concreta de seus pacientes. No geral, os médicos e pessoal de apoio são bastante despreparados para lidar com a morte, não conseguindo acolher o paciente e sua família.  
Segundo Mannoni (1995) dois processos podem ocorrer com o atendente em relação ao paciente. Um desses processos seria a idealização, na qual haveria uma sacralização do doente, como se ele estivesse protegido das forças de destruição. Um outro processo seria a renegação, na qual haveria uma recusa da situação de morte, um evitamento por parte do atendente. Essa conduta impede o acolhimento dos familiares enlutados.  
A equipe médica vivencia a morte de um paciente como um fracasso, colocando à prova, a onipotência médica. Ainda segundo Mannoni (1995): "é porque a morte é vivida como um fracasso pela medicina que os serviços médicos chegam a esquecer a família (ou a esconder-se dela)."  
Segundo Kübler-Ross (1997):  "Quando um paciente está gravemente enfermo, em geral é tratado como alguém sem direito a opinar."  
A autora questiona se o fato dos médicos assumirem a vontade do paciente em estado grave, não seria uma defesa contra "... o rosto amargurado de outro ser humano a nos lembrar, uma vez mais, nossa falta de onipotência, nossas limitações, nossas falhas e, por último mas não menos importante, nossa própria mortalidade?"  
Para a autora, a preocupação da ciência e da tecnologia tem sido a de prolongar a vida e não de torná-la mais humana. E segue falando sobre sua vontade como médica: "se pudéssemos ensinar aos nossos estudantes o valor da ciência e da tecnologia, ensinando a um tempo, a arte a ciência do inter-relacionamento humano, do cuidado humano e total do paciente, sentiríamos um progresso real."  
Dentro dessa humanidade no atendimento ao doente terminal, Kübler-Ross (1997) nos fala da importância do acolhimento ao doente por parte do médico, da importância da verdade. A autora questiona não o dizer ou não a verdade, mas sim como contar essa verdade, aproximando-se da dor do paciente, colocando-se no lugar dele para entender seu sofrimento. Essa seria a verdadeira disponibilidade humana para ajudar o outro em seu caminho em direção à morte.  
Apesar da importância da verdade, nem sempre o paciente consegue escutá-la, justamente porque ele esbarra na idéia de que a morte também acontece com ele, e não só com os outros.  
Em sua pesquisa junto a pacientes terminais, Kübler-Ross (1997) identificou cinco estágios quando da tomada de consciência por parte do paciente, de seu estágio terminal. O primeiro estágio é a negação e o isolamento, fase na qual o paciente se defende da idéia da morte, recusando-se a assumi-la como realidade. O segundo estágio é a raiva, momento no qual o paciente coloca toda sua revolta diante da notícia de que seu fim está próximo. Nesta fase, muitas vezes, o paciente chega a ficar agressivo com as pessoas que o rodeiam. O terceiro estágio, a barganha, é um momento no qual o paciente tenta ser bem comportado, na esperança de que isso lhe traga a cura. É como se esse bom comportamento ou qualquer outra atitude filantrópica, trouxesse horas extra de vida. O quarto estágio é a depressão, fase na qual o paciente se recolhe, vivenciando uma enorme sensação de perda. Quando o paciente tem um tempo de elaboração e o acolhimento descrito anteriormente, atingirá o último estágio, que é o da aceitação.  
Mas não são somente os pacientes terminais que provocam incômodo por remeter-nos diretamente à questão da morte. Os idosos também nos trazem a idéia da morte e não é sem razão que isso acontece. Com o progresso da ciência no combate à mortalidade, a associação entre morte e velhice passou a ser cada vez maior. Segundo Kastembaum e Aisenberg (1983), esse evento relega a morte a um segundo plano, algo que só acontece com o outro (velho). Segundo Mannoni (1995) o idoso nos remete a uma imagem degradada e aviltada de nós mesmos, e é dessa imagem insuportável que advém a segregação, já discutida anteriormente.  
Considerando a associação entre idade avançada e a morte, o que se cria, segundo Torres (1983) é uma sociedade narcísica completamente voltada para a juventude. Não há lugar para a velhice. Conseqüência disso é que "... as pessoas idosas de modo geral, não querem se conscientizar de que estão velhas, nem procurar uma orientação para velhos."  Isso seria como dar a si próprio, uma sentença de morte, numa sociedade cujo espaço da morte está em branco.  
A segregação existente com relação aos idosos faz com que eles fiquem à mercê da esfera social. Em muitos dos casos, há um afastamento concreto dos idosos, que são colocados em asilos e casas de repouso. Mannoni (1995) faz uma crítica bastante intensa a esses locais, dizendo que as instituições para idosos revelam freqüentemente abismos de desumanidade e solidão.  
Para o homem, uma criatura incapaz de aceitar sua própria finitude, não é fácil lidar com um prognóstico de morte. No fundo, o grande medo da morte é o medo do desconhecido.  
Freud (1914) nos fala que a morte de um ente querido nos revolta pois, este ser leva consigo uma parte do nosso próprio eu amado. E segue dizendo que, por outro lado, esta morte também nos agrada pois, em cada uma destas pessoas amadas, há também, algo de estranho.  
Surge aí, a ambivalência, que são sentimentos simultâneos de amor e ódio, e estão presentes em todos os relacionamentos humanos. Nestes relacionamentos, o desejo de ferir o outro é freqüente e a morte desta pessoa pode ser conscientemente desejada. Por isso, muitas vezes, quando o outro morre, a pessoa que assim o desejou pode ficar com um sentimento de culpa difícil de suportar e, para amenizar esta culpa, permanece em um luto intenso e prolongado.  
Para a psicanálise, a intensidade da dor frente à uma perda, se configura narcisicamente como a morte de parte de si mesmo.  

O luto 
Já não se vive o luto como em épocas passadas e, na maioria das vezes, os enlutados vivenciam a dor da perda na solidão, já que as pessoas ao redor, preferem afastar de si o medo da morte. Atualmente o que se exige é o recalcamento da dor da perda, em lugar das manifestações outrora usuais. Mannoni (1995) nos fala deste processo: "Hoje não se trata mais tanto de honrar os mortos, mas de proteger o vivo que se confronta com a morte dos seus."  
Os ritos, tão essenciais, tornaram-se inconvenientes em nossa sociedade higienizada, assim como a própria morte. Hoje, os funerais são rápidos e despojados. Os símbolos são eliminados, como se fosse possível eliminar a realidade da morte ou banaliza-la. Mas não há como apagar a presença do ser ausente, nem o necessário processo de luto. Para que a morte de um ente querido não assuma formas obsessivas no inconsciente é necessário ritualizar essa passagem.
Segundo Freud (1916), "O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante." E segue dizendo que o luto normal é um processo longo e doloroso, que acaba por resolver-se por si só, quando o enlutado encontra objetos de substituição para o que foi perdido.  
Para Mannoni (1995), seguindo a interpretação de Freud, "o trabalho de luto consiste, assim, num desinvestimento de um objeto, ao qual é mais difícil renunciar na medida em que uma parte de si mesmo se vê perdida nele."  
Segundo Parkes (1998), o luto pela perda de uma pessoa amada envolve uma sucessão de quadros clínicos que se mesclam e se substituem... o entorpecimento, que é a primeira fase, dá lugar à saudade, e esta dá lugar à desorganização e ao desespero, e é só depois da fase de desorganização que se dá a recuperação. 
O autor segue dizendo que o traço mais característico do luto não é a depressão profunda, mas episódios agudos de dor, com muita ansiedade e dor psíquica. 
Diante da morte, o consciente sabe quem perdeu, mas ainda não dimensiona o que perdeu. Por que um luto não realizado leva à melancolia, um estado patológico capaz de durar anos e anos?  
Para Freud, (1916) algumas pessoas, ao passar pela mesma situação de perda, em vez de luto, produzem melancolia, o que provocou em Freud a suspeita de que essas pessoas possuem uma disposição patológica. Para justificar essa premissa, o autor fez uma série de comparações entre o luto e a melancolia, tentando mostrar o que ocorre psiquicamente com o sujeito em ambos os casos  
No luto, há uma perda consciente; na melancolia, a pessoa sabe quem perdeu, mas não o que perdeu nesse alguém. "A melancolia está de alguma forma relacionada a uma perda objetal retirada da consciência, em contraposição ao luto, no qual nada existe de inconsciente a respeito da perda."  
O autor fala ainda sobre o melancólico, que vivencia a perda, não do objeto como no luto, mas como uma perda relativa ao ego. "No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego. O paciente representa seu ego para nós como se fosse desprovido de valor, incapaz de qualquer realização e moralmente desprezível..."  
A chave do quadro clínico melancólico é a percepção de que "... as auto-recriminações são recriminações feitas a um objeto amado, que foram deslocadas desse objeto para o ego do próprio paciente."  
A este respeito nos fala também Mannoni, (1995): "Em alguma parte existe, aí, uma identificação com o objeto perdido, a ponto de tornar a si mesmo, enquanto objeto (de desejo), um objeto abandonado."  
Ainda citando Freud, (1916) o melancólico pode apresentar características de mania. "...o maníaco demonstra claramente sua liberação do objeto que causou seu sofrimento, procurando, como um homem vorazmente faminto, novas catexias objetais." Ou seja, há uma busca indiscriminada de outros objetos nos quais o indivíduo possa investir.  
O que se poderia dizer afinal é que, a pessoa melancólica coloca a si própria como culpada pela perda do objeto amado.  
Existe um período considerado necessário para a pessoa enlutada passar pela experiência da perda. Esse período não pode ser artificialmente prolongado ou reduzido, uma vez que o luto demanda tempo e energia para ser elaborado. Costuma-se considerar - sem no entanto tomar isto como uma regra fixa - que o primeiro ano é importantíssimo para que a pessoa enlutada possa passar, pela primeira vez, por experiências e datas significativas, sem a pessoa que morreu.  
Nos rituais de enterro judaico, sã impedidos os gastos excessivos com os funerais para que, com isso, não se compense ou se esconda qualquer sentimento da família. O Kriyah (ato de rasgar as roupas), é como uma catarse. Logo após os funerais, os familiares fazem uma refeição juntos, que simboliza a continuidade da vida. O luto é estabelecido por etapas: a primeira etapa (Shivá), dura sete dias e é considerada a etapa mais intensa, na qual a pessoa tem o direito de recolher-se com sua família e orar pelo morto. A Segunda etapa (Shloshim), que dura trinta dias, tem a finalidade de estabelecer um período maior para a elaboração do luto.  Já a terceira etapa, tem a duração de um ano e é designada, principalmente, para os filhos que perderam seus pais. Enfim, o luto judaico é caracterizado por fases que favorecem a expressão da dor, a elaboração da morte e, por fim, a volta do enlutado à vida da comunidade.  
Para cada enlutado, sua perda é a pior, a mais difícil, pois cada pessoa é aquela que sabe dimensionar sua dor e seus recursos para enfrentá-la. No entanto, há muitos fatores que entram em cena, quando se trata de avaliar as condições do enlutado, seus recursos para enfrentar a perda e as necessidades que podem se apresentar.  
O luto pela perda de uma pessoa amada é a experiência mais universal e, ao mesmo tempo, mais desorganizadora e assustadora que vive o ser humano. O sentido dado à vida é repensado, as relações são refeitas a partir de uma avaliação de seu significado, a identidade pessoal se transforma. Nada mais é como costumava ser. E ainda assim há vida no luto, há esperança de transformação, de recomeço. Porque há um tempo de chegar e um tempo de partir, a vida é feita de pequenos e grandes lutos, através dos quais, o ser humano se dá conta de sua condição de ser mortal.

Bibliografia 
BROMBERG, Maria Helena P.F. "A psicoterapia em situações de perdas e luto". São Paulo, Editorial Psy II, 1994.
FREUD, Sigmund . &ldquoLuto e Melancolia&rdquo. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XIV, Imago, Rio de Janeiro, 1914-1916.    
FREUD, Sigmund . Reflexões para os Tempos de Guerra e Morte. Edição   
Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XIV, Imago, Rio de Janeiro, 1914-1916.  
FREUD, Sigmund . Sonhos com Mortos. Edição Standard Brasileira das Obras            
Pvol.IV e V. Imago, Rio de Janeiro,  1987   sicológicas Completas de Sigmund Freud,
KASTENBAUM, R. e AISENBERG, R. Psicologia da morte. Editora da USP, São Paulo, 1983.  
KOVÁCS, Maria Julia. Morte e Desenvolvimento Humano. 2a.ed. Casa do Psicologo, São Paulo, 1998.  
KÜBLER-ROSS, Elizabeth. Sobre a morte e o morrer. 8ª edição. Martins Fontes, São Paulo, 1997.  
MANNONI, Maud. O nomeável e o inominável.  Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1995.  
MIRCEA, Elíade.  The Encyclopedia of Religion.  Collier Macmillan,  New  York, 1987.
TORRES, W.C. e outros. A psicologia




MUDANÇA DE COMPORTAMENTO
Mudança de comportamento, conjunto de métodos psicológicos para o tratamento de distúrbios de adaptação e modificação dos estilos de comportamento observáveis. Dois tipos de investigação ajudaram a determinar o campo de modificações de comportamento: a generalização dos princípios do condicionamento de Pavlov aos problemas clínicos (como a enurese noturna e o alcoolismo) e a aplicação do condicionamento instrumental de Skinner à educação e tratamento das crianças deficientes e doentes psiquiátricos. No início da década de 1960, a mudança de comportamento passou a ser uma especialidade aplicada da psicologia em seus dois ramos: terapia do comportamento e análise aplicada.
Tecnicas de Modificação de Comportamento

As técnicas mais utilizadas em mudança de comportamento adquiriram nomes específicos: dessensibilização sistemática, terapia aversiva e bio-feedback ("realimentação"). A dessensibilização sistemática trata dos distúrbios com origem conhecida, como as fobias. A terapia aversiva é empregada para eliminar hábitos perniciosos. Por último, o bio-feedback é usado no tratamento de alterações comportamentais que têm uma base física. A terapia do comportamento interessa-se, exclusivamente, pelas alterações comportamentais propriamente ditas, sem procurar conhecer suas causas. Por esta razão, no campo da psicologia, são muitos os que a repelem.


