A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA INGLESA NA FORMAÇÃO DOS ALUNOS DA EJA

28/06/2012 17:32

 

A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA INGLESA NA FORMAÇÃO DOS ALUNOS DA EJA


 

Inicialmente, partimos da concepção de que o momento de interação oferecidos nas aulas de inglês propicia uma percepção da escola como um local que auxiliará o aluno na constituição de sua identidade. Além disso, ao ofertarmos aos educandos essa oportunidade, damos-lhes não apenas mais uma opção de lazer, e sim, no contexto da EJA, a possibilidade de uma ascensão profissional e de interesse pela leitura e escrita.

Pensando sobre essa ótica, sabemos que os alunos da EJA, muitas vezes pessoas de idade avançada que não tiveram oportunidade de se escolarizarem na idade adequada, retornam à escola e apresentam conhecimentos desenvolvidos através de sua prática no cotidiano e principalmente no ambiente de trabalho. Em relação a isso, Alvares (2006, p. 92) pontua que “os conhecimentos advindos do trabalho são frutos da ação humana sobre instrumentos, que atuam como objetos sociais que medeiam a relação entre o indivíduo e o mundo”. Neste contexto, entende-se que a aquisição da língua inglesa, direito básico de todas as pessoas, representa uma habilidade fundamental na formação dos jovens e adultos, uma vez que permite o acesso ao mundo da comunicação e à grande quantidade de informações presentes na sociedade atual.

Percebemos que a contribuição do idioma inglês ultrapassa as situações corriqueiras do cotidiano, como leitura de classificados, preenchimento de currículos, leitura de manuais da área etc. Pensamos que existe outro víeis de enriquecimento cognitivo que se interliga às questões de cunho político e social, uma vez que a prática da leitura e interpretação de textos em língua inglesa se coloca como coadjuvante no processo de apropriação dessas habilidades também no idioma materno, o que leva a uma leitura crítica e a interpretação de informações divulgadas pelos diversos meios de comunicação.

Umas das mais importantes funções da referida disciplina é permitir que o aluno amplie sua compreensão de mundo, mais especificamente das culturas provenientes do inglês, permitindo, assim, uma compreensão de sua própria cultura e valorização da mesma. Além disso, promove uma análise das diferenças de expressão e comportamento dentre as várias culturas mundiais.

Como parte integrante de um currículo que articula as várias áreas do saber, ela desempenha uma função transdisciplinar que pode levar a uma análise mais bem formulada e crítica da sociedade em que o aluno está inserido, provocando reflexões de cunho político, social e econômico.

Lançando outro olhar sobre a coadjuvância da Língua Inglesa no processo formador dos alunos dessa modalidade, observamos que há um aumento substancial pelo interesse da leitura e escrita, já que os textos trabalhados em sala de aula são, muitas vezes, extraídos de jornais, revistas e outros periódicos, estimulando a curiosidade dos leitores e propiciando uma leitura mais consciente da realidade, ao mesmo tempo em que servem de ponto de partida para a elaboração e produção de outros textos que atendem as necessidades específicas dos educandos.

Em relação a isso, Lisboa (2009, p. 22) conclui que:


 

O ensino de LE contribui para o desenvolvimento linguístico dos alunos e pode ajudá-los no desenvolvimento da leitura e da escrita, bem como no entendimento das estruturas linguísticas e discursivas, também na língua materna. Para a aprendizagem de novos conhecimentos, o professor deve valorizar os conhecimentos anteriores dos alunos, pois é a partir daí que poderão construir as concepções mais elaboradas, sistematizadas pelo trabalho escolar.


 

Mediante a isso, entendemos que os alunos da EJA modificam seus olhares em relação ao papel da escola. Suas reflexões o levam a entenderem a escola como um espaço em que pode servir para a construção de sua própria identidade, uma vez que o trabalho nas aulas de inglês poderá permitir ao aluno perceber-se como integrante de uma comunidade de linguagem.