NEUROSE
Para diagnosticar uma neurose, o profissional precisa descartar a possibilidade de se tratar de um problema orgânico ou de problemas de comportamento anti-social, que caracterizariam uma psicose. Os sintomas da neurose podem ser comuns a outras patologias, como é o caso da depressão, irritabilidade, insônia, hipocondria, taquicardia e outros sintomas que podem ser característicos de outros males. Estes sintomas podem, inclusive, camuflar os sintomas específicos, dificultando o diagnóstico de neurose.
 
O quadro de neurose é caracterizado especificamente por angústia, fobias, obsessões, conversões, impotência sexual e outras inibições. O neurótico sofre de uma expectativa desagradável, causada pela angústia ou ansiedade, de que alguma coisa ruim vai acontecer. É um medo sem causa, indefinível, mas que toma o indivíduo completamente, podendo se caracterizar por uma simples intranqüilidade ou por estados gradualmente mais graves até uma angústia catastrófica e terrível. As obsessões são idéias bloqueadas pela censura para que não causem danos à consciência e que aparecem de forma distorcida e se fixam de forma torturante. 

O paciente também sofre de conversão, onde os conflitos psíquicos são transformados em sintomas que podem ser paralisias, cegueira, convulsões, dores e outros. Quando sintomas específicos predominam no quadro clínico, podemos identificar neuroses específicas que podem ser de angústia, fóbica, obsessiva e histérica, dentre outras. A neurose pode se estabelecer a partir de situações externas, ambientais e identificáveis e, nestes casos, dizemos que se trata de uma neurose traumática, que depende também da predisposição do indivíduo. As causas das neuroses ainda são bastante discutidas e as idéias diferenciam-se entre as diversas teorias e abordagens. Com todas as diferenças, a maioria das conceitualizações acerca das neuroses consideram-nas produzidas por conflitos emocionais. O tratamento das neuroses pode ser de caráter somático e/ou psicoterápico. O paciente pode ser submetido ao uso de tranqüilizantes, sedativos, sugestão, hipnose, análise e outros métodos terapêuticos em grupo ou individualmente.


O INCONSCIENTE
O inconsciente é o objeto de estudo da psicanálise e, para as linhas dinâmicas, ele é o responsável pela organização do psiquismo humano, é a base de toda a vida psíquica. Para as abordagens psicodinâmicas, os fenômenos conscientes são apenas uma manifestação do inconsciente. Outras manifestações do inconsciente são o sonho, a histeria, atos falhos, lapsos e outras. 

O termo inconsciente, utilizado de forma adjetiva, pode ser usado para se referir a coisas que não estão conscientes. Esta seria uma definição num sentido descritivo porque, num sentido tópico, o inconsciente designa um dos sistemas do aparelho psíquico definido por Freud, que se constitui de conteúdos, aos quais foi negado o acesso ao plano da consciência, por se tratarem sempre de algo penoso para o indivíduo. O inconsciente pode representar o ponto mais importante da descoberta Freudiana. 

A noção de inconsciente na psicanálise, surgiu das experiências de tratamento realizadas por Freud, que demonstrou que o mundo psíquico não pode ser reduzido aos conteúdos conscientes e que certos conteúdos só se tornam acessíveis depois que superamos algumas resistências ou repressões. Freud considerava a existência do inconsciente como um “lugar psíquico”, especial, que deve ser concebido como um sistema que possui conteúdos, mecanismos e provavelmente uma “energia” específica. O sonho foi o principal caminho que Freud trilhou para a descoberta do inconsciente. Para o inconsciente, não existem as noções de passado e presente e os conteúdos podem já terem sido conscientes ou podem ser genuinamente inconscientes.


OS COMPLEXOS

O senso comum utiliza-se bastante do termo “complexo” para se referir a complexo de inferioridade, de superioridade e outros mais que se referem de forma equivocada a este termo introduzido por Jung. Os complexos foram descobertos por ele durante seus experimentos com associações. Jung começou a perceber que algumas palavras indutoras provocavam reações perturbadoras que revelavam o contato com conteúdos emocionais ocultos e são estes conteúdos que Jung denominou “complexos”. Os complexos são agrupamentos de conteúdos psíquicos carregados de afetividade que estabelecem associações com outros elementos, formando unidades vivas que possuem existência autônoma e que atraem todos os fenômenos psíquicos que ocorram ao alcance de seu campo de ação. O complexo interfere na vida consciente, envolvendo-nos em situações contraditórias, provocando lapsos e gafes, perturbando a memória, arquitetando sonhos e sintomas neuróticos. 

A causa mais freqüente da origem dos complexos são os conflitos, mas choques e traumas emocionais também são suficientes para sua formação. O bem-estar ou mal-estar da vida de cada pessoa depende dos complexos, que têm maior ou menor autonomia, dependendo da conexão maior ou menor com a totalidade da organização psíquica. Apesar do mal-estar que os complexos podem causar, a psicologia junguiana não os consideram como elementos patológicos, mas como sinal de conteúdos conflitivos que não foram assimilados. Os complexos podem ainda significar uma nova possibilidade de atuação, podem funcionar como um estímulo para que o indivíduo se esforce mais para sua própria realização. A patologia só aparece quando os complexos exigem uma quantidade muito grande de energia psíquica para si. Para que um complexo seja assimilado é necessário que o indivíduo compreenda os conflitos em termos intelectuais, mas que também exteriorize os afetos envolvidos, através de descargas emocionais que eram realizadas pelos antigos através de danças e cantos repetidos. Mesmo em bibliografias do próprio Jung, o conceito de complexo pode aparecer de forma diferenciada, porque, afinal, é mais uma complexidade da psique humana que está sendo estudada incessantemente.


PARANÓIA
No senso comum, a paranóia caracteriza-se como uma dificuldade de relacionamento, a pessoa começa a achar que os outros estão sempre contra ela, é muito desconfiada, e esta caracterização do senso comum pode apontar, apenas, para pessoas inseguras. A paranóia é um quadro psicótico onde a pessoa descreve tramas contra si própria, onde há um sentimento de perseguição, a pessoa sente-se como se o mundo estivesse contra ela e tudo que acontece parece ser uma conspiração. 

Para o paciente paranóico, até mesmo familiares, amigos e vizinhos podem estar envolvidos na conspiração. A pessoa diz que as pessoas da rua, da televisão e do rádio falam mal dela, que fazem “macumba” contra ela e geralmente refere-se a gravadores, câmeras escondidas e outros aparelhos que a ficam vigiando tempo integral. Mostrar a um paciente que tudo isto que ele relata é irreal, é uma atitude inútil, porque este tipo de avaliação errônea da realidade é um delírio. 

O paciente ainda apresenta outras complicações como alucinações auditivas, onde ouve vozes que o ofendem ou comentam seus atos e que, em alguns casos, podem ser vozes que ordenam coisas que o paciente sente-se incapaz de desobedecer. Alguns paranóicos podem negar que estão ouvindo vozes, mas se o profissional observá-lo cuidadosamente, pode surpreendê-los falando sozinhos ou rindo sem motivo, como se estivessem ouvindo algo. O paciente pode se referir a uma perda do controle de seus atos e pode, também, interromper seu discurso ou começar a falar coisas sem sentido, sem conexão com o assunto anterior. Muitas vezes o paranóico pensa que os outros podem saber o que ele está pensando e tem a sensação de que seus pensamentos saem de sua cabeça como um alto-falante. Em alguns casos o paranóico pode se tornar agressivo.
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PERCEPÇÃO
Para a maioria dos profissionais em psicologia, a percepção diz respeito ao processo através do qual os objetos, pessoas, situações ou acontecimentos reais se tornam conscientes. É através da percepção que o ser humano conhece o mundo à sua volta de forma total e complexa. A percepção distingue-se da memória, porque diz respeito a acontecimentos presentes e também é diferente da inteligência e pensamento na medida em que se refere a situações concretas.
 
A percepção é mais um conceito em psicologia que possui diferentes considerações, a depender da abordagem teórica. Ela pode ser entendida como produto de vários elementos sensitivos ligados a experiências que o indivíduo tem anteriormente, pode ser entendida de maneira bem global, sendo irredutível às sensações, ou pode ter características tão amplas que se confunde com qualquer processo cognoscitivo. Para que o objeto possa ser percebido, ele deve se destacar do mundo fenomenológico, possuindo uma estrutura interna maior do que os outros objetos que o cercam para que se constitua uma “boa figura”, caracterizando o resto como “fundo” sobre o qual ele se destaca. 

A “figura” e o “fundo” podem sofrer modificações, dependendo de diversos fatores relacionados com a percepção. A estimulação é fundamental na definição do que constitui a “figura” e no que constitui o “fundo”. Muitas vezes a passagem de “figura” para “fundo” e vice-versa acontece por causa da saturação produzida pelo sistema nervoso quando a estimulação torna-se excessiva. A atitude de um indivíduo, a movimentação do objeto, movimentação da cabeça, interposição dos objetos, tamanho relativo, perspectiva linear e o jogo de luzes e sombras também são alguns dos fatores que determinam o que se define como “figura” e o que se caracteriza como “fundo”. A percepção depende de uma série de fatores precisos, mesmo quando se trata da percepção de um movimento ilusório ou da movimentação de outro objeto que não o que realmente se move.


PERSONALIDADE
Personalidade é um termo que apresenta muitas variações de significado. Em geral representa uma noção de unidade integrativa do ser humano, pressupondo uma idéia de totalidade. No senso comum é usada para se referir à capacidade de rápidas tomadas de decisão, para se referir a uma característica marcante da pessoa, como timidez ou extroversão por exemplo, ou ainda para se referir a alguém importante ou ilustre: “uma personalidade”. A personalidade atribuída a uma pessoa pode definir, para o senso comum, se esta pessoa é boa ou má. A psicologia evita este juízo de valor. A personalidade seria um conjunto de características que diferenciam os indivíduos. 
Estes atributos seriam permanentes e dizem respeito à constituição, temperamento, inteligência, caráter, um jeito específico de se comportar. Para as teorias que utilizam o conceito de personalidade, ela significa a “organização dinâmica dos aspectos cognitivos, afetivos, fisiológicos e morfológicos do indivíduo”. Fala-se também em personalidade básica, que seriam as atitudes, tendências, valores e sentimentos dos membros de uma sociedade. A personalidade pressupõe a possibilidade de um indivíduo se diferenciar, ser original e ter particularidades. Através desta idéia pode-se predizer o que a pessoa fará em determinada situação, pode-se ter idéia de como ela reagiria. Nem todas as teorias trabalham com este conceito porque ele tem uma noção implícita de estrutura, de estabilidade e portanto de características que não mudam. 
No entanto, ela é fruto de uma organização progressiva do ser humano e não apenas entendida como um fenômeno em si. Ela evolui de acordo com a organização interna do indivíduo. A psicanálise afirma que a estrutura da personalidade já está formada aos quatro ou cinco anos de idade, enquanto que, para Piaget, ela começa a se formar entre os oito e doze anos. O caráter, temperamento e os traços de personalidade são termos que se referem a esta noção. Alguns distúrbios podem se relacionar à personalidade, gerando conceitos patológicos, como é o caso da personalidade múltipla (ver em amnésia).





PSICANÁLISE

A psicanálise nasce na Áustria e tem como grande criador Sigmund Freud (1856 - 1939), que era médico em Viena e fundamenta a psicanálise na prática médica, recuperando para a psicologia a importância da afetividade. O objeto de estudo da psicanálise é o inconsciente, o que quebra com a tradição da psicologia como ciência da consciência e da razão. Esta linha teórica ousou colocar “processos misteriosos” do psiquismo, as “regiões obscuras”, como é o caso das fantasias, dos sonhos, esquecimentos e outros problemas internos do homem, como problemas científicos. Foi a investigação destes processos psíquicos que levou Freud à criação da psicanálise. A teoria baseia-se em conhecimentos sistematizados sobre o funcionamento da vida psíquica, caracterizando leis gerais sobre a psique humana.
 
A psicanálise utiliza-se da interpretação para buscar o significado oculto das coisas. Seu método de investigação consiste em buscar o significado inconsciente das palavras, ações e produções imaginárias de um indivíduo. Este método é baseado em associações livres do indivíduo, que dão validade às interpretações. Os psicanalistas têm uma prática para o tratamento psicológico, através da análise psicoterápica que visa cura ou auto-conhecimento. O paciente é analisado e, como nada sabe, ou sabe muito pouco a respeito dos motivos de sua doença, o profissional tem como função lhe ensinar a compreender a composição das formações psíquicas mais complicadas, reduzindo os sintomas que provocam sofrimento. Toda a psicanálise está muito vinculada ao trajeto pessoal de Freud, porque grande parte da produção de conhecimento teórico foi baseada em experiências pessoais do autor, que foram transcritas em várias obras. Freud formou-se em medicina na universidade de Viena em 1881.
 
Especializou-se em psiquiatria, trabalhou em um laboratório de fisiologia e deu aulas de neuropatologia. Ele começou a clinicar por problemas financeiros e seus pacientes eram pessoas que sofriam de “problemas nervosos”. Quando terminou a residência, Freud ganhou uma bolsa para estudar em Paris, onde trabalhou com Charcot, um psiquiatra francês que tratava as histerias através da hipnose. Esta prática foi utilizada por Freud quando ele voltou a Viena e, nesta ocasião, teve um importante contato com Josef Breuer, que ajudou na continuidade das investigações. Breuer era médico famoso e tratava de um caso muito significativo. A paciente chamava-se Ana O. e sofria de distúrbios somáticos que produziam paralisia com contratura muscular, inibições e dificuldade de pensamento. 

Nesta época, Ana O. cuidava do pai doente e a conclusão do tratamento foi que ela tinha pensamentos e afetos em relação ao desejo de que o pai morresse. Estas idéias e pensamentos foram reprimidos e substituídos por sintomas que só eram esclarecidos sob hipnose, onde a paciente relatava as suas origens. Segundo Freud a rememoração destes sintomas fazia com que eles desaparecessem. Breuer parou de trabalhar com hipnose, porque nem todos os pacientes prestavam-se a ser hipnotizados e, portanto, mudou sua técnica para a concentração que se dava através da conversação normal. A principal função da clínica psicanalítica, que se dá através da análise, é buscar a origem dos sintomas ou dos comportamentos manifestos, ou do que a pessoa verbaliza. Para atingir os objetivos da psicanálise, é necessário vencer as resistências do indivíduo que impedem o acesso ao inconsciente. A psicanálise entrou em modismo, o que levou diversos autores a produzirem, em nome desta teoria, trabalhos cujo conteúdo, métodos e até mesmo os resultados, não condizem com a psicanálise propriamente dita.


PSICOLOGIA INFANTIL
Psicologia Infantil é o estudo do comportamento infantil que inclui características físicas, cognitivas, motoras, lingüísticas, perceptivas, sociais e emocionais, desde o nascimento até a adolescência. As duas questões básicas para os psicólogos infantis são: determinar como as variáveis ambientais (o comportamento dos pais, por exemplo) e as características biológicas (as predisposições genéticas) interagem no comportamento e estudar como essas mudanças se relacionam e influem mutuamente.
Estudo Científico
No século XIX, a teoria da evolução de Darwin impulsionou o exame científico do desenvolvimento infantil. O instinto de sobrevivência das muitas espécies animais estimulou o interesse pela observação das crianças, para identificar as diferentes formas de adaptação ao ambiente e o peso da herança em seu comportamento. Em 1916, Lewis Terman introduziu o teste de inteligência (teste de Stanford–Binet), que conduziu a uma série de estudos sobre o desenvolvimento intelectual da criança. Na década de 1920, Arnold Gesell analisou o comportamento infantil através de filmagens, nas quais as crianças foram observadas em idades diferentes, estabelecendo pela primeira vez um desenvolvimento intelectual por etapas, semelhante ao seu desenvolvimento físico.
Estudos Ambientais
Sigmund Freud insistiu no efeito das variáveis ambientais e na importância do comportamento dos pais durante a infância dos filhos. John B. Watson, principal representante do behaviorismo, analisou as variáveis ambientais como estímulos progressivamente associados a respostas. No início da década de 1960, Jean Piaget utilizou métodos de observação e experimentação que integram variáveis psicológicas e ambientais.
Teorias Evolutivas ou de Desenvolvimento
As teorias evolutivas relacionam características do comportamento com etapas específicas do crescimento. A teoria freudiana da personalidade e a teoria da percepção e cognição de Piaget são as principais. Ambas explicam o desenvolvimento humano em termos interativos. Segundo Freud, uma personalidade sadia baseia-se na satisfação de necessidades instintivas. Por sua vez, Piaget afirmou que, desde o nascimento, os seres humanos aprendem ativamente, inclusive sem incentivos externos.
Desenvolvimento Infantil
Os diversos aspectos do desenvolvimento da criança abrangem o crescimento físico, as mudanças psicológicas e emocionais e a adaptação social. Existe uma concordância geral de que os modelos de seu desenvolvimento estão determinados por condições genéticas e circunstâncias ambientais: existe um componente genético nas características da personalidade; o crescimento físico depende da saúde; até os dois anos de idade, ocorrem as mudanças mais drásticas na atividade motora. A velocidade para adquirir estas capacidades é determinada de forma congênita. 
Destaca-se a capacidade para compreender e utilizar a linguagem: Noam Chomsky estabeleceu que o cérebro humano está especialmente estruturado para isso, porque esta capacidade não requer uma aprendizagem formal e se desenvolve desde que a criança tem seus primeiros contatos com o mundo exterior. Por outro lado, a formação da personalidade é considerada um processo pelo qual as crianças aprendem a evitar os conflitos e a administrá-los quando aparecem. Os pais excessivamente austeros ou permissivos podem limitar as chances de uma criança tentar evitar ou controlar seus problemas. Está claro que as atitudes dos pais e seus valores influem no desenvolvimento dos filhos. 
As relações sociais infantis supõem interação e coordenação dos interesses mútuos, onde são adquiridos modelos de comportamento social através dos jogos. Além disso, a criança aprende a necessidade de um comportamento cooperativo e de uma organização para alcançar objetivos em grupo. As crianças aprendem o que é aceitável e inaceitável no seu comportamento e, mediante a socialização, conhecem o conceito de moralidade. O pensamento moral apresenta um nível inferior (a regra se cumpre sozinha para evitar o castigo) e um superior (a pessoa compreende racionalmente os princípios morais universais necessários para a sobrevivência social).
Tendências Atuais 
Atualmente, os psicólogos concordam que determinados fatores de risco biológico, como crianças que nascem abaixo do peso normal, a falta de oxigênio antes ou durante o parto e outros problemas físicos ou fisiológicos, são importantes para o seu desenvolvimento e comportamento posteriores. Também se investiga o papel das variáveis cognitivas na aprendizagem dos papéis sexuais e os estereótipos sobre as diferenças de sexo. Os modelos sexuais foram definidos na nossa cultura, mas a pressão favorável para a mudança destes modelos está rompendo pouco a pouco estes estereótipos, permitindo que um indivíduo mude ou adapte seu comportamento às exigências das situações específicas com as quais vai conviver.





PSICOLOGIA SOCIAL

Nascimento da psicologia Social
Nasce na segunda metade do Séc XIX, em alguns países da Europa, e um pouco mais tarde nos Estados Unidos e outros países.
Para alguns, a Psicologia Social surgiu no ano de 1859, junto com a edição da revista “ Grande Enciclopédia Soviética”, de Steintahl e Lazarus.  Esta revista coloca a Psicologia Social como um ramo da psicologia burguesa.
Para outros, a Psicologia Social surge nos últimos anos do séc.XIX, junto ao processo de psicologização da Sociologia.
Como se pode observar, não há um consenso quanto à data e ao contexto em que nasceu a Psicologia Social.
A Psicologia Social não-soviética tem em comum com a Sociologia burguesa a tendência a justificar a ideologia do capitalismo. Mas não se pode reduzir a Psicologia Social burguesa à sua função ideológica; ela também se ocupa de problemas reais, e dispõe de métodos para obter e elaborar a informação científica.
Segundo Kuzmin, a Psicologia Social tomou dois caminhos distintos: um tenta atender as necessidades da Psicologia; o outro, atende à política das classes dominantes (tal como a Sociologia burguesa). Assim sendo, torna-se difícil afirmar que a Psicologia Social está mais próxima da Psicologia ou da Sociologia.
Para Mansurov, a Psicologia Social surge graças aos êxitos das várias Ciências Sociais. Entretanto, reconhece que só esse motivo não foi o bastante; o que influiu mesmo foram os interesses ideológicos e políticos da burguesia.
Mansurov reforça a idéia dos que vêem a Psicologia Social como um ramo da Sociologia burguesa, pronta para defender a classe dominante do crescente movimento revolucionário da classe operária.
Segundo Pariguin (autor do texto), a Psicologia Social vai muito além desse caráter ideológico que alguns estudiosos tentam impor a ela. Seria medíocre acreditar numa Psicologia Social servindo apenas aos interesses de uma minoria.
Quem fugiu um pouco dessa análise simplista foi I.S.Kon, relacionando o surgimento da Psicologia Social com a psicologização da Sociologia. Para ele, a Psicologia do meado do nosso século ignorava os fatores sociais e a natureza específica da consciência coletiva. Ocupava-se apenas da Psicologia do indivíduo.
Para o autor, considerar as raízes gnosiológicas da Psicologia Social é tão importante quanto considerar suas raízes sociais. Assim sendo, a Psicologia Social surge também para atender as necessidades do desenvolvimento do saber científico.

            
Fontes da Psicologia Social:

Gordon Allport aponta Platão como fundador da tendência irracionalista na Psicologia Social. Isso porque Platão subestimava a capacidade de raciocínio das massas. De um modo geral, os filósofos antigos desprezavam o papel das massas populares na sociedade.
Helvécio destacava a importância do meio social para a educação do homem x  o papel da consciência e das paixões do indivíduo para o desenvolvimento da sociedade.
Feuerbach deu ênfase ao fator emocional no processo de comunicação das pessoas, e às relações humanas no desenvolvimento de todas as relações sociais.
Hegel foi um dos que psicologizaram o processo histórico. Ele justificava as ações das massas como advindas de suas necessidades e paixões.
Muitas questões relativas à Psicologia Social estão presentes nas obras dos primeiros pensadores burgueses. A despeito disso, não podemos considerá-los fundadores da Psicologia Social como disciplina científica independente.
Impensável também, creditar aos idealistas subjetivos a criação da Psicologia Social, visto que eles tinham como realidade única o mundo subjetivo da pessoa.
E os idealistas objetivos ? Consideravam como realidade única tão somente a idéia absoluta. Também estão descartados como criadores da Psicologia Social.
A luta de classes, que foi o fio condutor das revoluções burguesas dos séculos XVII-XIX, trouxe à tona a necessidade de um estudo acerca da psicologia dos movimentos de massas, para a compreensão adequada do sentido dos acontecimentos históricos.
Nesse momento de crise da tradicional concepção idealista da história, quem melhor traduziu as particularidades psicossociais de certas camadas foi Balzac, com seus retratos sobre os tipos sociais da França do séc. XIX.
Balzac conseguiu atrair a atenção de filósofos e sociólogos para os problemas da psicologia das classes, através da sua arte.
Para Labriola, foi Balzac, e não Augusto Comte, quem descobriu a psicologia  de classes.
Indo de encontro ao pensamento burguês, os historiadores franceses Thierry, Mignet e Guizot foram os primeiros a reconhecer o papel relevante das massas populares na história.
Segundo Thierry, é mais cômodo para a maioria dos historiadores atribuir a algum herói certas mudanças de ordem profunda na sociedade, ao invés de admitir o papel imprescindível do povo nessas mudanças.
Os trabalhos de Marx e Engels tiveram grande influência sobre os sociólogos e psicólogos burgueses, que passaram a considerar o movimento revolucionário das massas como força progressista do desenvolvimento histórico.
O estudo da psicologia dos povos e das massas é fator originante da Psicologia Social.