A dinâmica de ensino-aprendizagem que se estabelece nos espaços de EJA, poderá servir de base para momentos em que os fatores comunicativos levem os educandos a explorarem suas habilidades de compreensão de si próprios e do outro, das funções e aplicabilidades da linguagem, da importância do que se aprende para o uso no cotidiano e, acima de tudo, para uma visão mais contextualizada de suas ações como cidadãos atuantes.

O papel das linguagens no universo da EJA é bastante significativo, já que o objetivo maior é formar indivíduos que sejam capazes de compreender o mundo de uma maneira melhor. Por isso, é primordial a reflexão e o uso das práticas sociais que se fazem a partir das produções dos alunos em sala de aula. Lisboa (2009, p. 24) pontua que:

 

Entende-se a escola como uma comunidade de leitores e produtores de textos, na qual todo professor é professor de leitura e de escrita. A natureza multidisciplinar da linguagem e o seu caráter instrumental nas várias áreas do currículo contribuem para ampliar as relações dos alunos com os discursos – materializados em textos – presentes no mundo.

 

A partir daí, outra reflexão pode ser feita em relação à língua que se fala na escola e aquela que os educandos praticam. Sabemos que os alunos da EJA se diferenciam dos alunos do ensino regular por apresentarem uma maior dificuldade ao lidarem com o erro. Para eles, há uma cobrança interna muito maior e, talvez por isso, sintam tanta dificuldade para escreverem o que foram capazes de pensar e dizer. Neste momento então, entra em cena o professor de língua inglesa que, com suas técnicas e procedimentos de ensino lúdico e criativo, cria novos critérios de correção e valoriza a identidade linguística de cada aluno, através de materiais instrucionais bem elaborados que lhe permitem permear e transitar pelos mais diferentes temas e áreas de conhecimento. Então, o aluno percebe que o que aprende se interliga a outro saber e, como consequência, solidifica e fortalece seu aprendizado.

No mundo globalizado em que vivemos, e principalmente em nosso país, as diversas culturas se interligam chegando até se fundirem com a cultura inglesa.

Além de a língua inglesa ser o idioma nativo de mais de meio bilhão de pessoas, todo professor de inglês inicia o ano letivo com os alunos partindo do âmbito da consciência. No primeiro momento, é salutar deixar clara a importância desse idioma nos mais diversos setores do cotidiano para que os alunos possam perceber a validade de tudo o que aprenderão no decorrer do ano.

Neste contexto, a Educação de Jovens e Adultos, através da disciplina de Língua Inglesa, expõe os alunos aos mais diferentes contextos em que eles podem prever e praticar as situações que encontrarão no dia a dia e no mercado de trabalho.

É sabido que hoje a tecnologia conecta os indivíduos de uma maneira diferente do passado e, por isso, o idioma inglês é parte integrante desta conexão, o que a torna relevante para os alunos da EJA. Além disso, os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1999) salientam em seu texto sobre o caráter formativo desse idioma ao pontuarem seus objetivos e afirmarem os direitos dos cidadãos no aprendizado desse idioma.

Sendo assim, cabe a nós professores e cidadãos refletirmos que, se a oferta da língua inglesa nos espaços de EJA é um dever dos órgãos competentes do governo, que o seu ensino seja eficaz e significativo para que de fato possibilite o acesso ao direito e formação integral, contribuindo, assim, para a construção da cidadania e inclusão social.

 

 

REFERÊNCIAS:

ALVARES, Sonia Carbonell. Arte e Educação Estética na Educação de Jovens e Adultos. Col. Revolución: Ed. Crefal, 2006.

BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais, Códigos e suas Tecnologias. Língua Estrangeira Moderna. Brasília: MEC, 1999.

LISBOA, Élcia Guilerme Soares. A Língua Inglesa no Cotidiano da Educação de Jovens e Adultos e o Papel do Professor Nessa Modalidade. Disponível em: <http://forumeja.org.br/pf/sites/forumeja.org.br.pf/files/elciaguilherme.pdf>. Acesso em 18 de fevereiro de 2012.