            
Nascimento da Psicologia como ramo de destintos setores da sociologia:

Vários setores da Sociologia tinham interesse pelo desenvolvimento da Psicologia Social. A Lingüística, por exemplo, foi primordial para a Psicologia Social propriamente dita, através dos trabalhos de Lazarus, Stheinthal, e até mesmo de Wilhelm Wundt.
Além da Lingüística, influíram também a Antropologia, a Etnografia e a Arqueologia. Mais especificamente na área psicológica, encontramos influências da Psicologia Geral e da Psiquiatria.
Podemos localizar as primeiras bases da orientação psicossocial na Psicologia, nos trabalhos dos psicólogos Baudouin e McDougall, Wundt e Ribot.
No início do séc. XX, o psiquiatra Sigmund Freud utilizou-se da Psicologia Social para estudar o caráter social e psiquicamente condicionado das neuroses e psicoses de massas.
Particularidades do nascimento da corrente psicológica na sociedade burguesa:
Cronologicamente, podemos situar o processo de psicologização da Sociologia burguesa na última década do século passado. Aceito esse processo, muitos sociólogos burgueses não tiveram outra saída a não ser admitir que “ ao século dos heróis sucedia o século das massas”, como afirmou o sociólogo e publicista francês G. Le Bon.
Mas, apesar de reconhecerem o poder das massas, os sociólogos burgueses e os psicólogos sociais ainda guardavam resquícios das tradições filosóficas. Reforçando essas tradições, a defesa do capitalismo apontava o movimento revolucionário das massas como algo irracional e destrutivo.
Dessa forma, os psicossociólogos burgueses não foram capazes de legitimar o importante papel das massas na história, dentro de uma concepção científica.
O psicossociólogo G. Tarde e o sociólogo Mikhailovski consideravam de fundamental importância a autoridade do herói e seu poder de sugestão sobre o inconsciente coletivo. Acreditavam que o povo necessita de um modelo a ser imitado, por não ser capaz de agir de forma consciente.
Vendo na Psicologia Social um instrumento ideológico, pronto para defender a exploração dos trabalhadores, reacionários como G. Tarde, Le Bon e Sighele elaboraram a Psicologia Social nessa direção, tratando os povos como anarquistas e bandidos, destruidores da ordem.
Para Le Bon, conhecer as particularidades psicológicas de um povo é o primeiro passo para dominá-lo.
A Psicologia Social como ciência independente nasce entre 1930-1940.
Etapas fundamentais do desenvolvimento da psicologia social burguesa. Seus ramos e traços característicos

            
A psicologia social burguesa do final do séc . XIX e inicio do séc . XX: 

Podemos distinguir duas etapas no desenvolvimento da Psicologia Social burguesa: a primeira vai da segunda metade do séc. XIX até o primeiro quartel do séc. XX; a segunda vai desse período até os dias atuais.
No primeiro período, duas tendências são notadas: uma vê a psicologia do indivíduo como produto da sociedade; outra está centrada no indivíduo ( psico-individual ), e tenta  explicar tanto a psicologia da sociedade como todas as outras manifestações da vida social. Dentro desta tendência, encontram-se duas correntes: a organicista e da psicologia profunda.
Os organicistas baseavam-se nas reações psíquicas elementares que o homem herdou dos animais, para explicar os fenômenos da vida social.
Os que se ocuparam da psicologia profunda ( dentre eles, Freud ) tentavam descobrir o mecanismo psicológico da conduta do indivíduo, considerando o impulso sexual. Contudo, a concepção psicossocial de Freud é anti-científica.
Diferentemente de Freud, Mikhailovski e G. Tarde situavam os processos psíquicos inconscientes na autoridade do indivíduo e na capacidade imitativa das massas.
Apesar das divergências todos os representantes da psicologia profunda procuravam explicar a vida social por fatores psicológicos.
Entre fins do séc. XIX e início do séc. XX, desenvolveu-se na Psicologia Social a tendência sociológica, que colocava o indivíduo como produto da sociedade. Ribot, Blondel e Piaget defendiam essa idéia.

Outra corrente que surge nesse período na Psicologia Social é a tendência biossocial. Os neopositivistas P. Caullet e E. V. de Roberti foram representantes dessa corrente. 
Augusto Comte enfatiza o caráter socialmente condicionado da psique humana; Durkheim fala do caráter socialmente determinado das funções psíquicas.
Dentro da corrente biossocial, surge o behaviorismo, que considerava os fatores biológicos, interagindo com os processos fisiológicos e o meio social.
O behaviorismo, que teve seu auge durante a Primeira Guerra Mundial, mais tarde foi perdendo terreno para a psicologia profunda, sobretudo para o freudismo, e depois para o neofreudismo.
Um aspecto relevante da Psicologia Social burguesa é a sua tendência ao monismo, como se um único fenômeno pudesse explicar toda a Psicologia.
Outra característica desse período é a concepção irracionalista do homem, de sua psique e de sua conduta. Este pensamento ia de encontro às idéias racionalista de Kant, Hegel e Herbart.
O rápido desenvolvimento das concepções irracionalistas na Psicologia Social tinham base na crise política e ideológica, e também na Filosofia burguesa.
Na Psicologia Social desse período também destacava-se o conceptualismo, que pretensamente elaborava esquemas teóricos gerais para explicar todos os fenômenos sociais.

            
A psicologia social bruguesa no sec. XX:

Entre os anos 20 e momento atual situa-se a segunda grande etapa da história da Psicologia Social burguesa.
A função aplicada da Psicologia Social nesta fase faz com que diminua o interesse dos psicólogos pelas questões teóricas. Passa-se das amplas generalizações filosóficas para o estudo de pequenas esferas e pequenos grupos sociais.
Após a Segunda Guerra Mundial, os sociólogos e psicólogos sociais burgueses direcionaram seu  objeto de estudo para os pequenos grupos sociais. A partir daí, o pequeno grupo passa a ser visto como a espinha dorsal de toda a estrutura da Psicologia Social.
Esta concepção microssociológica tem a intenção de mascarar as diferenças de classes, aparentando uma homogeneidade social na sociedade burguesa contemporânea.
Uma das características desta corrente é a tentativa de fundamentar o empirismo como método fundamental de investigação.
A oposição entre os métodos empíricos de investigação e a teoria vem comprovar a grande crise metodológica da moderna Psicologia Social burguesa.
Em 1924, Allport generalizou a experiência das primeiras investigações experimentais, assentando as primeiras bases da elaboração metodológica dos problemas relacionados com a experimentação psicossocial.
Embora o experimento psicossocial mereça seu reconhecido valor, não podemos considerá-lo como uma descoberta original da Psicologia Social.
Segundo o psicossociólogo C2urtis, atualmente os psicólogos sociais burgueses defendem a idéia de interação  ( sociedade – indivíduo).
Surgiram novas correntes, como neobehaviorismo e a sociometria, dentre outras.
Uma novidade da Psicologia Social burguesa é o princípio da condicionalidade social. Os sociólogos Parsons e Mead criaram a “teoria dos papéis”.
Essa novas tendências afetam também a concepção freudiana, que passa a considerar as inclinações do homem como resultado da influência do “meio sociológico”.


PSICANÁLISE
A psicose é utilizada em diferentes sentidos e em diversas situações. É comum que tenhamos contato com este termo através de filmes e livros, os quais se referem a um comportamento anormal, ou ainda como referência de um medo ou terror, que acomete várias pessoas ao mesmo tempo, aparecendo como “psicose coletiva”. As definições em psiquiatria também são muitas e não há nenhuma plenamente satisfatória. A psicose é caracterizada por alterações psicológicas muito graves e muito mais comprometedoras que outros distúrbios, como é o caso da neurose. 
Para diagnosticar uma psicose, o profissional observa o nível de consciência do paciente, se ele está sonolento, desperto ou em vigília, se é capaz de se concentrar, de memorizar, se tem noção de tempo e de espaço, se reage afetivamente, se tem idéias a respeito das coisas que se lhe apresentam, se é capaz de raciocinar e se tem percepção e juízo da realidade. Todas estas observações apontam o nível de comprometimento apresentado por um psicótico. A característica psicológica que apresenta um nível de comprometimento mais preocupante é o juízo da realidade apresentado pelo paciente. A comunicação fica quase totalmente prejudicada, porque esta síndrome provoca a incapacidade de reconhecer fatos e fazer relações entre eles. A principal alteração do juízo é caracterizada pelo aparecimento do delírio, onde o paciente distorce totalmente a realidade e acredita plenamente nas suas fantasias, ficando irredutível a qualquer tentativa de argumentação lógica. 
A psicose não se refere a uma doença específica, trata-se de uma síndrome, ou seja, de um conjunto de doenças diferentes, que possuem sinais e sintomas semelhantes. A esquizofrenia é um dos quadros psicóticos de maior importância (ver esquizofrenia). As doenças afetivas, que se caracterizam por fases de depressão e mania, podem também se apresentar como quadros psicóticos, apresentando os conteúdos afetivos da doença como características do delírio. A fase depressiva apresenta delírios de ruína, de culpa, prejuízo, morte, o paciente se sente responsável por grandes catástrofes mundiais, por guerras e desastres. Na fase maníaca os delírios são de grandeza ou de poder. Os quadros psicóticos são caracterizados também por visões de situações fúnebres, por depressão, a pessoa pode chorar muito e ouvir vozes que podem ser de comando ou podem estar chamando pessoas que já morreram, além de outros delírios. A psicose pode aparecer em qualquer fase da vida.
O autismo é um exemplo de uma psicose típica da infância que se caracteriza por um alheamento e pela falta de contato com as pessoas. O uso de drogas como LSD e cocaína podem causar sintomas psicóticos. O álcool também pode causar alucinose alcoólica e o delirium tremens. Algumas doenças como tumores cerebrais e até a AIDS podem levar ao aparecimento da síndrome. A psicose é tratada com medicamentos e, em casos mais graves, a internação é inevitável, mesmo que tenha como objetivo um tratamento rápido com alta precoce. O indivíduo psicótico não tem consciência do seu estado e, por este motivo, pode recusar a medicação. Estas características da síndrome reforçam a idéia da importância da intervenção da família até que o paciente possa tomar conta de si próprio.





PSICOTERAPIA
Psicoterapia, tratamento dos distúrbios mentais por procedimentos baseados na comunicação verbal e emocional, assim como em outros comportamentos simbólicos.
Psicoterapia Psicanalítica

Estimulado pelas demonstrações de Jean Martin Charcot, Sigmund Freud empregou a hipnose para "desenterrar" a associação livre, mediante a qual os pacientes se aprofundavam no conhecimento do inconsciente, atitude que ele considerava curativa. Alguns dos discípulos mais destacados de Freud fundaram posteriormente escolas próprias. O mais influente foi Karl Gustav Jung, cujos princípios se baseavam em tentar ajudar os pacientes a reconhecer suas próprias forças internas para conseguir o crescimento e a realização pessoal, superando, assim, os conflitos. Outro dos discípulos de Freud foi Alfred Adler, que afirmava que os distúrbios psicológicos provêm de um modo de vida defeituoso, que supõe a adoção de opiniões e metas equivocadas pela falta de interesse social.
Psicoterapia Humanística
A mais clássica das terapias humanistas é a psicoterapia centrada no paciente. Carl Rogers via o indivíduo dirigido por uma tendência inata de sobrevivência e reafirmação que o levaria ao crescimento pessoal, à maturidade e ao enriquecimento vital. Outro enfoque humanista, a terapia de Gestalt, foi desenvolvida pelo alemão Fritz Perls. Ele afirmava que a civilização moderna conduz à neurose, já que a força dos indivíduos para reprimir seus desejos naturais frustra sua tendência inata para adaptar-se biológica e psicologicamente ao ambiente.
Terapia de Comportamento

Esta terapia aplica os métodos próprios da psicologia experimental aos problemas do paciente. Os terapeutas do comportamento não buscam significados ocultos, mas sim, centralizam-se nos fenômenos observáveis e mesuráveis. Recentemente, começaram a prestar mais atenção à influência do pensamento no comportamento e suas terapias; hoje, tem um enfoque mais cognitivo.
Terapia de Grupo

A psicoterapia de grupo é mais barata que a individual e oferece outra vantagens. A interação entre os membros do grupo é considerada como a principal fonte de melhora e o trabalho do terapeuta consiste em controlar e facilitar esta interação. Um tipo especial de tratamento de grupo é a terapia familiar, onde se tenta estabelecer uma relação de entendimento entre seus componentes, logrando, assim, o bem-estar de cada um deles.
Novos enfoques
Desde o final da década de 1960, desenvolveu-se um grande número de métodos terapêuticos novos, alguns deles muito controvertidos como a "terapia fundamental" do psicólogo americano Arthur Janov e a "análise transacional", baseada nos trabalhos de Eric Berne. Outra tendência mais recente é o uso de métodos exatos para superar períodos de crise. Existem dois tipos principais de terapia exata: a primeira dirigida a eliminar a ansiedade e a segunda para romper as defesas habituais do paciente e provocar mudanças.

REBELDIA
De todos os adolescentes são esperados comportamentos rebeldes e a rebeldia já virou, inclusive, sinônimo de adolescência. Esta relação feita entre esta fase da vida e este padrão comportamental faz com que a rebeldia seja entendida como uma característica própria da idade, que passa com o tempo e que, como tal, não pode ser solucionada nem discutida. Na verdade a rebeldia é um comportamento comum na fase adolescente, comum no sentido de freqüente e não de próprio desta fase. O próprio da fase adolescente, universal e que inevitavelmente acontece com todos os jovens normais, são as mudanças corporais, o aparecimento do interesse sexual, a mudança de outros tipos de interesse e uma nova forma de se relacionar com o mundo, que não é mais infantil nem adulta e que, portanto, caracterizam uma fase de transição muito marcante. 

Todas as transformações biológicas e físicas provocam reações diferentes nas pessoas que lidam com o adolescente. Uma grande confusão a respeito do que permitir, o que proibir e o que pode ser aceito desta nova pessoa, acontece com os adultos. Todas as modificações da adolescência provocam conflitos na forma do adulto se relacionar com o adolescente e a sociedade também provoca discussões e leis confusas, que autorizam o voto e outras responsabilidades e desautorizam responsabilidade criminal e outras coisas, fazendo com que a maturidade do jovem seja vista de diferentes formas. Tudo isto é polêmico, controverso e confuso e é este conjunto de coisas que caracteriza o ambiente do adolescente como confuso e conflituoso. A institucionalização das características adolescentes também provocam expectativas de que com todos eles, tudo aconteça exatamente da mesma forma nesta fase e a criança que cresce ouvindo que será assim a partir de determinada idade, provavelmente desenvolve alguns comportamentos para responder ao esperado, sem que isto se desenvolvesse normalmente. 

Frente a estes aspectos, é desleal atribuir à fase adolescente toda a responsabilidade pela rebeldia comum nesta fase. Dependendo da relação familiar e do grupo de convívio do adolescente, suas características podem ser diferentes do esperado. Nem todos os jovens desenvolvem os mesmos comportamentos convencionados como característicos, e nem todas as famílias têm problemas na definição de como educar o adolescente. A rebeldia pode ser apenas uma reação à falta de jeito dos adultos para lidar com esta nova fase, da falta de compreensão, apoio e esclarecimento das modificações, que podem assuntar o jovem, se forem absolutamente desconhecidas, e de outros problemas de trato com esta pessoa, que não pode mais ser tratada como a criança que era, e que não tem maturidade suficiente para assumir uma vida adulta. Se os adultos que se relacionam com o adolescente continuam a tratá-lo como criança, se não conseguem aceitar que os interesses dele são outros e não tiverem condições de estabelecer uma relação de colaboração e confiança, a probabilidade de rebeldia na adolescência continuará sempre fazendo com que esta característica seja marcante nesta fase.



SAÚDE MENTAL
Introdução

Saúde mental, estado que se caracteriza pelo bem estar psíquico e pela auto-aceitação. Vista sob uma perspectiva clínica, é a ausência de distúrbios mentais. Estima-se que uma alta porcentagem da população sofra de depressões leves ou moderadas, ansiedade ou outro tipo de distúrbio emocional. A esta porcentagem deve-se acrescentar o abuso do álcool, a dependência de drogas, a pobreza, o desemprego e a discriminação aos deficientes físicos e mentais. Esses fatores também causam danos à saúde mental.

Tratamento

O tratamento das doenças mentais vem se modificando nas últimas décadas. Os novos métodos e medicamentos permitiram que os pacientes, tradicionalmente internos num manicômio, sejam, hoje, tratados em clínicas sem a necessidade de serem internados. Tudo indica que a perturbação do comportamento dos pacientes deve-se mais à sua reclusão num manicômio do que à própria doença.


SENTIDO DA VIDA
O sentido da Vida

·      Por que estamos aqui ?

·      Quem ou o que fez o mundo ?

·      Por que nós ?

·      De  onde viemos ?

·      Para onde vamos ?

·      Por que existe alguma coisa e não nada ?

·      Qual é a minha verdadeira missão ?

·      Por que sou assim e os outros são de outro jeito ? ...

Na história  do mundo  essa  dúvida  sempre  foi  objeto de reflexões, temores, confrontos, desespero, etc. E as Ciências, as Artes, as Religiões e todas as correntes tentam se aprofundar nestas respostas, às vezes se distanciando ainda mais das questões, como podemos observar através dos tempos.
 
O que sabemos hoje?
O Universo é finito, tendo surgido há 15 bilhões de anos.
É composto de matéria e energia, distribuídas em 200 bilhões de agrupamentos chamados Galáxias, sendo uma , a chamada Via Láctea. Nela , há 100 bilhões de estrelas e , em torno do Sol, uma pequena estrela de 5ª grandeza, orbitam massas planetárias diminutas, sendo uma, nosso planeta, a Terra.
 Aqui na Terra vivem mais de 3 milhões de espécies de diferentes de seres vivos, sendo que só a espécie humana possui mais de 5 bilhões de indivíduos. E apenas um é cada um de nós ! Somos irrepetíveis, pois não só a carga genética, mas também as nossas experiências de vida são únicas.
Enfim ...
Somos  um  em  mais de 5 bilhões de seres humanos , representando uma espécie  entre 3 milhões diversas, vivendo em um planeta que gira em volta de uma estrela , situada no meio de 100 bilhões que compõem uma das  200  bilhões de galáxias  existentes.
E somos talvez a única espécie que tem consciência de que viverá em torno de 60 ou 70 anos e depois morrerá. Talvez por isto que nos sentimos diversas vezes perdidos, com uma sensação de angústia e abandono universal. Afinal, pensamos :  para que tudo isto , para depois acabar ?
O Homem formado pela angústia é formado pela possibilidade e só aquele que a possibilidade forma , está formado na sua infinitude.
(Kierkegaard)
Existem pessoas que fazem de objetos, o sentido e a razão de seu viver. Idolatram carros caros, casas imensas, roupas, jóias ... enfim, querem acumular coisas (mortas / sem vida) e se esquecem de cultivar sentimentos bons por pessoas, animais e pela natureza como um todo. E geralmente, por substituirem valores humanos e essenciais por materiais, sofrem a angústia da solidão, não conseguindo mais enxergar a beleza da vida.
O amor desenfreado pelo dinheiro e por coisas, torna as pessoas mais vazias, insensíveis, infelizes, inseguras e mais angustiadas. A consciência que temos que ter é que o dinheiro é que tem que nos servir, jamais nos tornando escravos dele e deixando a essência de nossa vida de lado.
 
Só podemos nos encontrar quando nos libertarmos das amarras com um mundo somente material. Mas o conforto e a apatia da não reflexão, são mais fáceis e simples do que buscar a essência de nossa existência. Pelo homem estar mergulhado no mundo é que é um homem e não somente uma idéia. E a real essência de sua vida é a sua própria existência, pois a vida é um dom, um presente ... uma busca pelo sentido. O homem é poder ... poder ser o que ele quiser ser. O homem é possibilidade, é projeto, é opção ... É o homem e somente ele que confere sentido a todas as coisas. Somente ele,
 pois as coisas por si só não têm sentido.
O homem tenta fugir de sua capacidade de ser ele mesmo, o que lhe confere um alto grau de responsabilidade, através da busca desenfreada pelo ter. Mas o nosso eu verdadeiro está em nossa existência autêntica, e este eu falso que às vezes criamos por seguir aos apelos do mundo, só gera frustração. Este eu falso superficializa as relações e gera os pré-conceitos, fazendo com que nos tornemos infelizes.
Lembre-se : A vida é curta, breve e finita ... por isto mesmo que é fundamental que a nossa vida valha a pena. Precisamos vivê-la em sua plenitude, pois somos importantes e únicos entre muitos !!! Únicos !
O Sentido da Vida
Para a vida ganhar sentido (significado / direção), é necessário que criemos valores para o existir humano, pois, inventando valores, para as estruturamos uma hierarquia coisas e acontecimentos, de modo a estabelecer uma ordem na qual tudo se localize e encontre seu lugar apropriado.
O mundo construído por nós é o nosso lugar e precisamos nos situar neste lugar, buscando viver harmoniosamente, para sermos felizes. Os valores criam uma moldura onde enquadramos nossos atos e pensamentos, situando-os em um visão de mundo (compreensão da realidade) que informe (dê forma) os nossos conceitos (nossos entendimentos) e, a partir deles, guiamos a nossa existência. São abstratos e, quando são conceitos prévios, que antecedem as nossas ações, são chamados de pré-conceitos.
Por isto que, quando enfrentamos alguém no campo de seus valores e preconceitos, a reação pode ser forte, pois não estamos apenas confrontando idéias, mas sim, pontos de apoio de sua existência. Mas, valores e preconceitos podem mudar porque humanos devem mudar, pois a vida é processo e processo é mudança.
E só o ser humano é capaz de ser diferente ... pois pode ter consciência de tudo isto e muito mais. E pode mudar toda a sua vida, portando-se diferente daqui para frente. Aprendendo com as lições do passado, vislumbrando as visões do futuro e construindo, passo a passo,com amor e dedicação o seu tempo presente.





SIGMUND FREUD


Introdução
 Nascido no ano de 1856 em Freiberg, na Morávia, Sigmund Freud é considerado o pai da psicanálise. Estudou medicina na Universidade de Viena e desde cedo se especializou em neurologia. Seus estudos foram os pioneiros acerca do inconsciente humano e suas motivações. Ele, durante muito tempo (de fins do século passado até início do nosso século), trabalhou na elaboração da psicanálise.
O Método Psicanalítico de Freud
A psicanálise é um método de tratamento para perturbações ou distúrbios nervosos ou psíquicos, ou seja, provenientes da psique; bastante diferente da hipnose ou do método catártico. A terapêutica pela catarse hipnótica deu excelentes resultados, não obstante as inevitáveis relações que se estabeleciam entre médico e paciente. Posteriores investigações levaram Freud a modificar essa técnica, substituindo a hipnose por um método de livre associação de idéias (psicanálise).
O método psicanalítico de Sigmund Freud, consistia em estabelecer relações entre tudo aquilo que o paciente lhe mostrava, desde conversas, comentários feitos por ele, até os mais diversos sinais dados do inconsciente.
O psicanalista deveria "quebrar" os vínculos, os tratos que fazemos ao nos comunicarmos uns com os outros. Ele não poderia ficar sentado ouvindo e compreendendo apenas aquilo que o seu paciente queria dizer conscientemente, mas perceber as entrelinhas daquilo que ele o diz. É o que se chama de quebra do acordo consensual. Há uma ruptura de campo, pois o analista não se restringe somente aos assuntos específicos, e sim ao todo, ao sentido geral.
Freud sempre achou que existia um certo conflito entre os impulsos humanos e as regras que regem a sociedade. Muitas vezes, impulsos irracionais determinam nossos pensamentos, nossas ações e até mesmo nossos sonhos. Estes impulsos são capazes de trazer à tona necessidades básicas do ser humano que foram reprimidas, como por exemplo, o instinto sexual. Freud vai mostrar que estas necessidades vêm à tona disfarçadas de várias maneiras, e nós muitas vezes nem vamos ter consciência desses desejos, de tão reprimidos que estão.
Freud ainda supõe, contrariando aqueles que dizem que a sexualidade só surge no início da puberdade, que existe uma sexualidade infantil, o que era um absurdo para a época. E muitos de nossos desejos sexuais foram reprimidos quando éramos crianças. Estes desejos e instintos, sensibilidade sensitiva que todos nós temos, são a parte inconsciente de nossa mente chamada id. É onde armazenamos tudo o que foi reprimido, todas as nossas necessidades insatisfeitas. “Princípio do prazer” é esta parte que existe em cada um de nós. Mas existe uma função reguladora deste “princípio do prazer”, que atua como uma censura ante aos nossos desejos, que é chamada de ego. Precisamos desta função reguladora para nos adaptarmos ao meio em que vivemos. Nós mesmos começamos a reprimir nossos próprios desejos, já que percebemos que não vamos poder realizar tudo o que quisermos. Vivemos em uma sociedade que é regida por leis morais, as quais tomamos consciência desde pequenos, quando somos educados. A consciência do que podemos ou não fazer, segundo as regras da sociedade em que vivemos é a parte da nossa mente denominada superego (princípio da realidade). O ego, vai se apresentar como o regulador entre o id e o superego, para que possamos conciliar nossos desejos com o que podemos moralmente fazer. O paciente neurótico nada mais é do que uma pessoa que despende energia demais na tentativa de banir de seu consciente tudo aquilo que o incomoda (reprimir), por ser moralmente inaceitável.
A psicanálise se apoia sobre três pilares: a censura, o conteúdo psíquico dos instintos sexuais e o mecanismo de transferência. A censura é representada pelo superego, que inibe os instintos inconscientes para que eles não sejam exteriorizados. Nem sempre isso ocorre, pode ser que eles burlem a censura, por um processo de disfarce, manifestando-se assim com sintomas neuróticos. Existem diversas formas de exteriorizarmos nossos instintos inconscientes: os atos falhos, que podem revelar os segredos mais íntimos e os sonhos. Os atos falhos são ações inconscientes que estão em nosso cotidiano; são coisas que dizemos ou fazemos que um dia tínhamos reprimido. Por exemplo: certo dia, um bispo foi visitar a família de um pastor, que era pai de umas meninas adoráveis e muito comportadas. Este bispo tinha o nariz enorme. O pastor pediu às suas filhas para que não comentassem sobre o nariz do bispo, pois geralmente as crianças começam a rir quando notam este tipo de coisa, já que o mecanismo de censura delas não está totalmente formado. Quando o bispo chegou, as meninas se esforçaram ao máximo para não rirem ou fazerem qualquer comentário a respeito do notável nariz, mas quando a irmã menor foi servir o café, disse:
O senhor aceita um pouco de açúcar no nariz ?
Este é um exemplo de um ato falho, proveniente de uma reprimida vontade ou desejo. Outro meio de tornarmos conscientes nossos desejos mais ocultos é através dos sonhos. Nos sonhos, o nosso inconsciente (id) se comunica com o nosso consciente (ego) e revelamos o que não queremos admitir que desejamos, pelo fato da sociedade recriminar (principalmente os de caráter sexual).
Os instintos sexuais são os mais reprimidos , visto que a religião e a moral da sociedade concorrem para isso. Mas, é aí que o mecanismo de censura torna-se mais falho, permitindo assim que apareçam sintomas neuróticos. Explicando a sua teoria da sexualidade, Freud afirma que há sinais desta logo no início da vida extra uterina, constituindo a libido.
A libido envolve do nascimento à puberdade, períodos de gradativa diferenciação sexual. A primeira fase é chamada de período inicial, onde a libido está direcionada para o próprio corpo, oral e analmente. A segunda fase, o período edipiano, que se caracteriza por uma fixação libidinal passageira entre os 4 e os 5 anos, também conhecida como "complexo de Édipo", pelo qual a libido, já dirigida aos objetos do mundo exterior, fixa a sua atenção no genitor do sexo oposto, num sentido evidentemente incestuoso. Por fim o período de latência, iniciado logo após a fase edipiana, só irá terminar com a puberdade, quando então a libido toma direção sexual definida.
Esses períodos ou fases são essenciais ao desenvolvimento do indivíduo, se ele as resolver bem será sadio, porém qualquer problema que porventura ele tiver em superá-las, certamente iniciará um processo de neurose.
Último dos pilares da psicanálise, a transferência, é também uma arma, um trunfo usado pelos psicanalistas para ajudar no tratamento do paciente. Naturalmente, o paciente irá transferir para o analista as suas pulsões, positivas ou negativas, criando vínculos entre eles. O tratamento psicológico deve, então, ser entendido como uma reeducação do adulto, ou seja, uma correção de sua educação enquanto criança.
Assim, Freud desenvolveu um método de tratamento que se pode igualar a uma “arqueologia da alma”, onde o psicanalista busca trazer à luz as experiências traumáticas passadas que provocaram os distúrbios psíquicos do paciente, fazendo com que assim, ele encontre a cura.
Bibliografia
Shultz, Duane. A History of Modern Psychology. 2° ed., São Paulo: Cultrix LMTA, 1975, 437p.
A Barsa, Enciclopédia. A Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações LMTA, 1992.
Gaarden, Jostein. O Mundo de Sofia. 1ª ed, São Paulo: Cia. das Letras, 1997




SÍNDROME OU TRANSTORNO DO PâNICO
Origem da palavra "Pânico"
É proveniente do grego "panikon" que tem como significado susto ou pavor repetitivo. Na mitologia grega o Deus Pã, que possuía chifres e pés de bode, provocava com seu aparecimento, horror nos pastores e camponeses. Desta forma a palavra tem em nossa língua o significado de medo ou pavor violento e repetitivo. Em Atenas, teria sido erguido na Acrópole um templo ao Deus Pã, ao lado da Ágora, praça do mercado onde se reunia a assembléia popular para discutir os problemas da cidade, sendo daí derivado o termo agorafobia, usado em psiquiatria e que possui como significado o medo de lugares abertos.
Sinonímia
Desordem, Doença, Síndrome, Distúrbio do Pânico.
Introdução
O Transtorno do Pânico ( TP ) é uma entidade clínica recente e era antigamente chamada de neurastenia cardiocirculatória ou doença do coração do soldado ("coração irritável" denominação dada por Da Costa em 1860 durante a guerra civil americana), embora a primeira descrição sintomatológica tenha sido feita por Freud, que a classificou como neurose ansiosa. Até 1980, o quadro foi agrupado sob o título de "neurose de ansiedade" e atualmente este mesmo grupo foi subdividido em Doença do Pânico e Transtorno de Ansiedade Aguda ou Generalizada.
As diferenças clínicas, razão pela qual derivou a subdivisão do grupo em Reações de Ansiedade Aguda e TP, residem no fato de que os fatores geradores da primeira são motivados por agentes externos que ameaçam de forma clara e consistente a vida do indivíduo tais como catástrofes, panes em aviões, trens, veículos, incêndios em teatros e cinemas entre outros.
No distúrbio que deflagra a "crise de pânico" o agente externo freqüentemente encontra-se ausente e a ameaça está dentro do próprio paciente (endógena). Ambas as desordens vem acompanhadas de grande estímulo do sistema nervoso autônomo caracterizados por boca seca, aceleração dos batimentos cardíacos, palpitações, palidez, sudorese e falta de ar. Este conjunto de manifestações qualifica o que se denomina "reação de alarme" adaptando o organismo às situações de fuga, luta ou perigo iminente. Esses achados constituem os elementos básicos para que se cogitena possibilidade de estarmos diante de um paciente portador de TP.
O TP é causa freqüente de procura a psiquiatras e psicoterapeutas sendo considerada uma doença da "modernidade" ligada ao stress cotidiano. É uma patologia real (alguns a rotulam como frescura) e incapacitante devido a seus sintomas extremamente desagradáveis. Só quem padece de TP é que sabe valorizar a intensidade de sua sintomatologia.
O Grande Problema
Este fato é devido em grande parte ao desconhecimento do TP por médicos não especialistas (não psiquiatras) o que determina a demora no diagnóstico do caso com o conseqüente e indesejável desenvolvimento das complicações.
A grande maioria dos pacientes, devido a predominância dos sintomas ligados ao aparelho cardiovascular, são atendidos em pronto-socorros cardiológicos por clínicos e/ou cardiologistas e medicados com fármacos que não são capazes de bloquear as "crises ou ataques de pânico". A medida as crises se sucedem, sem que os pacientes observem melhora, os leva a insegurança e ao desespero. São realizados inúmeros exames sem se chegar a uma conclusão diagnóstica sendo os sintomas atribuídos a situações genéricas como estafa, nervosismo, fraqueza ou com frases do tipo: "o Sr.(a) não tem nada".
Etiologia (causa)
São consideradas possíveis 3 hipóteses básicas:
·         hiperatividade ou disfunção de sistemas ligados aos neurotransmissores (substâncias responsáveis pela transmissão do estímulo nervoso entre as células) cerebrais relacionados com vários elementos dos sistemas de alerta, reação e defesa do Sistema Nervoso Central (SNC).
·         alteração ainda não bem determinada na sensibilidade do SNC a mudanças bruscas de pH e concentrações de CO2 intracerebral e/ou hipersensibilidade de receptores pós-sinápticos (zona distal de contato entre duas células nervosas) de 5 hidroxitriptamina envolvidos no sistema cerebral aversivo.
·         fatores genéticos
Epidemiologia
Pesquisas realizadas nos EUA demonstram que para cada 1000 indivíduos cerca de 1 a 3 são afetados pelo TP.
No Brasil, infelizmente, as estatísticas são inconclusivas.
Ocorre sobretudo em adultos jovens na faixa etária entre 20 e 45 anos de ambos os sexos, com predileção pelo feminino na proporção de 3:1. Nesta faixa etária os pacientes estão na plenitude de seu potencial de trabalho e ao apresentarem a doença são geradas conseqüências desastrosas voltadas tanto para o desenvolvimento profissional quanto social.
Critérios Diagnósticos do TP
O diagnóstico baseia-se nos seguintes critérios segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais ( DSM-IV ) da Associação Psiquiátrica Americana:
Ataques de pânico recorrentes e inesperados. Critérios para o Ataque de Pânico:
Um curto período de intenso medo ou desconforto em que 4 ou mais dos seguintes sintomas aparecem abruptamente e alcançam o pico em cerca de 10 minutos.
·         sudorese
·         palpitações e taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos)
·         tremores ou abalos
·         sensação de falta de ar ou de sufocamento
·         sensação de asfixia
·         náusea ou desconforto abdominal
·         sensação de instabilidade, vertigem, tontura ou desmaio
·         sensação de irrealidade (desrealização) ou despersonalização (estardistante de si mesmo)
·         medo de morrer
·         medo de perder o controle da situação ou enlouquecer
·         parestesias (sensação de anestesia ou formigamento)
·         calafrios ou ondas de calor
Pelo menos um dos ataques ter sido seguido por 1 mês ou mais de uma ou mais das seguintes condições:
·         medo persistente de ter novo ataque
·         preocupação acerca das implicações do ataque ou suas conseqüências (isto é, perda de controle, ter um ataque cardíaco, ficar maluco)
·         uma significativa alteração do comportamento relacionada aos ataques
O Ataque de Pânico não ser devido a efeitos fisiológicos diretos desubstâncias (drogas ou medicamentos) como: álcool, ioimbina, cocaína, crack, cafeína, ecstasy ou de outra condição médica geral (hipertireoidismo, feocromocitoma, etc...)
Os ataques não devem ser conseqüência de outra doença mental, como Fobia Social (exposição a situações sociais que geram medo), Fobia Específica (medo de avião, de elevador, etc...), Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Pós-traumático ou de Separação.
O Ataque e o TP
Devemos observar que existem critérios diagnósticos para considerar um paciente como portador de TP e eles devem ser bem estabelecidos. Um episódio de ataque de pânico isolado não preenche as condições necessárias para o diagnóstico de TP. Os sintomas que caracterizam o ataque devem ser recorrentes e não precipitados por uma situação ou acontecimento externo.
Diagnóstico Diferencial
Se os critérios diagnósticos são preenchidos há grande possibilidade de estarmos diante de um caso de TP, mas como muitos sinais e sintomas coincidem com os de outras doenças orgânicas e psiquiátricas, faz-se mister estabelecer-se o diagnóstico diferencial entre elas:
1. Doenças Orgânicas
a.       hipertireoidismo e hipotireoidismo
b.       hiperpatireoidismo
c.        prolapso da válvula mitral
d.       arritmias cardíacas
e.        insuficiência coronária
f.        crises epilépticas ( principalmente as do lobo temporal )
g.        feocromocitoma
h.       hipoglicemia
i.         labirintite, lesões neurológicas
j.         abstinência de álcool e/ou outras drogas
Para que sejam avaliadas estas doenças é extremamente importante uma boa anamnese e avaliação clínica, como também tornam-se necessários exames laboratoriais (dosagem da glicemia, de hormônios, de ácidovanil-mandélico, etc...), gráficos (eletrocardiograma, teste ergométrico, Holter, eletroencefalograma basal com foto estimulação, hiperpnéia, privação de sono e sono induzido, etc...) e de imagem (tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética, ecocardiograma, etc...).
O SPECT (Single Photon Emission Computed Tomography), exame atualmenterealizado em pesquisas (cintilografia com medida do fluxo sangüíneo regional cerebral, marcado com contraste radioativo) tem reveladoassimetria (direita > esquerda) no giro parahipocampal dos lobostemporais e na região órbito-frontal dos córtices pré-frontais dospacientes portadores de TP.
Outro fato que merece destaque é que cerca de 36 a 40% dos pacientes portadores de TP apresentam prolapso valvular mitral associado, revelado na ecocardiografia.
2. Distúrbios Psiquiátricos
·         de ansiedade generalizada
·         de depressão
·         de despersonalização
·         somatiforme
·         esquizofrenia
·         de caráter
Complicações e Interferências sócio-econômicas e familiares
As complicações decorrentes dos repetidos ataques de pânico induzem a gastos excessivos por parte dos pacientes com médicos e exames complementares, muitas vezes dispensáveis. Afastamento do trabalho, faltas, impossibilidade de aceitar promoções (por medo de assumir maiores responsabilidades) e até pedidos de demissão , são situações corriqueiras na vida destes pacientes, sobretudo se o TP não é diagnosticada precocemente e vem acompanhada de agorafobia (medo de freqüentar lugares públicos e abertos). Somando-se a estes fatos há uma deterioração econômica progressiva.
Socialmente, as sucessivas recusas a convites recebidos geram afastamento e perda dos contatos sociais.
No que tange ao relacionamento familiar, o paciente recebe inicialmente os cuidados dos parentes mais intimamente envolvidos. Após várias "peregrinações" a consultórios médicos, onde os exames insistentemente não demonstram patologia palpável, os familiares adotam atitude de estímulo para que o paciente saia da crise. Porém, com o tempo, esse mesmo paciente passa a ser alvo de críticas desferidas não só pela família como também de amigos que, lamentavelmente, só contribuem para o agravamento da situação.
O desenvolvimento da agorafobia ocorre porque os pacientes passam a terme do de sofrer novo ataque de pânico onde um anterior já tenha acontecido (teatro ou cinema por exemplo).
Deve também ser lembrada a "ansiedade antecipatória" (vou ter a crisenovamente?) apresentada pelos pacientes no desempenho de tarefas complexa sou mesmo simples como pegar seu carro e dirigir até o trabalho.
Se o diagnóstico e o tratamento eficaz não são estabelecidos precocemente maior será seu isolamento, assim como a tendência a não sair de casa. Aperda de peso é freqüentemente observada.
Tratamento da TP
O fator primordial no início do tratamento é o efetivo bloqueio dos ataques ou redução na sua freqüência e intensidade, através do uso de medicamentos e desta forma (sem o sofrimento com os ataques) permitir outras abordagens terapêuticas.
É necessário que se estabeleça uma boa relação médico-paciente, um vínculo terapêutico e de informação. O conhecimento pelo paciente de sua doença, evolução, efeitos colaterais possíveis das drogas, necessidade do uso contínuo da medicação (o ajuste da dose capaz de bloquear os ataques teráque ser feito) pelo tempo necessário para o controle dos sintomas é imperativo. Os efeitos adversos das medicações devem ser informados para que não haja motivos de frustração ou culpa nos relacionamentos mais íntimos.
A. Drogas Antipânico
Embora ainda pouco conhecido, mas sabidamente eficaz, o mecanismo de ação destas drogas parece exercer seus efeitos através de ações as vezes aparentemente antagônicas, a nível dos sistemas de neurotransmissão cerebral, principalmente a noradrenérgica e serotoninérgica (neurotransmissores ). As drogas aumentam a transmissão destas substâncias anível cerebral assim como a diminuição de sua captação.
No tratamento são usadas drogas sabidamente capazes de bloquear os ataques de pânico como os benzodiazepínicos, antidepressivos tricíclicos, inibidores da monoaminaoxidase, inibidores seletivos da recaptação deserotonina e os inibidores seletivos de serotonina e noradrenalina.
Benzodiazepínicos: alprazolam e clonazepam
Antidepressivos Tricíclicos ( ADT ): imipramina, clorimipramina, amitriptilina, nortriptilina
Inibidores da Monoaminaoxidase ( IMAO ): tranilcipromina, moclobemida
Inibidores Seletivos da recaptação de serotonina: sertralina, fluoxetina, paroxetina, fluvoxamina e citalopram
Inibidores Seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina: venlafaxina
Todos os medicamentos devem ser prescritos por médicos pois possuem efeitoscolaterais.
Há grande controvérsia quanto ao tempo necessário para manutenção do tratamento. Grande parte dos autores admite ser a duração ideal entre 6 meses a dois anos com posterior suspensão gradativa dos fármacos e reavaliação se os ataques de pânicos voltam a ocorrer. Apesar de adotados estes critérios o índice de recaída após a suspensão da droga varia entre 20 e 50%.
O paciente deve ser informado de que o início da melhora da sintomatologia pode levar algumas semanas e depende do ajuste das doses necessárias para o bloqueio dos ataques, assim como de sua fiel adesão a terapêutica instituída. Este fato deve ser bem esclarecido ao paciente para que o portador de TP não fique ansioso ou deprimido com a expectativa de melhora imediata.
B. Apoio Psicoterápico
É também de fundamental importância. Visa a manutenção da adesão a terapêutica e a orientação quanto ao desenvolvimento e combate às complicações associadas. As técnicas cognitivo-comportamentais parecem seras mais eficazes neste sentido, aumentando inclusive a resposta ao tratamento medicamentoso.
A medida que os ataques de pânico se sucedem o paciente desenvolve hipocondria, fobias associadas direta ou indiretamente com as circunstâncias nas quais teve a crise, ansiedade basal e antecipatória, agorafobia, autodepreciação, depressão, desmoralização, alcoolismo e/ou usoabusivo de drogas. Qualquer combinação é possível e independe das características de personalidade embora estejam na dependência da severidade e freqüência das crises, assim como a demora no diagnóstico. O paciente deve ser paulatinamente encorajado (após bloqueados os ataques farmacológicamente) a enfrentar os lugares ou situações onde foi acometido pelo ataque e desta forma ir ganhando auto confiança ao enfrentar suas adversidades.


SOMATERAPIA
Desenvolver uma nova prática psicológica que auxiliasse os homens na busca de sua liberdade. Foi assim que Roberto Freire rompeu com a psicanálise e criou a SOMATERAPIA ou apenas SOMA, durante o regime militar no Brasil.
Baseada nas idéias iniciais de Wilhelm Reich, discípulo dissidente de Freud, a SOMA considera a neurose fruto das organizações sociais autoritárias. Numa sociedade onde a liberdade de ser é impedida através de mecanismos repressores presentes na família tradicional burguesa, na pedagogia escolar autoritária e nas religiões castradoras, a neurose surge como um processo de ajustamento dos indivíduos.
Além de ser um fenômeno social, que se forma de fora para dentro, a neurose se instala em todo o corpo das pessoas, impedindo sobretudo a expressão livre da espontaneidade, da afetividade e da sexualidade. Assim, a SOMA é uma terapia corporal, utilizando-se de exercícios próprios que, além de agirem sobre a couraça neuromuscular do caráter (tensões crônicas da musculatura voluntária, que retém a neurose no corpo das pessoas), também informam como a repressão atua no cotidiano.
A SOMA funciona em grupos (em torno de 20 pessoas) e com duração de 1 ano a 1 ano e meio, evitando assim a formação de dependência terapeuta-cliente. Nesse período os grupos fazem 3 viagens para vivências em campo, onde há um crescimento nas dinâmicas dos grupos, por uma maior percepção individual, seja no contato com outros grupos, seja no contato direto com a natureza, com exercícios em locais que ainda preservam ecossistemas com pouca interferência humana tecnológica, como Visconde de Mauá-RJ (grupos Sul/Sudeste) e Lençois-BA (grupos Nordeste).
A SOMA utiliza-se também de técnicas da Gestalterapia, sobretudo no desenvolvimento da autonomia e criatividade individuais para solucionar situações de vida, e conseqüentemente não desperdiçar energia. Como terapia libertária, buscou na Antipsiquiatria o entendimento de como a neurose é produzida por defeitos na comunicação humana, que geram dependência e culpa.
A mais recente pesquisa da SOMA é a introdução da Capoeira Angola para efeitos terapêuticos. Numa mistura de dança, luta e arte, a Capoeira Angola surgiu no Brasil para auxiliar no processo de libertação do negro à escravidão imposta pelos brancos. Hoje, na SOMA, ela está sendo utilizada tanto como terapia corporal quanto para auxiliar o homem escravo da neurose que o impede de ser livre e criativo.
Adotando a ideologia anarquista, a SOMA se propõe a facilitar a busca da liberdade a nível pessoal e social. O Socialismo Libertário proposto pelo Anarquismo torna objetiva a luta contra qualquer forma de autoritarismo, permitindo o surgimento da originalidade única das pessoas. O Anarquismo é hoje a única ideologia que se opõe ao capitalismo burguês, uma das principais fontes de manutenção da dominação, do autoritarismo e das injustiças sociais. Na SOMA esses mecanismos de poder são discutidos e combatidos gerando uma dinâmica autogestiva, onde o que se busca são relações sinceras e solidárias.
Há quase 30 anos a SOMA vem pesquisando alternativas novas no combate a qualquer forma de poder coercitivo que atue sobre o ser humano.
Atuando em vários estados, a SOMA possui três sedes: em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, onde realizam-se palestras, maratonas, grupos e cursos. Há cinco anos, o Coletivo Anarquista Brancaleone vem realizando o Curso de Pedagogia Libertária, um espaço aberto para discussão das possibilidades de uma vida libertária. Sem dominador ou dominado, uma sociedade nova onde uma nova ética, a ética libertária, possa existir e impedir as mazelas que o capitalismo e outras formas de autoritarismo vem produzindo na humanidade.



SONHOS


Sonhos, atividade mental que ocorre durante o sono. Em termos sensoriais, a experiência visual está presente na quase totalidade dos sonhos e a auditiva em, aproximadamente, na metade. Podem ter um alto conteúdo emotivo, em forma de histórias interrompidas, com freqüentes mudanças de cenários. No começo do século XX, Sigmund Freud descreveu os mecanismos que regem os sonhos, afirmando que eles nada mais são que a satisfação de um desejo primário, em um conteúdo manifesto, aceitável pela consciência moral.
Biologia dos Sonhos

No campo da fisiologia, a fase REM — Rapid Eyes Movement (movimento ocular rápido) caracteriza-se pela atividade cerebral intensa, como no estado de vigília. Nessa fase, os sonhos têm componentes visuais fortes que são facilmente lembrados.
Conteúdo do Sonho

Os sonhos são produtos mentais cheios de significado, como os pensamentos. Expressam desejos, medos, preocupações e obsessões, fazendo com que o estudo e análise do seu conteúdo sejam úteis para revelar certos aspectos psíquicos do indivíduo.





STRESS
O que é o Stress?

O "STRESS" é o resultado de uma reação que o nosso organismo tem quando estimulado por fatores externos desfavoráveis. A primeira coisa que acontece com o nosso organismo nestas circunstâncias é uma descarga de adrenalina no nosso organismo, e os órgãos que mais sentem são o aparelho circulatório e o respiratório.

No aparelho circulatório a adrenalina promove a aceleração dos batimentos cardíacos (taquicardia) e uma diminuição do tamanho dosvasos sangüíneos periféricos. Assim, o sangue circula mais rapidamente para uma melhor oxigenação, principalmente, dos músculos e do cérebro já que ficou pouco sangue na periferia, o que também diminui sangramentos em caso de ferimentos superficiais.

No aparelho respiratório, a adrenalina promove a dilatação dos brônquios(broncodilatação) e induz o aumento dos movimentos respiratórios(taquipnéia) para que haja maior capitação de oxigênio, que vai ser mais rapidamente transportado pelo sistema circulatório, também devidamente preparado pela adrenalina.

Quando o perigo passa, o nosso organismo para com a super produção de adrenalina e tudo volta ao normal. No mundo de hoje as situações não são tão simples assim e o perigo e a agressão estão sempre nos rodiando. Por isso a reação do organismo frente ao stress é de taquicardia, palidez, sudorese e respiração ofegante. Pode haver também um descontrole da pressão arterial e provocar um aumento da pressão à níveisbem altos, mas não siginifica que a pessoa seja hipertensa.

STRESS

O stress até pouco tempo era conhecido como cansaço. Estou cansado! Trabalhei muito. Mas a experiência clínica nos foi mostrando que não era o cansaço físico o grande vilão desencadeador do stress. A falta de atividade também desenvolvia a doença. Nos dias de hoje, onde a informação chega muito rápido, e na maioria das vezes são informações que nos causam temores, o stress passou a ser visto também pelo lado emocional, atingindo o nosso lado mental/comportamental. Com estes estudos verificamos que o stress corrompe todo o nosso organismo causando doenças como veremos adiante.

Diante destas situações, nós psicólogos buscamos um meio natural que combater esta doença: Psicoterapia ao natural. Saímos do consultório, lugar fechado, e buscamos a natureza, um hotel fazenda por exemplo. Um final de semana em grupo de pessoas com características comuns. Neste ambiente procuramos usar roupas frouxas, deixar os pés em maior contato com a grama ou mesmo a terra. Exercitar a respiração (aprender a respirar, pois não sabemos respirar) e, o mais importante a troca de informações e experiências entre os participantes. O remédio continua sendo os chás servidos três vezes ao dia. Neste ambiente também praticamos a meditação e alguns exercícios de postura e relaxamento.

Este é um dos momentos mais importante de nosso encontros, pois é a troca energética biológica com a natureza.

O contato com a vida animal nos coloca numa posição de reflexão diante da vida e da evolução da mesma.

COMO ATUA O STRESS

Imagine uma barra de ferro sendo torcida. A tensão na barra antes de partir é o que os físicos chamam de stress. No ser humano caracteriza-se por alterações orgânicas. Em 1965, Hans Selye usou o termo stress para designar o estado de tensão do organismo quando submetido a um agente que ameaça sua integridade. Ele chamou esta reação de luta ou fuga, de síndrome geral de adaptação. Este esforço tinha como objetivo neutralizar o agente stressante. A doença surgiria devido a uma falha do sistema de adaptação dos mecanismos de defesa do organismo.

As doenças causadas pelo stresse social dependem da natureza, intensidade e duração da situação, alem das tendências hereditárias e das primeiras experiências de vida do individuo.

O stress interfere nos sistema nervoso simpático e parassimpático, responsáveis pelo equilíbrio do organismo. Eles formam o sistema nervoso autônomo ou neurovegetativo, que controla os batimentos cardíacos, a contração ou o relaxamento do estomago e a secreção das glândulas da mucosa estomacal.
 
MEDIDAS PARA COMBATER O "STRESS"

O combate ao stress não é fácil, mas existem algumas medidas que aliviam e podem ajudar muito. Quaisquer que sejam as medidas indicadas, o reconhecimento do problema é o primeiro passo para a cura. A partir de então programe o que fazer, o importante é tentar e mudar.

* Faça exercícios físicos ou pratique esportes regularmente. Abaixa a pressão e alivia as tensões causadas pelo stress.
* Arrume um hobby ou um passatempo, isto ajuda a desviar a sua atenção e alivia o stress.
* Controle a sua dieta, melhorando seus hábitos, diminuindo o consumo de bebidas alcóolicas e deixe de fumar. Ao contrário do que muita gente pensa estas atitudes não são estressantes mas, contribuem para a diminuição do stress.
* Procure conversar mais com as outras pessoas, melhore o seu relacionamento, isto não vai curar mas alivia as tensões.
* Procure sair de férias, se for possível, e deixe de se preocupar tanto. 

COMO CONTROLAR O STRESS ?

Para controlar e monitorar seu stress, você precisa manter uma qualidade de vida favorável à sua saúde e felicidade. Não confunda qualidade de vida (afetividade, alimentação saudável, contato com amigos e familiares, atividade física, vivência religiosa, atendimento de suas necessidades básicas de moradia, sono e lazer) com padrão de vida (dinheiro, posses, luxo, muitas facilidades, etc).

Neste sentido, fique atento como você está em relação à:

* Alimentação Saudável: em todas as fases do stress, seu corpo consome muita energia, vitaminas e sais minerais. Uma alimentação saudável o ajudará a manter suas reservas de energia e substâncias vitais para sua saúde. Existem muitos livros que tratam sobre o assunto, mas uma consulta com um médico e/ou com um nutricionista o ajudará a estabelecer qual é a sua dieta alimentar ideal para suas necessidades.
* Relaxamento Psico-Somático: em situações estressoras, ficamos mais ansiosos que o costume, nossos músculos ficam mais tensos e ficamos com o metabolismo do organismo acelerado. Técnicas de relaxamento de descansem ao mesmo tempo o corpo e a mente diminuem sua ansiedade, descansam seus músculos, e faz o metabolismo de seu organismo trabalhar mais lentamente - o que favorece seu reequilíbrio e a recuperação da energia gasta. Existem várias técnicas de relaxamento que podem ser usadas:
- técnicas cognitivas: são técnicas em que o relaxamento é obtido a partir da focalização de sua atenção em imagens e pensamentos agradáveis e positivos.
- técnicas físicas: são técnicas em que se consegue o relaxamento a partir de exercícios ou movimentação de partes do corpo.
* As técnicas cognitivas são interessantes, mas podem não funcionar se no momento a pessoa estiver muito ansiosa e com dificuldade em concentrar-se. As técnicas físicas além de não requerer concentração em pensamentos, ainda possibilitam que você desenvolva um controle consciente de sua tensão muscular. Com o tempo, você consegue perceber que parte de seu corpo está tenso e consegue relaxa-la, sem a necessidade de fazer todo o exercício e relaxamento. Dentre as técnicas físicas, ressalto a Técnica de Relaxamento de Jacobson.
* Atividade Física: atividade física moderada e freqüente auxilia no controle dos efeitos do stress. O exercício físico contribui para que seu corpo "queime" a tensão acumulada sobre seu organismo relaxando-o, além de tonificar seus músculos e melhorar a oxigenação. No entanto se você exagerar, além de trazer conseqüências para sua saúde, você estará "estressando-se" ainda mais. Um professor de educação física, um fisioterapeuta ou um médico podem lhe orientar quais atividades físicas são mais adequadas para seu porte físico, idade e condições de saúde. Pessoas que estão na fase de exaustão do stress somente devem fazer os exercícios quando estiverem restabelecidas e sob orientação médica.
* Vida social, familiar e afetiva: o contato com os amigos e familiares é importante porque além de favorecer a socialização e manter contato com outras pessoas (que é uma das necessidades humanas), permite troca de afetos. Estar junto das pessoas que gostamos e amamos é importante, assim como dar e receber afetos. Dar e receber afetos estreita vínculos, faz que nos sintamos mais amados e seguros e promove bem estar social e saúde mental.
* Postura positiva frente a vida e expressão de sentimentos: ter esperança e acreditar que o futuro será melhor nos ajuda a retomar o controle da vida, fazer uma leitura da realidade e agir para obter os objetivos desejados. A expressão sincera de sentimentos (comunicar ao outro o que deve ser dito, na hora certa e da forma certa) nos ajuda a eliminar alguns agentes estressores internos. Se você está magoado com alguém e não expressa esse sentimento, ela passará a atuar como estressor, porque o sentimento estará sempre lhe incomodando. Expressar ao outro seus sentimentos de forma sincera, (sem diminuir nem aumentar), na hora certa e da forma adequada (sem agredir nem destruir o outro) o ajudará a aliviar-se de tensões e a entender o ponto de vista da outra pessoa. Além de expressar ao outro os próprios sentimentos, é importante saber ouvir o outro e compreender seu ponto de vista.
* Organização e aproveitamento do tempo: muitas pessoas estão sob pressão desnecessária porque não aproveitam o tempo que possuem, dispensam muito tempo em coisas pouco importantes, ou não planejam seu tempo. Fazer um agendamento das suas atividades, estabelecendo horários de início e término e reavaliar sempre prioridades ajudam a dar conta das responsabilidades assumidas e produzir mais em menos tempo. Assim, o tempo ganho pode ser dispensado a outras coisas que julgue importantes.

Origem
Palavra utilizada pela primeira vez em 1936, no  Canadá, pelo cientista Hans Selye da Universidade de Montreal. Este termo advém da física, onde estresse significa o interjogo entre uma força e a resistência que produz.

Definição
Estado de desequilíbrio orgânico em resposta a influências ambientais. É uma resposta de adaptação de nosso organismo ante qualquer situação, passando a ser um mecanismo inato de auto-preservação.
Características
Qualquer situação que desperte emoção, seja essa boa ou má e que exija mudança, passa a ser chamada de elemento estressor ou fonte de estresse.
 
Funcionamento
O estresse é o sal da vida e sem ele seríamos desiludidos e desmotivados.
Existe o estresse causado por estímulos negativos (distress) e causado por estímulos positivos (eustress). Ambos são prejudiciais quando ocorrem em demasia, pois nos levam a exaustão.

Curiosidades
O estresse sempre existiu com o homem. Nossos ancestrais pré-históricos apresentavam respostas de estresse diante de qualquer situação ameaçadora, como por exemplo, diante de tempestades e de animais ferozes. Nas lutas e nas caçadas ... No entanto, esses homens não se estressavam, pois davam respostas naturais, lutando ou fugindo, transformando o problema.
Mas hoje em dia, as reações de luta e fuga passam a ser inadequadas e somos forçados a desenvolver nossa capacidade de adaptação de forma incongruente a que fomos biologicamente preparados.
Fontes comuns de Estresse
Meio Ambiente: barulho, trabalho, exigências, trânsito, prazos, etc.

Corpo: acidentes, doenças, crescimento, envelhecimento, falta de exercícios, distúrbios do sono, etc.
Pensamentos e Emoções: medos, idéias, sofrimento, impressões, sensações, etc.
Mecanismo Físico de Respostas
Qualquer problema, real ou imaginário provoca estímulos no córtex (parte mais externa do cérebro, sendo que este, envia mensagens ao hipotálamo (principal gatilho para a resposte ao estresse).
A Ação do Hipotálamo

O hipotálamo então estimula uma parte do sistema nervoso chamado de autonômico, a realizar uma série de mudanças em nosso corpo, tais como :
 
- Dilatação das pupilas para potencializar a visão
 
- Liberação de adrenalina e outros hormônios que diminuem a resposta imunológica do organismo

·      Aumento da pressão arterial

·      Desvio do sangue do sistema digestivo e extremidades para os músculos

·      Aceleração da frequência cardíaca

·      Transpiração mais intensa

·      Queda de temperatura nas mãos e pé

·      Quando o estímulo para o estresse acaba, o córtex pára de emitir impulsos e o organismo volta ao seu funcionamento normal em cerca de três minutos

·      Se o estímulo não for interropido ou se repetir com frequência, a pessoa pode entrar em um estado de estresse crônico

Estresse Crônico
O estresse crônico faz com que uma pessoa acabe exigindo demais de um determinado órgão.
As vítimas mais comuns são os sistemas esquelético-muscular, cardiovascular e gastro-intestinal. A carga extra sobre esses sistemas pode levar a doenças e sintomas em várias partes do organismo.
Principais Sintomas do Estresse Crônico

·      Fraqueza muscular

·      Gastrite

·      Úlcera

·      Diarréia crônica

·      Colite (inflamação do cólon - intestino grosso)

·      Hipertensão arterial

·      Impotência

·      Perda da libido

·      Asma

·      Maior suscetibilidade a infecções

·      Dores de cabeça

·      Tensão muscular

·      Fadiga

·      Depressão

·      Insônia

·      Irritabilidade

Conclusões Finais
Um indivíduo estressado está basicamente desfocado de si mesmo. Sente-se perdido, porque corre até a ciência em busca de sua existência e não a consegue.

Recorre então às crenças e filosofias da vida, mas frustra-se também, pois procura lá fora o que está dentro de si mesmo.

Portanto o caminho é buscar seu interior maior, descobrindo-o e descobrindo-se, a fim de aumentar a nitidez de sua vida, através do auto-conhecimento e da busca do equilíbrio interno.




VERGONHA
Muitas coisas são designadas como ridículas, obscenas e indecorosas. A definição do que faz parte de cada um destes conceitos é feita pela cultura e pela religião, e as pessoas que vivem neste dado contexto influenciam-se por estes valores. Em cada comunidade, o que é ridículo, obsceno e indecoroso é diferente do estabelecido por outras culturas e, numa mesma comunidade, esta classificação pode depender da situação e lugar em que os comportamentos ocorrem. As pessoas reagem ao vergonhoso de forma atenta, voltam-se para a pessoa que se comporta, comentam, riem e provocam um sentimento de vergonha em quem fica sendo o centro das atenções. 

Em muitas situações, as pessoas podem sentir vergonha, não por se comportarem de forma ridícula, mas por timidez, medo de errar ou de chamarem a atenção dos outros. Sentir ou não vergonha passa por medo de reprovação, introversão, timidez e outras características muito comuns. Os adolescentes, que começam a sofrer as primeiras mudanças corporais e de interesse, são alvo fácil da vergonha porque os adultos comentam tudo isto, causando desconforto em quem ainda não se acostumou com tantas transformações. Algumas outras situações também são comuns, como confessar paixão por outra pessoa, ir pela primeira vez a lugares em que não existem pessoas conhecidas, ficar sem roupa na frente de outra pessoa, e outras situações que, como estas, geralmente provocam vergonha em quase todas as pessoas. Muita gente supera rapidamente a sensação de vergonha e outras ficam absolutamente paralisadas por ela. A vergonha é normal e varia de pessoa para pessoa, ela só deve ser tratada por terapeutas e profissionais competentes quando é excessiva e incomoda quem a sente, por prejudicar seus relacionamentos.

VIOLÊNCIA
A violência é a utilização de força com objetivo de destruir ou provocar danos em outra pessoa ou em alguma coisa. Isto sempre existiu, desde os povos mais antigos, mas só tornou-se motivo de inquietação na época contemporânea. Muitas pesquisas começaram a ser financiadas e surgiram diversos institutos com finalidade exclusiva de estudar este assunto. Os estudos visavam a descoberta do que determinava a violência internacional, regional, de grupos étnicos e outros focos que cada vez se tornavam mais significativos. 

Muitas manifestações violentas relacionavam-se com tendências revolucionárias ou movimentos de independência e mudanças sociais, mas, na verdade, nem sempre ela se identifica com isto, manifestando-se de forma endêmica, contínua e destrutiva. Apesar de muitas tentativas de entender a violência, começarem pela idéia de agressividade genética e típica do comportamento animal, os cientistas sociais procuram localizar causas de caráter social e político. Existem muitos casos de violência e as manifestações são muito mais diversas do que se pode imaginar. A diversidade caracteriza-se pelo objetivo de cada comportamento violento, pelos meios utilizados e outros aspectos. 

A violência social não possui causas apenas individuais e diz respeito à luta entre grupos de interesses opostos. Os Golpes de Estado, lutas da polícia com invasores de terra, a repressão do governo ou de seitas religiosas, são exemplos deste tipo de violência. O índice mundial de violência é assustador e muitos grupos, inclusive internacionais, têm se formado na tentativa de conter este problema. Aqui no Brasil, uma campanha foi feita por estudantes universitários de São Paulo, com apoio da Rede Globo, objetivando o desarmamento. Esta campanha envolveu muitas pessoas públicas e promoveu discussões sérias a respeito dos efeitos e possíveis maneiras de prevenção da violência. Alguns motivos, como a desigualdade social, miséria absoluta e educação punitiva são facilmente ligados a comportamentos violentos e muito provavelmente sejam causas desde tipo de conduta. É sabido que violência gera violência e o aumento deste problema parece ser gradativo, demandando o máximo de atenção e cuidado. 

É muito comum que a violência seja sentida dentro de casa contra cônjuges, companheiros, idosos e principalmente filhos menores de idade. O requinte de violência doméstica pode ser alto e deve ser denunciado para autoridades ou serviços competentes para que o problema seja tratado da melhor forma possível. Muitas pessoas que sofrem violência doméstica têm medo de falar sobre o assunto ou de denunciar o agressor, pensando nas conseqüências disto. O problema é que viver como uma vítima da violência pode causar problemas sérios e que, dependendo do grau de intensidade e freqüência, podem ser irreversíveis. Para vítimas menores de idade, existe um serviço que funciona na cidade de São Paulo recebendo denúncias, mesmo que sejam anônimas, e mandando pessoas no local para verificar o problema e tomar as medidas necessárias. Este serviço é o CERCA (Centro de Referência da Criança e do Adolescente), coordenado pela doutora Lia Junqueira, que pode informar inclusive o telefone de serviços semelhantes em outras cidades do Brasil. O telefone do CERCA é (011) 239-0411.